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- Encontro de Integração reúne equipes dos Centros de Estudos da USP em Piracicaba
Visita à ESALQ, CENA e CCARBON promoveu trocas de experiências e debateu melhorias nos fluxos administrativos Representantes dos nove Centros de Estudos e da Reitoria da USP compareceram no evento. Foto: Luciana Spinelli No dia 9 de setembro de 2025 , funcionários de diversos Centros de Estudos da Universidade de São Paulo (USP) participaram de uma atividade de integração nas dependências da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) e do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA/USP) , em Piracicaba. O encontro teve como objetivo aproximar equipes, promover a troca de experiências e discutir pontos de aprimoramento nos processos administrativos comuns às unidades. Programação da visita A agenda começou com uma recepção na Diretoria da ESALQ , conduzida pela Sra. Sandra Vello , que apresentou as dependências do prédio central e promoveu um momento de diálogo entre os participantes. Em seguida, o grupo foi recebido no Gabinete da Prefeitura do Campus “Luiz de Queiroz” , pela Sra. Maria Estela Bigotto , que apresentou a estrutura do setor e ofereceu um coffee-break de boas-vindas. Às 10h , os visitantes realizaram um tour pelo campus, passando pela sede do Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) . Logo depois, ocorreu a visita ao CENA/USP , conduzida pelo Diretor, Prof. Ernani Pinto Junior . Ele apresentou a estrutura do centro e destacou suas linhas de pesquisa, que abrangem temas como ciclagem de nutrientes no solo, bioenergia, radioisótopos aplicados à agricultura, mudanças climáticas, controle de pragas e segurança alimentar . Recepção feita pelo Prof. Ernani Pinto Junior, Diretor do CENA/USP, e por sua equipe. Foto: Luciana Spinelli O professor explicou como o CENA se consolidou como uma das principais referências na aplicação da energia nuclear e da biotecnologia a favor da agricultura sustentável e como as pesquisas da instituição dialogam com demandas urgentes da sociedade, como a redução de emissões de gases de efeito estufa e o aumento da produtividade agrícola em bases sustentáveis . Ele ainda destacou parcerias já existentes com Centros de Estudos como o CEAS e o CCARBON , reforçando a importância da atuação integrada. No período da tarde, os participantes se reuniram na nova sede administrativa do CCARBON , inaugurada recentemente, em Piracicaba. O espaço foi inaugurado em evento realizado em junho de 2025, reunindo autoridades acadêmicas, representantes do setor produtivo e do governo. Pautas importantes foram debatidas em reunião que aconteceu na sede do CCARBON/USP. Foto: Luciana Spinelli Durante a visita, além da apresentação da estrutura da nova sede, os analistas dos Centros de Estudos participaram de uma reunião de trabalho. A pauta incluiu sugestões para o aperfeiçoamento de fluxos administrativos , em áreas como cursos de extensão, convênios e execução orçamentária. O encontro foi encerrado com um coffee-break, oferecido pelo CCARBON. Participantes O evento contou com a presença de representantes dos nove Centros de Estudos e da Reitoria da USP: Luciana Spinelli – Reitoria/USP Marcelo Melo – CCARBON/USP Lucila Colichio – CCARBON/USP Alexandre Queiroz – STAC/USP Iolanda Oliveira – CEAS/USP Lucas Youssef – C2PO/USP Érica Watanabe – CIAAM/USP Luis Moreira – RCGI/USP Sheila Tanaka – USP-China Victor Luccas Moura – USPproCLIMA Carolina Martoni – COI/USP Integração e cooperação O encontro reforçou o compromisso da USP em integrar seus Centros de Estudos , ampliando o diálogo entre equipes administrativas e fortalecendo a cooperação entre projetos de pesquisa e inovação. A atividade mostrou como a integração entre ensino, pesquisa e gestão administrativa é fundamental para garantir que as unidades da USP continuem entregando conhecimento de excelência e soluções inovadoras à sociedade.
- Novo mapa detalhado evidencia potencial do solo brasileiro para estocar carbono
Estudo da USP aponta que práticas agrícolas sustentáveis podem transformar o Brasil em protagonista global na mitigação das mudanças climáticas Dados coletados por seis anos, processadas com aprendizado de máquina, estimam atributos do solo de áreas sem amostras diretas - Imagem: Cedida pelo pesquisador Um mapa de alta resolução elaborado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) traz informações inéditas sobre a capacidade dos solos brasileiros de reter carbono. A pesquisa reforça a urgência de expandir práticas agrícolas sustentáveis que, além de manterem a produtividade, possam contribuir de forma decisiva para a mitigação das mudanças climáticas. O solo como aliado climático O estudo mostra que os solos do país apresentam grande potencial de sequestro de carbono , sobretudo em áreas agrícolas. A retenção desse elemento no solo não apenas reduz a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, como também melhora a fertilidade e a resiliência dos sistemas produtivos. Raul Roberto Poppiel - Foto: ResearchGate De acordo com os pesquisadores, a adoção de práticas como plantio direto, uso de culturas de cobertura, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e recuperação de pastagens degradadas pode ampliar significativamente o estoque de carbono. Essas técnicas já vêm sendo discutidas em projetos nacionais e internacionais voltados à agricultura de baixo carbono. “O estudo teve como objetivo elaborar o primeiro mapa global de solos em alta resolução, nesse caso, 90 metros, combinando observações de satélite, dados de campo e inteligência artificial”, afirma o professor Raul Roberto Poppiel, um dos coordenadores do projeto. Agricultura sob análise O mapeamento indica que áreas com manejo intensivo e pouco diversificado tendem a liberar mais carbono do que estocar. Isso ocorre porque a remoção contínua da cobertura vegetal e o uso excessivo de insumos químicos reduzem a matéria orgânica do solo. Por outro lado, regiões que adotam sistemas integrados e práticas conservacionistas apresentam saldo positivo , acumulando carbono no solo e gerando benefícios ambientais e econômicos. Relevância para políticas públicas e mercado de carbono Além de seu valor científico, o mapa pode servir de base para a formulação de políticas públicas de agricultura sustentável. O detalhamento em alta resolução permite identificar áreas prioritárias para recuperação ambiental e orientar investimentos em mercados de carbono , que vêm crescendo no Brasil. Com dados mais precisos, torna-se possível certificar práticas agrícolas que de fato contribuem para reduzir emissões de gases de efeito estufa e valorizar produtores comprometidos com sistemas regenerativos. Conexões com pesquisas em andamento A publicação também dialoga com iniciativas mais amplas de centros de pesquisa da USP, como o STAC , que desenvolve diagnósticos e tecnologias para ampliar a sustentabilidade agrícola, com o CCARBON que vem desenvolvendo estudos para mapear as pegadas de carbono na agricultura e o RCGI , voltado a soluções em mitigação de gases de efeito estufa. Todos os centros reforçam que a integração entre ciência, políticas públicas e setor produtivo será essencial para que o Brasil explore seu potencial como líder mundial em estratégias de baixo carbono. Fonte: Jornal da USP
- Conectividade avança no campo e abre caminho para um agro mais sustentável
Grandes produtores e iniciativas estratégicas ampliam o acesso à internet no meio rural, enquanto projetos de pesquisa e inclusão buscam levar benefícios também a pequenas propriedades Números avançam, mas conectividade ainda é gargalo no Brasil - Foto: Freepik. A expansão da internet no campo está deixando de ser um desafio distante para se tornar realidade em muitas regiões do Brasil. O avanço tem sido puxado principalmente por grandes produtores rurais e empresas do agronegócio, que reconhecem na conectividade uma ferramenta essencial para a gestão produtiva, a adoção de tecnologias digitais e a inserção competitiva do país no cenário global. Segundo dados recentes, quase 85% dos estabelecimentos rurais já possuem algum nível de conexão , seja por meio de redes móveis ou soluções de satélite. Esse crescimento, no entanto, ainda é desigual: propriedades de grande porte concentram a maior parte dos investimentos, enquanto agricultores familiares e regiões mais remotas enfrentam limitações de custo, infraestrutura e capacitação. Tecnologia em prol da sustentabilidade O acesso à internet no campo tem sido determinante para práticas que vão desde o monitoramento de máquinas agrícolas até a coleta de dados para uso mais racional de insumos. Sensores de solo, estações meteorológicas digitais, softwares de gestão e plataformas de rastreabilidade dependem de conectividade estável para funcionar de forma integrada. Pesquisas apontam que o uso dessas tecnologias pode gerar redução significativa no consumo de água e fertilizantes , além de aumentar a eficiência energética, contribuindo para metas de sustentabilidade. Um levantamento do Ministério da Agricultura indica que a digitalização pode reduzir em até 20% o custo médio de produção em determinadas cadeias produtivas. Desafios para ampliar o acesso Apesar dos avanços, o Brasil ainda apresenta grandes lacunas. O Censo Agropecuário do IBGE mostra que mais da metade das pequenas propriedades não têm conexão adequada para operar soluções digitais. Além da distância dos centros urbanos, fatores como a baixa rentabilidade e a falta de políticas públicas direcionadas tornam a conectividade rural um desafio estratégico. Iniciativas como o Programa Norte Conectado , do governo federal, e parcerias público-privadas vêm buscando reduzir essa desigualdade. Empresas de telecomunicações, em conjunto com cooperativas e associações de produtores, estão testando modelos de redes compartilhadas, além do uso de tecnologias alternativas como satélites de baixa órbita (LEO) , capazes de cobrir áreas isoladas com custos mais acessíveis. A visão do STAC O Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) tem destacado que a conectividade rural não é apenas uma questão tecnológica, mas também de inclusão social. Projetos como o Semear Digital , desenvolvidos em parceria com a Embrapa, mostram como a internet pode aproximar pequenos e médios produtores de mercados de carbono e de ferramentas de monitoramento ambiental. Além disso, ressalta-se que a conectividade é essencial para levar conhecimento técnico ao campo, por meio de plataformas de capacitação online, assistências virtuais e extensão digital. Essa infraestrutura pode ser decisiva para ampliar a competitividade da agricultura familiar e promover segurança alimentar em bases sustentáveis . Caminhos para o futuro A conectividade rural será um dos principais eixos de transformação do agronegócio na próxima década. A expectativa é que, com o barateamento das tecnologias digitais e a expansão de redes 5G, pequenos e médios produtores passem a integrar de forma mais efetiva esse movimento. A consolidação da agricultura digital depende, portanto, de um esforço conjunto: investimentos privados, políticas públicas consistentes e iniciativas de pesquisa e extensão que permitam ao Brasil reduzir a desigualdade tecnológica no campo. Fonte: Globo Rural
- Pronaf 30 anos: trajetória, impactos e perspectivas
Programa é celebrado como marco na valorização da agricultura familiar e segue desafiado a se adaptar às novas agendas de sustentabilidade e inclusão Lançamento de e-book gratuíto, durante o evento. Créditos: FEALQ. No último dia 25 de agosto, uma live comemorou os 30 anos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) , instituído em 1995 e hoje consolidado como uma das políticas públicas mais importantes para o campo brasileiro. O encontro marcou também o lançamento do e-book gratuito “Pronaf 30 anos: Uma revolução silenciosa que transforma o campo brasileiro” , reunindo especialistas, pesquisadores e protagonistas da história do programa. Contexto histórico e criação O PRONAF nasceu em um período de crise do crédito rural e abertura econômica, nos anos 1980 e 1990, quando pequenos produtores enfrentaram dificuldades diante da competição ampliada. A mobilização de movimentos sociais como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) , por meio de ações como o Grito da Terra Brasil , pressionou por políticas diferenciadas. A categoria “agricultura familiar” ganhou visibilidade graças ao apoio da academia e de documentos como as Diretrizes de Política Agrária de Desenvolvimento Sustentável (1995) . Dessa articulação emergiu o PRONAF, inicialmente como uma linha de crédito, mas que logo se consolidaria como uma política abrangente e estruturante. Expansão e impactos De política de crédito, o PRONAF se transformou em uma plataforma de políticas integradas. Entre as iniciativas derivadas destacam-se: Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) , que abriram mercados institucionais para a produção familiar; Seguro Garantia-Safra , oferecendo proteção contra perdas; Programa Mais Alimentos , que modernizou e mecanizou a agricultura familiar; Agroamigo , maior programa de microcrédito rural da América Latina, com metodologia de agentes locais e alta taxa de adimplência. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da FAO destacam o PRONAF como elemento-chave na redução da pobreza rural , na diversificação da produção agrícola e na segurança alimentar nacional . Identidade e inclusão Professor Titular do Departamento de Sociologia da UFRGS. Créditos: FEALQ O sociólogo Sérgio Schneider avalia que o PRONAF “construiu a agricultura familiar no Brasil”. O programa deu nome, legitimidade e reconhecimento a um grupo social antes invisível. Outro marco é a participação feminina , impulsionada por linhas de crédito específicas. Hoje, as mulheres representam 75% do público do PRONAF B (microcrédito), fortalecendo a renda e os sistemas de produção em quintais voltados à segurança alimentar. Desafios para o futuro Apesar dos avanços, especialistas apontam desafios: Alinhamento com a agenda climática e ambiental , estimulando agroecologia e bioeconomia; Expansão regional para Norte e Centro-Oeste, com foco em povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais; Ampliação da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) para adoção de novas práticas; Simplificação do crédito e adaptação do sistema bancário às especificidades da agricultura familiar. 📊 PRONAF: de 1995 a 2025 Aspectos PRONAF em 1995 (criação) PRONAF em 2025 (30 anos depois) Natureza Linha de crédito específica para pequenos produtores. Programa estruturante com diversas linhas de crédito e políticas complementares. Público-alvo Pequenos agricultores, ainda pouco reconhecidos como categoria. Agricultura familiar consolidada, com identidade e legitimidade social. Volume de recursos Recursos limitados, restritos ao crédito de custeio. Mais de R$ 70 bilhões/ano em linhas de crédito (dados MDA, 2023). Políticas derivadas Não havia complementação além do crédito. PAA, PNAE, Garantia-Safra, Mais Alimentos, Agroamigo, ATER. Reconhecimento da agricultura familiar Categoria invisível ou diluída no conceito de trabalhador rural. Reconhecida como pilar da segurança alimentar do país. Impacto produtivo Baixa escala, dependência de insumos externos e limitada inserção em mercados. Contribui com 70% dos alimentos consumidos no Brasil (FAO/IBGE). Inclusão social Mulheres e jovens praticamente ausentes do crédito. 75% do PRONAF B destinado a mulheres; jovens têm linhas próprias. Segurança alimentar Não havia políticas integradas ao crédito. Programas de compras institucionais garantem mercado e renda. Abrangência geográfica Concentração no Sul e Sudeste. Forte no Nordeste; desafios de expansão para Norte e Centro-Oeste. Desafios Reconhecimento e acesso inicial ao crédito. Sustentabilidade, clima, inovação tecnológica, diversificação e ampliação territorial. 📌 Esse quadro deixa evidente que o PRONAF passou de uma resposta emergencial a um sistema de políticas públicas complexas , com grande peso na economia rural e na segurança alimentar. GPP e STAC O debate sobre políticas públicas no campo encontra ressonância direta na Universidade de São Paulo, especialmente no trabalho do Grupo de Políticas Públicas (GPP/ESALQ/USP) , um dos núcleos de extensão vinculados ao Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) . O GPP se dedica a estudos aplicados de políticas de desenvolvimento rural, com foco em agricultura familiar, segurança alimentar e sustentabilidade . Projetos conduzidos pelo grupo analisam, por exemplo, o impacto do crédito rural, a evolução dos programas de compras públicas de alimentos e as estratégias de combate à fome em diálogo com o Estado e a sociedade civil. O encontro contou com a participação de Valter Bianchini, Sergio Paganini e Simone Ranieri, alguns dos autores da obra. Créditos: FEALQ No âmbito do STAC, esses estudos integram um esforço maior de articulação acadêmica e internacional, que busca soluções tropicais sustentáveis para os grandes desafios globais da agricultura, incluindo a redução de desigualdades sociais , a transição energética e a adaptação às mudanças climáticas . Assim como o PRONAF estruturou uma nova visão para a agricultura familiar no Brasil, o STAC e o GPP atuam hoje como centros de referência na formulação, avaliação e difusão de políticas públicas que garantam a prosperidade do setor em bases sustentáveis. Celebrado como uma “revolução silenciosa” , o PRONAF completa três décadas reconhecido como a política que mais impactou a agricultura familiar no país. Sua permanência e reinvenção são cruciais para os próximos 30 anos, diante dos desafios climáticos, tecnológicos e sociais que se colocam. Fonte : FEALQ
- Agricultura familiar ganha protagonismo em projeto de biocombustíveis da macaúba
Acelen Renováveis iniciou seleção de pequenos agricultores para o cultivo da macaúba , espécie nativa do Brasil considerada estratégica para a produção de biocombustíveis sustentáveis. Frutos da macaúba ( Acrocomia aculeata ). Créditos: Compre Rural Macaúba: potencial energético e socioeconômico A macaúba é reconhecida por sua alta produtividade de óleo, capaz de superar culturas tradicionais como a soja e o dendê. Além do potencial energético, a planta apresenta adaptabilidade a diferentes biomas brasileiros e pode ser cultivada em áreas de pastagens degradadas, sem competir diretamente com a produção de alimentos. Segundo estudos conduzidos pelo Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) , a domesticação da espécie representa um marco para a agricultura tropical, permitindo ao Brasil aliar produção de energia renovável, geração de renda para agricultores familiares e recuperação ambiental . Agricultura familiar estratégica O projeto coordenado pela Acelen prevê a integração de centenas de pequenos produtores rurais à cadeia produtiva da macaúba. A proposta busca estimular a diversificação agrícola , oferecer contratos de compra garantida e garantir acesso a tecnologia e capacitação técnica . De acordo com a empresa, a inclusão da agricultura familiar é essencial para expandir a oferta de matéria-prima e consolidar o biocombustível de macaúba como alternativa competitiva e sustentável no mercado internacional. Investimentos bilionários Nos últimos anos, a Acelen anunciou investimentos superiores a R$ 12 bilhões no setor de energias renováveis, com foco no cultivo e processamento da macaúba. O projeto também conta com apoio financeiro do BNDES , que reconheceu o potencial estratégico da cultura para gerar empregos, reduzir a dependência de combustíveis fósseis e promover a inserção da agricultura familiar em cadeias de alto valor agregado. Além disso, parcerias com centros de pesquisa como o STAC e instituições de inovação agrícola garantem a base científica necessária para desenvolver sistemas de cultivo eficientes, sustentáveis e economicamente viáveis. Energia limpa e descarbonização Estudos indicam que os biocombustíveis derivados da macaúba podem contribuir significativamente para as metas brasileiras de descarbonização. O óleo extraído da palmeira pode ser utilizado na produção de biodiesel e combustível sustentável para aviação (SAF) , setores considerados estratégicos para a transição energética global. Ao priorizar a recuperação de áreas degradadas, o projeto evita o desmatamento e promove o sequestro de carbono no solo , reforçando o papel do Brasil como protagonista no combate às mudanças climáticas. Perspectivas A iniciativa da Acelen Renováveis em integrar pequenos agricultores ao cultivo da macaúba reforça o alinhamento entre sustentabilidade ambiental, inclusão social e segurança energética . A expectativa é que, nos próximos anos, a cadeia produtiva se expanda e consolide o Brasil como líder no fornecimento de biocombustíveis tropicais de nova geração. Fonte: Globo Rural
- STAC/USP apresenta soluções estratégicas para a segurança alimentar global em conferência no Japão
O professor Durval Dourado Neto , Coordenador do Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) , participou da 2025 Kirkham Conference , realizada em Fukushima, Japão. O evento reuniu alguns dos principais especialistas do mundo em solos, agricultura e segurança alimentar. Créditos: Instagram Palestra com foco no papel estratégico do Brasil Durante sua participação, o Prof. Durval, em coautoria com o Prof. Quirijn de Jong van Lier , apresentou a palestra “A strategic agricultural Brazilian solution to provide world food security” . O tema destacou como a agricultura tropical brasileira pode oferecer caminhos concretos para enfrentar os desafios globais de produção de alimentos diante do crescimento populacional e das mudanças climáticas. A apresentação reforçou pontos centrais da pesquisa conduzida pelo STAC: Recuperação de pastagens degradadas como estratégia para ampliar a produção agrícola sem avançar sobre novas áreas; Integração de sistemas produtivos tropicais que aliam eficiência no uso de insumos e redução de impactos ambientais; Uso de tecnologias digitais e inteligência territorial para planejar de forma sustentável o futuro da agricultura; Segurança alimentar e energética com projetos que incluem o uso da macaúba como biocombustível sustentável. A Kirkham Conference e sua relevância A Kirkham Conference é realizada periodicamente em diferentes países e homenageia o legado científico do professor Don Kirkham , pioneiro nos estudos de física do solo e hidrologia. A edição de 2025 em Fukushima teve como foco a integração entre ciência do solo, mudanças climáticas e estratégias para garantir produção sustentável e segurança alimentar em escala global . Painel apresentado em evento promovido pela Soil Science Society of America. Créditos: Instagram O encontro foi marcado pela troca de experiências entre pesquisadores de diversas nacionalidades, fortalecendo a colaboração científica internacional. A presença brasileira, por meio do Prof. Durval, evidenciou a relevância das soluções desenvolvidas no país para questões de impacto mundial. O papel do STAC na agenda global A participação do Prof. Durval também reforça o papel do STAC/USP como um hub de inovação agrícola tropical , articulando projetos em parceria com governos, empresas e instituições internacionais. As contribuições brasileiras no campo da agricultura tropical ganham destaque em fóruns globais justamente por aliarem altos rendimentos produtivos , uso eficiente de recursos naturais e conservação ambiental . Fonte: Kirkham Conferences | Soil Science Society of America
- Centro de Estudos da USP desenvolve registro de créditos de carbono para garantir transparência no mercado climático
A Universidade de São Paulo (USP), por meio do Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI-USP) , desenvolveu o RCGI-USP Carbon Registry , um "cartório" de créditos de carbono que busca assegurar transparência, rastreabilidade e confiança no mercado climático brasileiro. Julio Meneghini, Carlos Gilberto Carlotti Junior e Karen Mascarenhas (Foto: Divulgação/ RCGI) A iniciativa surge em um momento estratégico, quando o Brasil é chamado a assumir papel de liderança global no enfrentamento das mudanças climáticas. O registro funcionará como uma plataforma de validação e monitoramento de projetos , garantindo que os créditos emitidos correspondam de fato à redução ou sequestro de emissões de gases de efeito estufa. Com isso, a USP pretende reduzir riscos de práticas como o greenwashing e oferecer maior credibilidade a produtores, empresas e governos interessados em alinhar suas atividades às metas de descarbonização. O papel estratégico dos Centros de Estudos da USP O RCGI-USP integra a rede de Centros de Estudos multidisciplinares da universidade, criados para enfrentar os grandes temas da sociedade. Esses centros funcionam como hubs de pesquisa e inovação , reunindo cientistas de diferentes áreas em torno de agendas estratégicas para o país e para o mundo. Alguns dos Centros de Estudos recém criados pela USP. Recentemente, a USP consolidou novos núcleos voltados a áreas como Centro USP-China e USPproClima , cada qual contribuindo com soluções aplicadas para questões ambientais, sociais e econômicas. Agricultura tropical Um dos exemplos mais relevantes dessa rede é o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC) . Suas pesquisas têm como foco a construção de sistemas de produção que conciliem competitividade agrícola, conservação ambiental e segurança alimentar. Entre os principais projetos, destacam-se: Recuperação de pastagens degradadas , voltada a melhorar a produtividade e reduzir emissões; Domesticação da macaúba , para geração de biocombustíveis sustentáveis de aviação; Selo Verde Brasil , que busca criar uma certificação nacional para práticas agrícolas de baixo impacto; Conectividade rural , ampliando o acesso à tecnologia digital no campo. Logo STAC. Créditos: Serviços Gráficos (ESALQ) O STAC, assim como o RCGI-USP, demonstra como a USP articula pesquisa científica e demandas sociais em busca de soluções práticas para o desenvolvimento sustentável. Os Centros e suas metas visionárias A criação do RCGI-USP Carbon Registry mostra como a USP projeta seus centros como laboratórios de futuro , capazes de transformar pesquisa em políticas públicas, inovações tecnológicas e práticas sustentáveis. Ao lado do STAC, do CCARBON e de outros núcleos temáticos, o RCGI-USP reforça o papel da universidade na construção de uma agenda nacional de baixo carbono, alinhada aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. O RCGI-USP Carbon Registry pode consolidar o país como um dos líderes no mercado global de carbono, oferecendo credibilidade às negociações e atraindo novos investimentos. Ao mesmo tempo, fortalece a posição da ciência brasileira na formulação de soluções concretas para a transição energética e climática. Fonte: Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI)
- Mariangela Hungria: a cientista que economiza bilhões ao Brasil e reduz emissões na agricultura
Pesquisa pioneira em fixação biológica de nitrogênio gera bilhões de dólares em economia, reduz emissões e coloca o Brasil como referência mundial no uso de insumos biológicos Dra. Mariangela Hungria da Cunha: Vencedora do Prêmio Nobel da Agricultura em 2025. Créditos: Estadão. Pioneirismo científico e impacto global Natural de Itapetininga (SP), a microbiologista Mariângela Hungria tem contribuído para mudar a história da agricultura brasileira. Seu trabalho com fixação biológica de nitrogênio (FBN) gera uma economia anual de cerca de US$ 40 bilhões (mais de R$ 220 bilhões) em adubos químicos e evita a emissão de 180 milhões de toneladas de CO₂ por ano. Sem essa tecnologia, o país precisaria importar milhões de toneladas de fertilizantes nitrogenados, elevando custos e aumentando a dependência externa. A técnica revolucionária Na produção de soja , carro-chefe da pauta de exportações brasileiras, o nitrogênio é essencial, mas os solos tropicais são pobres nesse nutriente. Foi aí que Mariângela, junto a outros pesquisadores, ajudou a consolidar a técnica da fixação biológica de nitrogênio , que consiste em aplicar bactérias benéficas (rizóbios) nas sementes. Esses microrganismos formam nódulos nas raízes e permitem que as plantas capturem nitrogênio do solo e da atmosfera, aumentando o crescimento e a produtividade sem a necessidade de fertilizantes químicos caros e poluentes. Nódulos em raízes de soja, marcas da fixação biológica de nitrogênio. Créditos: Mais soja. Além da soja, a técnica foi expandida para outras culturas como o feijão (com ganhos de até 25% na produtividade) e o milho , onde bactérias aplicadas diretamente nas folhas ajudam a fixar o nutriente. Impacto no campo Graças ao amplo uso da FBN, o Brasil saltou de 15 milhões de toneladas de soja nos anos 1980 para mais de 170 milhões de toneladas atualmente , consolidando-se como líder mundial na adoção de bioinsumos agrícolas. O efeito vai além da economia: a redução no uso de fertilizantes nitrogenados evita emissões significativas de gases de efeito estufa, contribuindo para o combate às mudanças climáticas e reforçando a imagem do país como potência agrícola sustentável. Reconhecimento internacional Aos 67 anos, Mariangela tornou-se a quarta brasileira a conquistar o prêmio desde sua criação, em 1986. - Créditos: BBC O impacto de sua pesquisa foi reconhecido em 2025, quando Mariângela Hungria recebeu o World Food Prize , considerado o “Prêmio Nobel da Alimentação” . Embora a premiação seja de US$ 500 mil , valor expressivo, ela é simbólica diante dos bilhões de dólares que seu trabalho já trouxe para o Brasil e para a segurança alimentar global. “Sempre pensamos em produzir com sustentabilidade, mas com altos rendimentos, porque precisamos garantir comida para todos, recuperando a saúde do solo e mantendo a competitividade”, destacou a cientista. Uma visão de futuro Para Mariângela, a agricultura deve seguir combinando produtividade, sustentabilidade e inovação tecnológica . A ampliação do uso de microrganismos benéficos no campo é parte de uma transição necessária para reduzir dependência externa de insumos, melhorar a saúde dos solos e combater a fome mundial. Seu legado reforça que ciência e agricultura caminham juntas para garantir que o Brasil seja não apenas celeiro do mundo , mas também exemplo de produção sustentável . Fonte: Gazeta do Povo
- Diretor de Núcleo do STAC é incluído no Hall da Fama da Citricultura Brasileira
Reconhecimento destaca trajetória dedicada ao controle biológico e à sustentabilidade agrícola no Brasil do professor José Roberto Postali Parra Prof. José Roberto Postali Parra - Professor titular do Departamento de Entomologia e Acarologia da ESALQ/USP. Créditos: Koppert Brasil Professor titular do Departamento de Entomologia e Acarologia da ESALQ/USP. O professor José Roberto Postali Parra , docente do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), acaba de ingressar no Hall da Fama da Citricultura Brasileira , honraria concedida a profissionais que marcaram de forma significativa o setor. Além de seu trabalho acadêmico, Parra é Diretor do SPARCBio – São Paulo Advanced Research Center for Biological Control , um dos principais centros de pesquisa do país dedicados ao desenvolvimento e aprimoramento de soluções biológicas para o manejo de pragas . Também lidera o Núcleo de Controle Biológico de Pragas para a Sustentabilidade Agrícola , vinculado ao Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) , ampliando o impacto de suas pesquisas para diferentes cadeias produtivas. Prof. José Parra é diretor do SPARCBio e do Núcleo de Controle Biológico de Pragas para a Sustentabilidade Agrícola - STAC. Créditos: Compre Rural. Um legado no controle biológico Com mais de quatro décadas de atuação, o Prof. Parra é referência mundial em entomologia aplicada e controle biológico de pragas . Seus estudos contribuíram para consolidar o uso de inimigos naturais em larga escala, reduzindo a dependência de defensivos químicos e favorecendo a preservação ambiental. Na citricultura, sua pesquisa foi decisiva para o manejo de pragas como o psilídeo Diaphorina citri , vetor do greening (HLB), doença que ameaça pomares em todo o mundo. A introdução e multiplicação de parasitoides, como o Tamarixia radiata , têm sido ferramentas centrais para o controle dessa praga no Brasil. SPARCBio: inovação e parcerias O SPARCBio é um Centro Avançado de Pesquisa em Controle Biológico que integra academia, setor privado e órgãos públicos para criar tecnologias de manejo sustentável , ampliando a competitividade e a segurança das produções agrícolas. Com sede na ESALQ, o centro desenvolve desde soluções microbianas até programas de uso integrado de agentes biológicos, fortalecendo o mercado de bioinsumos e alinhando-se às metas globais de agricultura de baixo carbono . Sede do SPARCBio, na ESALQ/USP. Atuação estratégica dentro do STAC Como diretor do Núcleo de Controle Biológico de Pragas para a Sustentabilidade Agrícola , Prof. Parra coordena ações de P&D dentro do STAC/USP , com foco em ampliar o uso de métodos biológicos em diversos biomas tropicais. O núcleo integra redes de pesquisa que avaliam impacto ambiental, viabilidade econômica e escalabilidade dessas práticas, contribuindo para políticas públicas e para a transição para sistemas agrícolas mais resilientes. Reconhecimento que inspira A inclusão no Hall da Fama da Citricultura Brasileira não apenas consagra a trajetória acadêmica e profissional do Prof. Parra, mas também reforça o papel estratégico da ESALQ/USP e de centros como o SPARCBio e o STAC/USP no avanço da sustentabilidade agrícola no país. Fonte: ESALQ NET
- STAC apresenta soluções sustentáveis para a agricultura tropical com impacto global
Iniciativas de pesquisa, parcerias e inovação foram destaque na fala do coordenador do STAC - Prof. Durval Dourado Neto - em entrevista ao Jornal da ALESP 1ª Edição. Professor Titular da ESALQ/USP e Coordenador do STAC, Durval Dourado Neto. O Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) , foi tema de entrevista especial com o seu coordenador, Prof. Durval Dourado Neto , no programa transmitido hoje, em sua edição matinal. Na conversa, o professor apresentou a missão, os projetos estratégicos e a relevância do centro como um hub de soluções sustentáveis para a agricultura tropical . STAC como centro de integração e soluções Questionado sobre como o STAC busca soluções sustentáveis, o professor destacou que o centro desenvolve projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para tornar os sistemas agrícolas mais eficientes e ambientalmente responsáveis, com benefícios não apenas para o Brasil, mas também para outros países que compartilham condições tropicais. Prof. Durval Dourado Neto, em entrevista ao Jornal da Rede ALESP. Créditos: Youtube Ao ser comparado a um hub, o Prof. Durval reforçou que o STAC funciona como articulador entre ciência, tecnologia e políticas públicas , reunindo universidades, órgãos governamentais e empresas. Entre os exemplos, citou o Projeto Biomas Tropicais , que criou uma ferramenta inédita para calcular o Índice de Desenvolvimento Rural Sustentável em todos os municípios brasileiros, permitindo diagnósticos e monitoramento para tomada de decisão. Eficiência no uso de insumos e parcerias estratégicas O professor destacou ainda o trabalho no desenvolvimento de novos sistemas de produção voltados para aumentar a eficiência do uso de insumos na agricultura. Um exemplo citado foi o SPARCBio , centro de pesquisa que atua no controle biológico para reduzir o uso de defensivos agrícolas, reforçando o compromisso com práticas de menor impacto ambiental. O STAC também mantém parcerias com empresas públicas e privadas , viabilizando a aplicação prática de pesquisas e ampliando o alcance das soluções desenvolvidas. São Paulo Advanced Research Center for Biological Control. Créditos: Koppert Enfrentando desafios climáticos Sobre mudanças climáticas, o Prof. Durval explicou que o centro realiza análises territoriais para adequar as culturas agrícolas às condições predominantes de cada região, além de desenvolver estudos sobre melhoramento genético para criar plantas mais resistentes a estresses climáticos. Principais projetos Reforçando a importância do investimento, o professor apresentou alguns projetos estratégicos: Domesticação da macaúba para biocombustíveis sustentáveis , em parceria com a Acelen e apoio do BNDES, integrando agricultura familiar e inovação. Segurança alimentar : mapeamento de áreas de pastagens degradadas para ampliar a produção de alimentos, com potencial para alimentar mais 1 bilhão de pessoas até 2050. Plano Nacional de Irrigação : iniciativa de longo prazo, projetada para os próximos 100 anos, com foco no uso racional da água e aumento da eficiência produtiva. Compromisso com o futuro O coordenador reforçou que o STAC busca consolidar-se como referência em práticas agrícolas sustentáveis , promovendo inovação, capacitação e articulação internacional para enfrentar os grandes desafios da agricultura tropical. Entrevista na íntegra.
- "Por Dentro da USP" destaca o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC)
Em sua edição de 8 de agosto de 2025, o boletim quinzenal Por Dentro da USP destacou o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC) , coordenado pelo professor Durval Dourado Neto, da ESALQ/USP. Centro de Agricultura Tropical Sustentável - STAC O Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC), ligado à Reitoria da Universidade de São Paulo, vem se firmando como um polo de referência no desenvolvimento de soluções integradas para os desafios da produção agrícola em regiões tropicais. Coordenado pelo professor Durval Dourado Neto, o STAC atua de forma multidisciplinar, envolvendo docentes, pesquisadores e estudantes de diversas áreas do conhecimento, com o objetivo de conciliar produtividade, conservação ambiental e melhoria da qualidade de vida no meio rural. Professor Titular da ESALQ/USP, Durval Dourado Neto coordena o STAC. (Créditos: Gerhard Waller) "A missão do STAC é promover uma interação contínua entre unidades da USP e instituições públicas e privadas, no Brasil e no exterior, para criar e difundir soluções estratégicas que fortaleçam a agricultura tropical sustentável. Essa atuação envolve desde a pesquisa científica até o apoio à formulação de políticas públicas, com ênfase na segurança alimentar, uso responsável dos recursos naturais e desenvolvimento rural inclusivo." - Prof. Durval Dourado Neto. Projetos em andamento O trabalho do STAC é organizado em diferentes núcleos: Pesquisa e Desenvolvimento; Inovação e Empreendedorismo; Comunicação e Difusão; Cooperação Internacional; Controle Biológico de Pragas Para a Sustentabilidade Agrícola; e Novos Negócios . Dentro desse escopo, atualmente são conduzidos cinco projetos prioritários: Domesticação da macaúba – voltada à produção de combustível sustentável para aviação, explorando o potencial de uma palmeira nativa para geração de bioquerosene. Selo Verde Brasil – desenvolvimento de um sistema nacional de certificação e avaliação de conformidade para produtos e serviços sustentáveis. Inteligência territorial e segurança alimentar – estudo da eficiência da produção agrícola irrigada, com meta de aumentar em 40% a produtividade nacional. Conectividade rural – aplicação de tecnologias digitais para ampliar a eficiência da produção no campo. Recuperação de pastagens degradadas – desenvolvimento de sistemas que combinem otimização da produtividade e mitigação das mudanças climáticas. Principais projetos, em desenvolvimento, do STAC. Parcerias e visão de futuro O STAC mantém parcerias estratégicas com universidades, empresas e órgãos governamentais, fortalecendo a troca de conhecimentos e a aplicação prática de suas pesquisas. A expectativa é que o centro se consolide como hub de inovação em práticas agrícolas sustentáveis , contribuindo para formar profissionais qualificados, fomentar novas tecnologias e apoiar decisões de políticas públicas. O Prof. Durval destaca que, além dos avanços técnicos, o centro também prioriza a difusão de informações e boas práticas agrícolas , garantindo que seu impacto alcance pequenos produtores e comunidades rurais. Essa abordagem amplia a inclusão social no campo e potencializa a adoção de sistemas produtivos sustentáveis. Integração com programas de internacionalização No mesmo período em que fortalece suas linhas de pesquisa, o STAC também reforça sua dimensão internacional, participando e organizando eventos como o VII STAC School and Tech Tour , que recebeu estudantes estrangeiros para imersão em sistemas tropicais de produção. Essa interação contribui para a troca de experiências e posiciona o Brasil como protagonista no debate global sobre agricultura sustentável. Para ter acesso a entrevista, na íntegra, acesse: Jornal da USP
- Agricultura tropical em destaque: ESALQ e STAC promovem eventos acadêmicos internacionais
International School e STAC School and Tech Tour destacam protagonismo da ESALQ na difusão dos sistemas tropicais de produção sustentável Os eventos ocorreram na ESALQ e empresas parceiras, entre os dias 13 e 26 de julho de 2025. Crédito: Gerhard Waller. Entre os dias 13 e 26 de julho de 2025, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), em Piracicaba, sediou mais uma edição da sua reconhecida International School on Tropical Sustainable Agricultural Systems . O evento teve como objetivo principal proporcionar um ambiente de intercâmbio científico e cultural entre estudantes e pesquisadores de diversas nacionalidades, com foco na agricultura tropical e na sustentabilidade produtiva. Estudantes brasileiros e estrangeiros em frente ao Edifício Central. Crédito: Denise Guimarães Realizada integralmente em inglês, a programação contou com palestras, oficinas técnicas, visitas a propriedades rurais, centros de pesquisa e empresas do setor agroindustrial. Entre os temas abordados estiveram fisiologia vegetal, tecnologias sustentáveis para a produção agrícola, integração lavoura-pecuária, uso de bioinsumos, manejo sustentável da água, economia circular e inovação em agroenergia. VII STAC School and Tech Tour Em paralelo à International School , o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) promoveu o VII STAC School and Tech Tour , com a participação de 14 alunos e dois professores da China Agricultural University (CAU). A delegação chinesa participou ativamente da programação acadêmica e técnica, reforçando a proposta de internacionalização do STAC e da própria ESALQ. Estudantes chineses realizaram visitas a empresas para discutir práticas agroalimentares sustentáveis e modelos cooperativistas. A agenda do Tech Tour incluiu visitas técnicas a empresas e propriedades referência em inovação agrícola, como a Citrosuco, a Raízen Biogás, a cooperativa Coplacana, a fazenda Canto Porto (pecuária leiteira) e unidades de produção de soja, macadâmia, flores, suínos e cerveja artesanal, além de aulas teóricas ministradas por docentes da USP e pesquisadores da Embrapa. Essa integração reafirma o protagonismo do STAC na promoção da agricultura tropical sustentável por meio de atividades educacionais internacionais, aliando ciência, cultura e troca de experiências entre jovens lideranças acadêmicas do Brasil e do exterior. “Ao promover um programa robusto de internacionalização, estamos não só disseminando conhecimento técnico, mas também consolidando o Brasil como referência global na produção agrícola em clima tropical”, destacou o professor Durval Dourado Neto, coordenador do STAC Tech Tour. Interdisciplinaridade e articulação institucional A edição de 2025 da International School contou com a colaboração de docentes da ESALQ, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP), da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA/USP), além de profissionais do setor produtivo. As atividades também envolveram o Escritório de Cooperação Internacional (ECI) da ESALQ, responsável pelo apoio logístico e pela articulação institucional. A integração entre diferentes setores da universidade fortaleceu o impacto acadêmico do evento e contribuiu para uma formação mais ampla dos participantes. Um marco para a diplomacia científica Iniciativas como a International School e o STAC Tech Tour são estratégicas para consolidar a diplomacia científica brasileira. Elas ampliam a visibilidade da produção acadêmica nacional, promovem a colaboração internacional e contribuem para soluções sustentáveis em escala global, especialmente em tempos de crise climática e desafios alimentares. Fonte: ESALQ NET
- Estudante brasileiro é premiado por destaque em apresentação científica na China Agricultural University
Higor de Queiroz Ribeiro, mestrando no programa de pós-graduação em Fitotecnia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), foi premiado por sua apresentação durante evento acadêmico em Beijing, realizado pela China Agricultural University (CAU), em 14 de julho. Higor de Queiroz Ribeiro, em apresentação na China Agricultural University. Créditos: Outros. Representando o Brasil no programa de intercâmbio acadêmico promovido pela CAU, Higor apresentou o trabalho intitulado “Framework for Evaluating AquaCrop Calibrations Using NDVI-Derived Canopy Cover in Irrigated Maize in Western Bahia, Brazil” . A apresentação chamou atenção pela aplicação de dados de satélite e modelos de simulação agroclimática para avaliar o desenvolvimento do dossel vegetal (canopy cover) em áreas de cultivo sob pivô central, no contexto da agricultura de precisão. 🌱 Pesquisa combina inovação e sustentabilidade no agronegócio Orientado pelo Prof. Dr. Durval Dourado Neto (Esalq/USP), o trabalho de Higor propôs uma estrutura metodológica que integra imagens dos satélites Sentinel-2 e Landsat 8/9, via Google Earth Engine, com o modelo AquaCrop da FAO — amplamente utilizado para prever produtividade e consumo hídrico de culturas agrícolas. O foco foi o milho irrigado de segunda safra em municípios como Correntina e Jaborandi (BA), onde foram monitoradas 87 áreas agrícolas entre os anos de 2017 e 2023. A proposta do pesquisador brasileiro avaliou quatro cenários de calibração do modelo AquaCrop e comparou seus resultados com dados de sensoriamento remoto processados a partir do índice de vegetação NDVI, convertidos em estimativas de cobertura de dossel. 📊 Principais resultados do estudo A calibração denominada MZ4 , com ajustes manuais, apresentou o melhor equilíbrio entre precisão e acurácia . O uso do NDVI como estimador de cobertura vegetal se mostrou eficaz e escalável. A estrutura desenvolvida pode ser adaptada para outras culturas, regiões e aplicações, como estimativa de produtividade ou assimilação de dados em tempo real. A pesquisa reforça o potencial do uso de técnicas de sensoriamento remoto e modelagem computacional no monitoramento agrícola multi-anual . 🌍 Reconhecimento internacional e perspectivas futuras A premiação recebida por Higor Ribeiro é resultado do esforço contínuo de internacionalização promovido por iniciativas como o Sustainable Tropical Agriculture Center (STAC) , que fomenta a formação de jovens talentos e o intercâmbio de conhecimento com universidades de referência em agricultura, como a CAU na China. Título de reconhecimento por apresentação realizada por Higor Ribeiro. Crédito: Higor Ribeiro. Além de contribuir para a ciência aplicada à agricultura tropical, o estudo se alinha com agendas globais de sustentabilidade, uso racional da água e adaptação às mudanças climáticas. Entre os próximos passos, o pesquisador pretende incorporar técnicas de inteligência artificial na calibração automática dos modelos, além de expandir a metodologia para o monitoramento de outras culturas estratégicas. ✍️ Sobre o pesquisador Higor de Queiroz Ribeiro é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e atualmente mestrando no programa de pós-graduação em Fitotecnia da ESALQ/USP. Possui experiência em sensoriamento remoto, modelagem agrícola e agricultura irrigada.
- Manejo de cana-de-açúcar pode aumentar sustentabilidade no setor sucroenergético
Estudo da Esalq/USP avalia impacto climático e estratégias para reduzir óxido nitroso na produção de cana A cana-de-açúcar foi escolhida como foco devido à sua importância econômica para o Brasil – Foto: José Reynaldo da Fonseca/Wikimedia Commons O setor sucroenergético brasileiro, vital para a matriz energética nacional e a economia agrícola, pode se tornar ainda mais sustentável com práticas de manejo adequadas. É o que aponta o estudo conduzido pela engenheira agrônoma Emily Aquino Leite, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), que analisou como diferentes cenários climáticos interferem na produtividade da cana-de-açúcar e nas emissões de gases de efeito estufa, em especial o óxido nitroso (N₂O). Com base em modelagens como o Samuca (para produtividade) e o Cury (para emissões), a pesquisa constatou que o aumento da concentração de CO₂ atmosférico pode, por um lado, favorecer a fotossíntese da cana-de-açúcar, elevando sua produtividade em até 10%. Por outro lado, há um alerta: as emissões de N₂O — gás com potencial de aquecimento global 300 vezes superior ao do CO₂ — podem crescer entre 5% e 30%, dependendo do manejo adotado. Desafios ambientais e oportunidades de mitigação A pesquisa destaca o papel da palhada deixada no campo após a colheita como um fator de risco. Apesar de essencial para a cobertura do solo, em excesso, a palha retém umidade e favorece a atividade microbiana que libera óxido nitroso. A pesquisadora sugere que parte desse material possa ser redirecionado à produção de etanol de segunda geração (2G), promovendo um equilíbrio entre conservação do solo e redução das emissões. Além disso, a aplicação de fertilizantes nitrogenados deve ser repensada. Temperaturas elevadas aumentam as perdas de nitrogênio para a atmosfera, o que reforça a importância do uso eficiente de insumos e do planejamento técnico no campo. Modelagem como ferramenta para políticas e tomada de decisão A modelagem computacional utilizada na pesquisa permite simular cenários futuros e avaliar estratégias que conciliem ganhos produtivos com metas de descarbonização. Isso é especialmente relevante diante da urgência da transição energética e da crescente demanda por produtos agrícolas sustentáveis. Segundo Emily Leite, o Brasil tem uma vantagem competitiva na produção de cana-de-açúcar, mas precisa garantir que sua expansão não ocorra à custa de maior impacto ambiental. “Sustentabilidade não pode ser apenas produtividade; é preciso considerar a conservação dos recursos naturais e a mitigação das emissões”, reforça. O trabalho se soma a outros estudos desenvolvidos na Esalq/USP e em centros como o CCARBON/USP e STAC/USP, que vêm consolidando a bioeconomia de baixo carbono como um dos pilares da agricultura tropical sustentável. Fonte: USP Sustentável
- Bioinsumo multiforrageiras utilizado na recuperação de pastagens
A Embrapa Agrobiologia, em parceria com a Agrocete, apresentou recentemente um bioinsumo multiforrageiras utilizado no manejo de pastagens no Brasil. Tecnologia combina bactérias para aumentar biomassa, recuperar áreas degradadas e reduzir emissões na pecuária. Créditos: Agro em dia A nova solução, que deve chegar ao mercado em 2026, associa três estirpes bacterianas benéficas ao solo, promovendo ganhos em produtividade, recuperação de áreas degradadas e redução do uso de fertilizantes nitrogenados — além de contribuir para mitigar emissões na pecuária. 🌱 Solução biológica para desafios antigos O produto foi desenvolvido com foco em um cenário preocupante: cerca de 100 milhões de hectares de pastagens brasileiras apresentam níveis intermediários ou severos de degradação , impactando diretamente a produtividade e as emissões do setor pecuário. A proposta do novo inoculante é integrar soluções baseadas na biotecnologia para restaurar a fertilidade do solo e promover a intensificação sustentável da pecuária. 🔬 Funções microbianas O inoculante combina microrganismos já conhecidos por seu desempenho em culturas agrícolas: Bradyrhizobium : fixador de nitrogênio amplamente usado na cultura da soja; Azospirillum : estimula o crescimento de gramíneas e também fixa nitrogênio; Nitrospirillum : em fase final de validação, tem demonstrado alta eficiência no estímulo ao crescimento radicular e fixação de nitrogênio. Essa composição permite uso tanto em sistemas tradicionais quanto em consórcios de gramíneas e leguminosas , e mesmo em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) . 📉 Menos fertilizantes e emissões de carbono Segundo a Embrapa, o uso do inoculante pode substituir parte dos fertilizantes sintéticos , especialmente os nitrogenados — um dos principais emissores de gases de efeito estufa (GEE) no setor agropecuário. Em testes realizados em casa de vegetação, foi observada uma elevação superior a 30% na biomassa das leguminosas, e também ganhos em áreas com pastagens exclusivamente de gramíneas como braquiária. Além disso, o consórcio com leguminosas permite: Redução de até 30% nas emissões de GEE ; Sequestro de até 4,4 toneladas de carbono por hectare ao ano; Ampliação da biodiversidade e saúde do solo ; Maior eficiência no uso de recursos e circulação de nutrientes. 💼 Potencial de mercado e inovação em escala A versatilidade e aplicabilidade do produto em diferentes sistemas e tipos de pastagem tornam o bioinsumo promissor não apenas sob o ponto de vista agronômico, mas também estratégico para o mercado de insumos biológicos. Para Andrea Giroldo, diretora da Agrocete, trata-se de uma solução prática e econômica que atende às demandas crescentes da pecuária moderna por sustentabilidade e rentabilidade . 🔄 Caminho para a pecuária regenerativa O novo inoculante integra um conjunto de estratégias de agricultura regenerativa focadas na recuperação ecológica de áreas degradadas, melhora da produtividade e neutralidade de carbono. O lançamento comercial está previsto para 2026, após a finalização dos estudos agronômicos de validação. Fonte: Canal Rural
- Sistema agroflorestal em prol de segurança alimentar
Modelo agroecológico cultiva mais de 60 espécies alimentares em consórcio com florestas nativas, promovendo biodiversidade e renda familiar Mais do que um método de cultivo, o sistema propicia benefícios ambientais, econômicos e sociais. Créditos: Maxmaq Um sistema produtivo que une agricultura e floresta, cultiva diversidade em vez de monocultura e se baseia em princípios ecológicos para regenerar o solo e gerar alimentos saudáveis. Essa é a essência do sistema agroflorestal (SAF), prática que vem ganhando força entre agricultores familiares interessados em produzir de forma mais sustentável, resiliente e autônoma. Em uma propriedade rural, localizada na Colônia São Manuel, 8º distrito de Pelotas/RS, conduzida por uma família dedicada à agroecologia, mais de 60 alimentos são cultivados em um mesmo espaço. Desde 2012, o modelo adotado pela família Schiavon permite que árvores frutíferas, nativas e madeireiras convivam com culturas alimentares como milho crioulo, mandioca, batata-doce, abóbora, hortaliças, temperos, além de plantas medicinais e ornamentais. O sistema agroflorestal aplicado no local segue princípios da agroecologia, em que os cultivos são feitos sem uso de insumos químicos, com adubação orgânica, cobertura permanente do solo e integração entre espécies nativas e cultivadas. Além de evitar o uso de agrotóxicos, a prática fortalece a segurança alimentar da família e da comunidade próxima, permitindo a venda direta dos produtos em feiras agroecológicas e espaços comunitários. 🌾 Como funciona um SAF? No sistema agroflorestal, os cultivos são planejados para que diferentes espécies ocupem os mesmos espaços ao longo do tempo, simulando os estágios naturais de uma floresta. As árvores maiores criam sombra para as espécies que gostam de ambientes úmidos, enquanto leguminosas ajudam a fixar nitrogênio no solo, melhorando sua fertilidade. Assim, cria-se um ciclo virtuoso de produção e regeneração ambiental. “Nosso trabalho é em parceria com a natureza. Cada planta tem sua função ecológica, e o manejo é planejado com base na sucessão natural da floresta”, relata Enio Schiavon, responsável pela propriedade. 🌿 Alimentação saudável e renda sustentável Além da produção diversificada e sem veneno, os alimentos colhidos têm como destino prioritário as cozinhas da própria comunidade. O excedente é comercializado em feiras agroecológicas e na Rede de Agroecologia Ecovida, contribuindo para a geração de renda direta e valorizando a agricultura de base familiar. A propriedade também recebe visitas técnicas e educacionais, servindo como espaço de aprendizado sobre SAFs, práticas regenerativas e soberania alimentar. A valorização da biodiversidade cultivada é um dos pilares do projeto: sementes crioulas são preservadas e multiplicadas, plantas com propriedades medicinais são catalogadas e utilizadas, e a produção respeita os ciclos da terra e o saber tradicional. 🌍 Agroecologia Sistemas como esse têm despertado o interesse de instituições de pesquisa e políticas públicas por seu potencial de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, promover segurança alimentar e restaurar ecossistemas. Ao aliar conhecimento tradicional com ciência agroecológica, os SAFs se mostram um caminho viável e replicável para diferentes regiões do Brasil. Com a crescente pressão sobre o uso do solo e os recursos naturais, práticas como a agrofloresta ganham destaque como estratégias de desenvolvimento rural que promovem equilíbrio entre produtividade, conservação ambiental e justiça social. Fonte : Jornal do Comércio
- Campo em equilíbrio: Índice avalia sustentabilidade do agro
Ferramenta desenvolvida por pesquisadores da FGV e da Esalq/USP aponta onde o agronegócio brasileiro consegue conciliar desenvolvimento econômico, bem-estar social e conservação ambiental O agronegócio responde por 26 % do PIB de Mato Grosso e garante alimentos para o mundo. Créditos: My images. O avanço da agricultura no Brasil — especialmente no Mato Grosso — é frequentemente analisado sob a ótica da produção, mas nem sempre com a devida atenção ao impacto ambiental e à inclusão social. Pensando nisso, um grupo de pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV/EESP) e da Esalq/USP desenvolveu o Índice de Sustentabilidade do Desenvolvimento Rural (ISD) , uma ferramenta que consolida múltiplos indicadores em um único número para medir a real sustentabilidade do desenvolvimento rural em 141 municípios mato-grossenses. 🌾 Por que medir a sustentabilidade rural? Com 26% do PIB estadual advindo do agro, Mato Grosso tornou-se um símbolo da pujança agrícola brasileira. No entanto, esse crescimento não vem sem controvérsias — desmatamento, pressão sobre recursos hídricos e desigualdade social ainda são desafios recorrentes. O novo ISD busca preencher essa lacuna ao oferecer um retrato integrado e mensurável da sustentabilidade. Ele avalia se os ganhos econômicos caminham lado a lado com melhorias sociais e preservação ambiental. 🧩 Como funciona o índice? O ISD é formado a partir de sete indicadores principais , organizados em três dimensões: econômica, social e ambiental. Todos os dados são provenientes de bases públicas como IBGE , ANA e Atlas Brasil , e os valores são normalizados entre 0 e 1. A seguir, os componentes do índice: Econômicos ▪ Valor Bruto da Produção Agropecuária (GV)▪ Renda média ajustada dos estabelecimentos rurais (AI) Sociais ▪ Expectativa de vida (LE)▪ Anos médios de escolaridade (SY) Ambientais ▪ Déficit de Áreas de Preservação Permanente (rPPA)▪ Déficit de Reserva Legal (rLR)▪ Escassez relativa de água (rWS) A combinação dos sub-índices é feita por meio de um cálculo geométrico (raiz cúbica do produto entre os três blocos), garantindo uma ponderação equitativa. 🗺️ O que os dados revelam? O resultado é um mapa que revela um “corredor de equilíbrio” no centro de Mato Grosso, onde cidades como Sapezal , Lucas do Rio Verde e Primavera do Leste se destacam com índices elevados de sustentabilidade (ISD acima de 0,68). Esses municípios reúnem: ✅ Produção agropecuária robusta ✅ Bons indicadores sociais ✅ Conformidade ambiental relativa Por outro lado, os extremos norte e sudoeste do estado enfrentam déficits mais severos, tanto na estrutura de serviços quanto na regularização ambiental. 🧭 O que o ISD pode orientar? A principal contribuição do ISD é funcionar como uma ferramenta estratégica para gestores públicos, cooperativas e empresas do agro que buscam orientar investimentos e políticas com base em dados integrados. Ao evitar a visão fragmentada — focada somente na economia ou na conservação — o índice oferece um retrato mais completo do que significa ser “sustentável” no campo. Segundo os autores, a sustentabilidade não é uma ideia abstrata , mas sim um conceito que pode (e deve) ser medido. Com indicadores claros e comparáveis, o debate sobre o futuro do agro pode se tornar mais técnico, transparente e orientado a resultados de longo prazo. Fontes: Tempo | MDPI
- Cafeicultura regenerativa mostra resultados concretos no campo
Boas práticas, equilíbrio ecológico e qualidade do grão se encontram em sistemas regenerativos de produção de café, que ganham espaço entre produtores preocupados com o solo, o ambiente e a saúde dos consumidores. Produtor de café melhora qualidade do solo e zera uso de agrotóxico com técnicas sustentáveis no Espírito Santo. — Foto: TV Gazeta A cafeicultura brasileira vive um novo ciclo orientado pela sustentabilidade e regeneração ambiental. Um exemplo concreto vem de produtores que adotaram práticas de manejo do solo com foco na saúde ecológica do agroecossistema, substituindo o uso de agrotóxicos por soluções baseadas em biologia do solo, adubação orgânica e cobertura vegetal diversificada. Os resultados são evidentes: maior fertilidade do solo, controle natural de pragas, aumento da produtividade e valorização do café nos mercados especializados. Técnicas como o consórcio de culturas, adubação verde e compostagem orgânica não apenas eliminam a necessidade de herbicidas, mas também fortalecem os ciclos naturais do solo. 🌱 Agricultura regenerativa A base desse modelo está na revitalização do solo e no fortalecimento dos serviços ecossistêmicos da propriedade rural. A agricultura regenerativa propõe: Integração de espécies vegetais nas entrelinhas do café; Eliminação de herbicidas sintéticos; Recuperação da microbiota do solo; Cobertura vegetal permanente; Aplicação de biofertilizantes líquidos. Quando bem adaptado ao relevo e clima, esse modelo favorece a biodiversidade, reduz custos com insumos e pode elevar a pontuação dos cafés em concursos de qualidade, chegando a 86+ pontos na escala da SCAA. ☕ Café sustentável: um diferencial competitivo A adoção de sistemas orgânicos e regenerativos tem transformado a cafeicultura. O modelo permite que os produtores alcancem novos mercados, especialmente o de cafés especiais, cuja demanda cresce no Brasil e no exterior. Ao eliminar o glifosato, muitos agricultores observaram melhora na qualidade da bebida, diversificação dos microrganismos do solo e fidelização de compradores conscientes. No Estado do Espírito Santo, diversas propriedades familiares têm alcançado melhor desempenho agronômico e comercial após substituírem agroquímicos por técnicas de manejo sustentável. Há nove anos, Tiago Camiletti - produtor de café no Norte do ES - aposta no manejo sustentável das suas lavouras. Foto: Conexão Safra 🔎 Ecossistema produtivo Práticas como adubação verde com crotalária e guandu-anão, uso de compostos orgânicos, conservação do solo em microterraceamentos e aproveitamento dos resíduos do café favorecem a saúde do ecossistema e a produtividade do cafeeiro. A substituição de entradas químicas por práticas de manejo regenerativo cria um ciclo de autossuficiência produtiva e ecológica, fundamental para a agricultura de base familiar em regiões de montanha. 📊 Benefícios observados: ✔️ Solo mais fértil e estruturado ✔️ Zero uso de herbicidas e agrotóxicos ✔️ Aumento de microrganismos benéficos ✔️ Qualidade sensorial superior no café ✔️ Redução de custos com insumos ✔️ Preservação ambiental e valorização do produto Fontes: G1 | Conexão Safra | Revista Negócio Rural
- São Paulo planeja sistema de monitoramento em segurança alimentar
A cidade de São Paulo poderá contar, em breve, com um sistema permanente de vigilância e monitoramento da segurança alimentar e nutricional (SAN), conforme propõe um grupo de especialistas da USP. O 1º Inquérito sobre a Situação Alimentar no Município de São Paulo foi realizado em 2024. Foto: Adobe Stock A proposta, apresentada em artigo publicado no Jornal da USP , sugere a criação de uma ferramenta pública capaz de reunir e integrar dados sobre produção, acesso, consumo e políticas públicas relacionadas à alimentação — uma estratégia essencial para lidar com os desafios crescentes da insegurança alimentar urbana. Esse projeto encontra consonância direta com as pesquisas e iniciativas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Combate à Fome (INCT Fome), que já revelaram que mais da metade da população da capital paulista vive algum grau de insegurança alimentar. Em 2022, um levantamento liderado por pesquisadores do instituto apontou que cerca de 52% dos domicílios da cidade enfrentavam dificuldades para garantir uma alimentação adequada e saudável. 📊 Diagnósticos A proposta da USP vai além da mensuração pontual: trata-se de criar uma estrutura contínua, baseada em evidências, para orientar o poder público na formulação de políticas de combate à fome, redução de desigualdades e promoção do direito humano à alimentação. A ideia é desenvolver uma base de dados dinâmica, que articule fontes como pesquisas domiciliares, estatísticas populacionais, dados de acesso à saúde e educação, informações sobre programas sociais e hábitos alimentares. Esse tipo de ferramenta ganha ainda mais relevância ao se observar a urgência dos dados já levantados pelo INCT. Durante o II Simpósio INCT Combate à Fome, realizado em 2023, foi reiterada a necessidade de sistemas estruturados e interdisciplinares para enfrentar a crise alimentar nas cidades brasileiras . O simpósio também destacou o papel dos centros urbanos na formulação de políticas públicas territorializadas, que reconheçam as vulnerabilidades locais — algo que o sistema proposto pela USP poderá fortalecer. Em pesquisa realizada entre os meses de maio e julho de 2024, pelo Comusan-SP (Conselho Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional), o Obsanpa (Observatório de Segurança Alimentar e Nutricional da Cidade de São Paulo), e pesquisadores da Unifesp e UFABC, foi revelado que mais de 5,8 milhões de pessoas na cidade tiveram que reduzir a variedade de alimentos, diminuir as porções, pular refeições ou até passar um dia inteiro sem comer. 🔬 Tecnologia, ciência e gestão pública Inspirado em metodologias já aplicadas em países como México, Canadá e Alemanha, o sistema de vigilância de São Paulo prevê a participação de diferentes esferas da gestão pública, além de universidades, conselhos municipais e representantes da sociedade civil. Essa governança compartilhada visa garantir transparência e aplicação prática dos dados gerados. A proposta da USP também busca inserir São Paulo em redes internacionais de enfrentamento à insegurança alimentar, articulando a cidade aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente no que tange à erradicação da fome, saúde e bem-estar e redução das desigualdades. O objetivo do INCT é avaliar e propor estratégias e políticas públicas para a realização do direito humano à alimentação adequada. Fonte: fsp.usp.br 🌱INCT Combate à Fome O INCT tem atuado fortemente no mapeamento e compreensão das dinâmicas que sustentam a fome e a má nutrição no Brasil, especialmente nos centros urbanos. Seus estudos combinam análises socioeconômicas, políticas públicas, acesso a alimentos saudáveis e as condições de vulnerabilidade agravadas por questões como inflação, desemprego e mudanças climáticas. Fontes : Jornal da USP / Inquérito sobre a situação alimentar
- Projeto Semear Digital Une Agricultura Sustentável e Conservação da Mata Atlântica
A Embrapa Agricultura Digital e a C3 Ambiental firmaram uma importante parceria para valorizar pequenos e médios produtores que contribuem com a preservação da Mata Atlântica. Parceria visa promover a inserção desse segmento em projetos para o mercado de carbono florestal. Créditos: Semear Digital O foco da ação está em remunerar agricultores pela conservação de matas nativas por meio do mercado voluntário de carbono. Isso significa que os produtores participantes poderão receber uma nova fonte de renda — os créditos de carbono , certificados com base nos serviços ambientais prestados pelas áreas preservadas em suas propriedades. 📍 Contexto local e ambiental Em Lagoinha (Vale do Paraíba) , desde 2023, 13 propriedades já integram o projeto, mesmo com a fragmentação da floresta causada pela pecuária leiteira. Em Jacupiranga (Vale do Ribeira) , a ação será lançada oficialmente durante a Semana do Meio Ambiente , no dia 6 de junho. A região abriga um dos maiores remanescentes de Mata Atlântica em SP e é destaque na produção de banana e palmito pupunha. Segundo Débora Drucker , pesquisadora da Embrapa, a estratégia é alinhar conservação da biodiversidade com produção agrícola por meio de soluções tecnológicas e incentivos econômicos sustentáveis. “A remuneração por serviços ambientais representa uma oportunidade real de renda aliada à conservação”, destaca. A proposta também contempla a oferta de capacitação de agentes multiplicadores. Créditos: Semear Digital. 💡 Modelo de carbono da C3 Ambiental A C3 Ambiental desenvolveu um modelo de certificação agrupada , que reduz os custos de entrada no mercado de carbono para pequenos e médios produtores. Isso é essencial, já que os custos de certificação individual, tanto no Brasil (Lei nº 15.042/2024) quanto em padrões internacionais, podem ser proibitivos. “Esses processos exigem metodologias rigorosas e auditorias independentes, o que inviabiliza a participação isolada. A certificação coletiva é a solução mais viável e inclusiva”, explica Vanessa Fuentes , diretora de operações da C3 Ambiental. 🔬 Monitoramento por DNA Ambiental O projeto também incorpora técnicas de DNA Ambiental para mapear a biodiversidade de forma precisa e não invasiva. A partir de amostras de solo, água ou ar, é possível identificar fragmentos genéticos de espécies presentes no ambiente. Essas análises contribuem para: Indicadores de qualidade ambiental Certificação de áreas produtivas com biodiversidade conservada Futuras possibilidades de criação de créditos de biodiversidade 🌿 Por que isso importa? A Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do Brasil, preserva apenas 12,4% de sua cobertura original . E cerca de 80% dos remanescentes estão em propriedades privadas . Proteger essas áreas é vital para manter: A biodiversidade A qualidade da água e do ar O sequestro de carbono Os serviços ecossistêmicos essenciais, como polinização e regulação climática Fontes: Semear Digital | Agro em campo




















