top of page
header-light-min.png

Search this site

159 resultados encontrados com uma busca vazia

  • Mercado de bioinsumos no Brasil pode alcançar R$ 15,9 bilhões até 2030

    O mercado de bioinsumos agrícolas segue em plena expansão no Brasil e deve atingir R$ 15,9 bilhões em 2030, segundo projeções recentes. O crescimento reflete a busca cada vez maior por alternativas sustentáveis aos defensivos químicos - Créditos: Green Place O que são bioinsumos? Os bioinsumos englobam microrganismos vivos, extratos vegetais e outros compostos naturais aplicados na produção agrícola. Em contraste com defensivos químicos convencionais, eles atuam de forma mais específica, com menor impacto ambiental e contribuição direta para a saúde do solo. A popularização desses produtos no Brasil está ligada a três fatores principais: Busca por sustentabilidade  – Pressão de mercados consumidores internacionais e compromissos ambientais do país exigem cadeias produtivas de baixo carbono. Redução de custos  – Os bioinsumos podem diminuir o uso de fertilizantes e pesticidas importados, cujos preços variam com crises geopolíticas e câmbio. Inovação tecnológica  – Instituições como a Embrapa  e universidades brasileiras lideram pesquisas para validar e ampliar o uso de microrganismos em diferentes culturas. Crescimento no campo Atualmente, estima-se que mais de 80 milhões de hectares  já utilizem algum tipo de bioinsumo no Brasil. A expansão é notável em culturas como soja, milho, algodão, cana-de-açúcar e café. Além dos ganhos produtivos, pesquisas apontam que a utilização desses insumos contribui para o sequestro de carbono no solo , aumenta a biodiversidade microbiana e reduz a dependência de insumos sintéticos — fatores que dialogam diretamente com as exigências globais de descarbonização da agricultura. Exemplos de aplicação Entre os principais grupos de bioinsumos já disponíveis estão: Inoculantes bacterianos  – utilizados em leguminosas, como a soja, para promover a fixação biológica do nitrogênio. Biodefensivos  – produtos à base de vírus, fungos e bactérias que combatem pragas como a lagarta-do-cartucho e a mosca-branca. Biofertilizantes  – compostos orgânicos que estimulam o desenvolvimento radicular e a absorção de nutrientes. Em grandes propriedades, os bioinsumos têm sido integrados a sistemas de produção de alta escala. Já em pequenas e médias propriedades, são vistos como alternativa viável para reduzir custos, aumentar a produtividade e diversificar a produção. Perspectivas para 2030 Se as projeções forem confirmadas, o Brasil consolidará sua posição como líder mundial no mercado de bioinsumos , tanto em área de aplicação quanto em volume econômico movimentado. A expectativa é que, até 2030: O portfólio de bioinsumos disponíveis seja ainda mais diverso; A integração com sistemas como Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF)  seja intensificada; A agricultura brasileira se torne referência global em bioeconomia e sustentabilidade . Contudo, o crescimento do setor deve ser acompanhado de investimentos em regulamentação, certificação e assistência técnica , para garantir segurança, eficácia e acessibilidade a agricultores de diferentes perfis. Fonte: Correio do Povo

  • Etanol de milho ganha protagonismo no Brasil, responsável por cerca de 20% da produção nacional

    Nos últimos anos, a matriz de biocombustíveis brasileira tem passado por uma transformação silenciosa, mas de grande impacto: o avanço do etanol de milho . Antes associado à produção norte-americana, o combustível ganhou relevância no cenário energético brasileiro. Créditos: Freepik Em 2024, a Impasa  tornou-se a maior produtora nacional de etanol, com 3,7 bilhões de litros fabricados a partir do milho — superando a Raízen, tradicional líder no setor sucroenergético. A trajetória chama atenção: em 2020, a produção brasileira de etanol de milho girava em torno de 2 bilhões de litros. Apenas quatro anos depois, o volume ultrapassou 7,5 bilhões de litros, crescendo a uma taxa média de 33% ao ano . Hoje, o produto já responde por cerca de 20% de todo o etanol consumido no país , com expectativa de atingir 30% em pouco tempo. A entrada da Petrobras no setor Esse movimento não passou despercebido pela Petrobras , que anunciou a intenção de retomar sua participação no mercado de biocombustíveis, abandonado pela estatal na década passada. De acordo com fontes de mercado, as negociações em andamento miram justamente as líderes do segmento, Inpasa e FS Bioenergia , responsáveis por 80% do etanol de milho produzido no Brasil. Inpasa tornou-se a principal produtora de etanol no Brasil. Créditos: RevistaOE A estratégia reflete não apenas o crescimento vertiginoso da modalidade, mas também uma vantagem competitiva: o custo de produção do etanol de milho pode ser até 40% menor do que o da cana-de-açúcar , em grande parte devido aos subprodutos gerados durante o processo. DDG e óleo de milho O destaque entre os subprodutos da produção de etanol a partir do milho é o DDG (Dried Distillers Grains) , grãos secos de destilaria resultantes da fermentação do milho. Com 30% de proteína , contra 8% do grão in natura, o DDG é altamente valorizado como ração para bovinos, suínos e aves, criando uma conexão direta entre o setor de biocombustíveis e a pecuária. Grandes empresas de alimentos, como a BRF, já utilizam o insumo em suas unidades no Centro-Oeste. Com um teor quase quatro vezes maior de proteínas que o milho in natura, o DDG mostra-se uma ótima alternativa para a alimentação animal. Créditos: Nutripura Outro derivado de peso é o óleo de milho , extraído durante o processo de fabricação do etanol. Esse óleo é amplamente utilizado para a produção de biodiesel , agregando valor à cadeia e diversificando as fontes de energia renovável no país. Integração de safras e sinergia agrícola A ascensão do etanol de milho no Brasil está intimamente ligada ao modelo de produção agrícola adotado no Centro-Oeste , onde a cultura é frequentemente plantada na entressafra da soja. Conhecida como safrinha , essa prática otimiza o uso da terra: após a colheita da soja no verão, o milho é semeado no outono, aproveitando condições de luminosidade adequadas e garantindo produtividade. O resultado é um círculo virtuoso : a demanda das usinas garante mercado para o milho safrinha, enquanto a maior oferta do grão estimula novos investimentos em unidades produtoras de etanol. Atualmente, o Brasil conta com 24 usinas de etanol de milho em operação  e mais de 30 projetos anunciados para os próximos anos. Um combustível estratégico Apesar do crescimento acelerado do milho, o etanol de cana segue essencial, principalmente por integrar a produção de açúcar, que responde por metade das exportações mundiais do produto. No entanto, o avanço do etanol de milho fortalece a segurança energética brasileira e diversifica a matriz de combustíveis renováveis. É alta a perspectiva de aumento no teor de etanol na gasolina nos próximos anos. Vale lembrar que, por regulamentação, a gasolina vendida no Brasil já contém 30% de etanol anidro  em sua composição, percentual que pode chegar a 35% futuramente. Isso garante demanda constante, abrindo espaço para que milho e cana coexistam como matérias-primas complementares. Perspectivas Com produção crescente, custos competitivos e múltiplas utilidades dos subprodutos, o etanol de milho se consolida como protagonista no setor energético brasileiro. O interesse da Petrobras apenas confirma o potencial do segmento, que une ganhos econômicos, aproveitamento agrícola eficiente e contribuição para a transição energética sustentável . O Brasil, que já é referência mundial em biocombustíveis, pode estar diante de uma nova etapa: a consolidação de um modelo que une etanol de cana e de milho , fortalecendo sua posição no mercado global de energias limpas. Fonte: InvestNews

  • Microrganismos da Amazônia revelam potencial agrícola e farmacêutico

    Pesquisas destacam actinobactérias amazônicas capazes de gerar bioinsumos agrícolas e compostos antibacterianos inéditos A biodiversidade amazônica possui papel estratégico para a ciência e para o desenvolvimento sustentável. Créditos: Freepik. Pesquisas conduzidas na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP)  demonstraram que microrganismos da floresta, especialmente as actinobactérias , apresentam grande potencial para aplicações na agricultura e na área farmacêutica. Naydja Moralles Maimone - Créditos: LinkedIn A bióloga e doutora em microbiologia agrícola, Naydja Moralles Maimone , dedicou sua tese ao estudo do perfil metabólico, genômico e antimicrobiano  de diversas linhagens isoladas na Amazônia brasileira. Entre elas, duas se destacaram pela versatilidade e relevância: Streptomyces sp. AM25  – com grande potencial para o desenvolvimento de bioinoculantes. Nos experimentos, essa linhagem promoveu o crescimento de plantas de milho e produziu metabólitos com atividade antifúngica, mostrando-se promissora para uso em sistemas agrícolas sustentáveis. Streptantibioticus sp. AM24  – considerada uma produtora prolífica de metabólitos de estruturas pouco usuais, incluindo aminoácidos modificados . Dessa linhagem foram isolados dois compostos inéditos da classe das acidifilamidas , sendo que um deles apresentou uma modificação nunca antes registrada em metabólitos produzidos por microrganismos. Além disso, demonstrou atividade antibacteriana significativa , reforçando sua aplicabilidade no desenvolvimento de novos fármacos. Agricultura sustentável e controle de doenças Os resultados do estudo evidenciam o potencial da microbiota amazônica na geração de bioinsumos agrícolas , que podem reduzir a dependência de fertilizantes químicos e defensivos agrícolas. Em culturas como o milho, a aplicação de inoculantes derivados dessas bactérias pode aumentar a produtividade ao mesmo tempo em que melhora a saúde do solo, favorecendo a agricultura regenerativa. Microbioma amazônico é uma fonte ainda pouco explorada de inovação para a agricultura sustentável (imagem: Juan Lopes Teixeira/Esalq-USP) De forma complementar, a pesquisa também amplia horizontes para a área farmacêutica. A descoberta de compostos inéditos abre espaço para a criação de novos antibióticos , algo especialmente relevante diante da crescente resistência bacteriana. Segundo a pesquisadora, essas descobertas reforçam o valor estratégico da biodiversidade brasileira: “Contribuímos para enaltecer o enorme potencial que a microbiota amazônica possui de gerar ativos úteis para a nossa sociedade” , afirma Naid Morales. Os trabalhos desenvolvidos na USP fazem parte de uma linha crescente de estudos que buscam transformar a riqueza natural da Amazônia em soluções inovadoras para a agricultura sustentável e para a saúde global . O desafio, agora, está em ampliar os testes de campo e estabelecer parcerias que permitam transformar os resultados científicos em tecnologias acessíveis a produtores rurais e à indústria farmacêutica. Fonte: FAPESP

  • Sensores biodegradáveis em plantas permitem acompanhar em tempo real a saúde das lavouras

    Tecnologia criada na USP alia monitoramento preciso e sustentabilidade, com potencial para apoiar sistemas de irrigação mais eficientes no Brasil Tecnologia visa solucionar o desafio de alimentar uma população de 9,8 bilhões de habitantes até 2050 - Créditos: Paulo Raymundo Pereira Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram sensores biodegradáveis ultrafinos  capazes de acompanhar, em tempo real, a saúde das plantas. O avanço permite monitorar parâmetros fisiológicos diretamente nas folhas, trazendo novas possibilidades para a agricultura tropical. Segundo o grupo de pesquisa, a grande novidade está na junção de três características principais: os sensores são flexíveis , sem fio  e biodegradáveis . Isso significa que podem ser aplicados diretamente nas plantas sem comprometer seu desenvolvimento, transmitindo dados de maneira contínua para sistemas digitais de monitoramento e, ao final de seu ciclo, se decompõem naturalmente no ambiente sem gerar resíduos. Funcionamento da tecnologia Os dispositivos se assemelham a filmes transparentes que aderem às folhas. Com eles, é possível medir variáveis como temperatura, níveis de água e trocas gasosas. Essas informações fornecem uma visão detalhada sobre o estado fisiológico da cultura, ajudando a identificar precocemente estresses hídricos, deficiências nutricionais ou ataques de pragas. Além da precisão, os sensores são de baixo custo, já que foram produzidos com materiais abundantes e de origem natural. Isso amplia seu potencial de aplicação em larga escala, inclusive por pequenos e médios produtores, que muitas vezes enfrentam limitações financeiras para investir em tecnologias digitais de monitoramento. De acordo com os pesquisadores, a adoção desse tipo de tecnologia pode transformar a maneira como a produção agrícola é gerida, oferecendo aos agricultores informações que orientam desde o momento da irrigação até ajustes no uso de fertilizantes. Impactos esperados O Brasil é um dos países com maior diversidade de sistemas de cultivo e responde por grande parte da produção mundial de grãos, frutas e fibras. Nesse contexto, soluções que aumentem a precisão e reduzam desperdícios são estratégicas. Sensor usa materiais biodegradáveis e sustentáveis, substituindo os plásticos tradicionais - Créditos: Jornal da USP Os sensores podem beneficiar, por exemplo, cadeias produtivas como a soja, o milho, o café e a cana-de-açúcar, em que variações de água e nutrientes têm impacto direto sobre produtividade e qualidade final. Além disso, a simplicidade da aplicação pode facilitar sua disseminação em áreas de agricultura familiar, onde há grande demanda por ferramentas de baixo custo e alto impacto. Outro ponto relevante é a sustentabilidade: ao serem totalmente biodegradáveis, os sensores não deixam resíduos no solo nem exigem processos complexos de descarte, o que se alinha às metas globais de redução de poluição plástica e uso racional de insumos. Integração com a agricultura irrigada Embora a inovação seja um marco em si mesma, seu potencial se amplia quando relacionada à agricultura irrigada , eixo estratégico de pesquisa do Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) . Estudos conduzidos pela própria USP apontam que o Brasil utiliza apenas cerca de 10% do seu potencial irrigável , mas poderia expandir a área irrigada em até dez vezes sem comprometer os recursos hídricos, desde que adotados sistemas mais eficientes. Nesse contexto, sensores como os recém-desenvolvidos podem atuar como aliados decisivos. Ao indicar a necessidade real de água de cada planta , eles permitem um uso mais racional dos sistemas de irrigação, reduzindo perdas e melhorando a eficiência hídrica. Essa integração entre tecnologia digital e irrigação sustentável  pode representar um salto importante para a segurança alimentar e a adaptação da agricultura às mudanças climáticas. Fonte: Jornal da USP

  • Encontro de Integração reúne equipes dos Centros de Estudos da USP em Piracicaba

    Visita à ESALQ, CENA e CCARBON promoveu trocas de experiências e debateu melhorias nos fluxos administrativos Representantes dos nove Centros de Estudos e da Reitoria da USP compareceram no evento. Foto: Luciana Spinelli No dia 9 de setembro de 2025 , funcionários de diversos Centros de Estudos da Universidade de São Paulo (USP)  participaram de uma atividade de integração nas dependências da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP)  e do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (CENA/USP) , em Piracicaba. O encontro teve como objetivo aproximar equipes, promover a troca de experiências e discutir pontos de aprimoramento nos processos administrativos comuns às unidades. Programação da visita A agenda começou com uma recepção na Diretoria da ESALQ , conduzida pela Sra. Sandra Vello , que apresentou as dependências do prédio central e promoveu um momento de diálogo entre os participantes. Em seguida, o grupo foi recebido no Gabinete da Prefeitura do Campus “Luiz de Queiroz” , pela Sra. Maria Estela Bigotto , que apresentou a estrutura do setor e ofereceu um coffee-break de boas-vindas. Às 10h , os visitantes realizaram um tour pelo campus, passando pela sede do Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) . Logo depois, ocorreu a visita ao CENA/USP , conduzida pelo Diretor, Prof. Ernani Pinto Junior . Ele apresentou a estrutura do centro e destacou suas linhas de pesquisa, que abrangem temas como ciclagem de nutrientes no solo, bioenergia, radioisótopos aplicados à agricultura, mudanças climáticas, controle de pragas e segurança alimentar . Recepção feita pelo Prof. Ernani Pinto Junior, Diretor do CENA/USP, e por sua equipe. Foto: Luciana Spinelli O professor explicou como o CENA se consolidou como uma das principais referências na aplicação da energia nuclear e da biotecnologia a favor da agricultura sustentável  e como as pesquisas da instituição dialogam com demandas urgentes da sociedade, como a redução de emissões de gases de efeito estufa e o aumento da produtividade agrícola em bases sustentáveis . Ele ainda destacou parcerias já existentes com Centros de Estudos como o CEAS  e o CCARBON , reforçando a importância da atuação integrada. No período da tarde, os participantes se reuniram na nova sede administrativa do CCARBON , inaugurada recentemente, em Piracicaba. O espaço foi inaugurado em evento realizado em junho de 2025, reunindo autoridades acadêmicas, representantes do setor produtivo e do governo. Pautas importantes foram debatidas em reunião que aconteceu na sede do CCARBON/USP. Foto: Luciana Spinelli Durante a visita, além da apresentação da estrutura da nova sede, os analistas dos Centros de Estudos participaram de uma reunião de trabalho. A pauta incluiu sugestões para o aperfeiçoamento de fluxos administrativos , em áreas como cursos de extensão, convênios e execução orçamentária. O encontro foi encerrado com um coffee-break, oferecido pelo CCARBON. Participantes O evento contou com a presença de representantes dos nove Centros de Estudos e da Reitoria da USP: Luciana Spinelli  – Reitoria/USP Marcelo Melo  – CCARBON/USP Lucila Colichio  – CCARBON/USP Alexandre Queiroz  – STAC/USP Iolanda Oliveira  – CEAS/USP Lucas Youssef  – C2PO/USP Érica Watanabe  – CIAAM/USP Luis Moreira  – RCGI/USP Sheila Tanaka  – USP-China Victor Luccas Moura  – USPproCLIMA Carolina Martoni  – COI/USP Integração e cooperação O encontro reforçou o compromisso da USP em integrar seus Centros de Estudos , ampliando o diálogo entre equipes administrativas e fortalecendo a cooperação entre projetos de pesquisa e inovação. A atividade mostrou como a integração entre ensino, pesquisa e gestão administrativa  é fundamental para garantir que as unidades da USP continuem entregando conhecimento de excelência e soluções inovadoras à sociedade.

  • Novo mapa detalhado evidencia potencial do solo brasileiro para estocar carbono

    Estudo da USP aponta que práticas agrícolas sustentáveis podem transformar o Brasil em protagonista global na mitigação das mudanças climáticas Dados coletados por seis anos, processadas com aprendizado de máquina, estimam atributos do solo de áreas sem amostras diretas - Imagem: Cedida pelo pesquisador Um mapa de alta resolução elaborado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) traz informações inéditas sobre a capacidade dos solos brasileiros de reter carbono. A pesquisa reforça a urgência de expandir práticas agrícolas sustentáveis que, além de manterem a produtividade, possam contribuir de forma decisiva para a mitigação das mudanças climáticas. O solo como aliado climático O estudo mostra que os solos do país apresentam grande potencial de sequestro de carbono , sobretudo em áreas agrícolas. A retenção desse elemento no solo não apenas reduz a concentração de dióxido de carbono na atmosfera, como também melhora a fertilidade e a resiliência dos sistemas produtivos. Raul Roberto Poppiel - Foto: ResearchGate De acordo com os pesquisadores, a adoção de práticas como plantio direto, uso de culturas de cobertura, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e recuperação de pastagens degradadas pode ampliar significativamente o estoque de carbono. Essas técnicas já vêm sendo discutidas em projetos nacionais e internacionais voltados à agricultura de baixo carbono. “O estudo teve como objetivo elaborar o primeiro mapa global de solos em alta resolução, nesse caso, 90 metros, combinando observações de satélite, dados de campo e inteligência artificial”, afirma o professor Raul Roberto Poppiel, um dos coordenadores do projeto. Agricultura sob análise O mapeamento indica que áreas com manejo intensivo e pouco diversificado  tendem a liberar mais carbono do que estocar. Isso ocorre porque a remoção contínua da cobertura vegetal e o uso excessivo de insumos químicos reduzem a matéria orgânica do solo. Por outro lado, regiões que adotam sistemas integrados e práticas conservacionistas apresentam saldo positivo , acumulando carbono no solo e gerando benefícios ambientais e econômicos. Relevância para políticas públicas e mercado de carbono Além de seu valor científico, o mapa pode servir de base para a formulação de políticas públicas de agricultura sustentável. O detalhamento em alta resolução permite identificar áreas prioritárias para recuperação ambiental e orientar investimentos em mercados de carbono , que vêm crescendo no Brasil. Com dados mais precisos, torna-se possível certificar práticas agrícolas que de fato contribuem para reduzir emissões de gases de efeito estufa e valorizar produtores comprometidos com sistemas regenerativos. Conexões com pesquisas em andamento A publicação também dialoga com iniciativas mais amplas de centros de pesquisa da USP, como o STAC , que desenvolve diagnósticos e tecnologias para ampliar a sustentabilidade agrícola, com o CCARBON que vem desenvolvendo estudos para mapear as pegadas de carbono na agricultura e o RCGI , voltado a soluções em mitigação de gases de efeito estufa. Todos os centros reforçam que a integração entre ciência, políticas públicas e setor produtivo será essencial para que o Brasil explore seu potencial como líder mundial em estratégias de baixo carbono. Fonte: Jornal da USP

  • Conectividade avança no campo e abre caminho para um agro mais sustentável

    Grandes produtores e iniciativas estratégicas ampliam o acesso à internet no meio rural, enquanto projetos de pesquisa e inclusão buscam levar benefícios também a pequenas propriedades Números avançam, mas conectividade ainda é gargalo no Brasil - Foto: Freepik. A expansão da internet no campo está deixando de ser um desafio distante para se tornar realidade em muitas regiões do Brasil. O avanço tem sido puxado principalmente por grandes produtores rurais e empresas do agronegócio, que reconhecem na conectividade uma ferramenta essencial para a gestão produtiva, a adoção de tecnologias digitais e a inserção competitiva do país no cenário global. Segundo dados recentes, quase 85% dos estabelecimentos rurais já possuem algum nível de conexão , seja por meio de redes móveis ou soluções de satélite. Esse crescimento, no entanto, ainda é desigual: propriedades de grande porte concentram a maior parte dos investimentos, enquanto agricultores familiares e regiões mais remotas enfrentam limitações de custo, infraestrutura e capacitação. Tecnologia em prol da sustentabilidade O acesso à internet no campo tem sido determinante para práticas que vão desde o monitoramento de máquinas agrícolas até a coleta de dados para uso mais racional de insumos. Sensores de solo, estações meteorológicas digitais, softwares de gestão e plataformas de rastreabilidade dependem de conectividade estável para funcionar de forma integrada. Pesquisas apontam que o uso dessas tecnologias pode gerar redução significativa no consumo de água e fertilizantes , além de aumentar a eficiência energética, contribuindo para metas de sustentabilidade. Um levantamento do Ministério da Agricultura indica que a digitalização pode reduzir em até 20% o custo médio de produção  em determinadas cadeias produtivas. Desafios para ampliar o acesso Apesar dos avanços, o Brasil ainda apresenta grandes lacunas. O Censo Agropecuário do IBGE mostra que mais da metade das pequenas propriedades não têm conexão adequada para operar soluções digitais. Além da distância dos centros urbanos, fatores como a baixa rentabilidade e a falta de políticas públicas direcionadas tornam a conectividade rural um desafio estratégico. Iniciativas como o Programa Norte Conectado , do governo federal, e parcerias público-privadas vêm buscando reduzir essa desigualdade. Empresas de telecomunicações, em conjunto com cooperativas e associações de produtores, estão testando modelos de redes compartilhadas, além do uso de tecnologias alternativas como satélites de baixa órbita (LEO) , capazes de cobrir áreas isoladas com custos mais acessíveis. A visão do STAC O Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP)  tem destacado que a conectividade rural não é apenas uma questão tecnológica, mas também de inclusão social. Projetos como o Semear Digital , desenvolvidos em parceria com a Embrapa, mostram como a internet pode aproximar pequenos e médios produtores de mercados de carbono e de ferramentas de monitoramento ambiental. Além disso, ressalta-se que a conectividade é essencial para levar conhecimento técnico ao campo, por meio de plataformas de capacitação online, assistências virtuais e extensão digital. Essa infraestrutura pode ser decisiva para ampliar a competitividade da agricultura familiar e promover segurança alimentar em bases sustentáveis . Caminhos para o futuro A conectividade rural será um dos principais eixos de transformação do agronegócio na próxima década. A expectativa é que, com o barateamento das tecnologias digitais e a expansão de redes 5G, pequenos e médios produtores passem a integrar de forma mais efetiva esse movimento. A consolidação da agricultura digital depende, portanto, de um esforço conjunto: investimentos privados, políticas públicas consistentes e iniciativas de pesquisa e extensão  que permitam ao Brasil reduzir a desigualdade tecnológica no campo. Fonte: Globo Rural

  • Pronaf 30 anos: trajetória, impactos e perspectivas

    Programa é celebrado como marco na valorização da agricultura familiar e segue desafiado a se adaptar às novas agendas de sustentabilidade e inclusão Lançamento de e-book  gratuíto, durante o evento. Créditos: FEALQ. No último dia 25 de agosto, uma live comemorou os 30 anos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF) , instituído em 1995 e hoje consolidado como uma das políticas públicas mais importantes para o campo brasileiro. O encontro marcou também o lançamento do e-book gratuito “Pronaf 30 anos: Uma revolução silenciosa que transforma o campo brasileiro” , reunindo especialistas, pesquisadores e protagonistas da história do programa. Contexto histórico e criação O PRONAF nasceu em um período de crise do crédito rural e abertura econômica, nos anos 1980 e 1990, quando pequenos produtores enfrentaram dificuldades diante da competição ampliada. A mobilização de movimentos sociais como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG)  e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) , por meio de ações como o Grito da Terra Brasil , pressionou por políticas diferenciadas. A categoria “agricultura familiar” ganhou visibilidade graças ao apoio da academia e de documentos como as Diretrizes de Política Agrária de Desenvolvimento Sustentável (1995) . Dessa articulação emergiu o PRONAF, inicialmente como uma linha de crédito, mas que logo se consolidaria como uma política abrangente e estruturante. Expansão e impactos De política de crédito, o PRONAF se transformou em uma plataforma de políticas integradas. Entre as iniciativas derivadas destacam-se: Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)  e Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) , que abriram mercados institucionais para a produção familiar; Seguro Garantia-Safra , oferecendo proteção contra perdas; Programa Mais Alimentos , que modernizou e mecanizou a agricultura familiar; Agroamigo , maior programa de microcrédito rural da América Latina, com metodologia de agentes locais e alta taxa de adimplência. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA)  e da FAO  destacam o PRONAF como elemento-chave na redução da pobreza rural , na diversificação da produção agrícola  e na segurança alimentar nacional . Identidade e inclusão Professor Titular do Departamento de Sociologia da UFRGS. Créditos: FEALQ O sociólogo Sérgio Schneider  avalia que o PRONAF “construiu a agricultura familiar no Brasil”. O programa deu nome, legitimidade e reconhecimento a um grupo social antes invisível. Outro marco é a participação feminina , impulsionada por linhas de crédito específicas. Hoje, as mulheres representam 75% do público do PRONAF B (microcrédito), fortalecendo a renda e os sistemas de produção em quintais  voltados à segurança alimentar. Desafios para o futuro Apesar dos avanços, especialistas apontam desafios: Alinhamento com a agenda climática e ambiental , estimulando agroecologia e bioeconomia; Expansão regional  para Norte e Centro-Oeste, com foco em povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais; Ampliação da Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER)  para adoção de novas práticas; Simplificação do crédito  e adaptação do sistema bancário às especificidades da agricultura familiar. 📊 PRONAF: de 1995 a 2025 Aspectos PRONAF em 1995 (criação) PRONAF em 2025 (30 anos depois) Natureza Linha de crédito específica para pequenos produtores. Programa estruturante com diversas linhas de crédito e políticas complementares. Público-alvo Pequenos agricultores, ainda pouco reconhecidos como categoria. Agricultura familiar consolidada, com identidade e legitimidade social. Volume de recursos Recursos limitados, restritos ao crédito de custeio. Mais de R$ 70 bilhões/ano  em linhas de crédito (dados MDA, 2023). Políticas derivadas Não havia complementação além do crédito. PAA, PNAE, Garantia-Safra, Mais Alimentos, Agroamigo, ATER. Reconhecimento da agricultura familiar Categoria invisível ou diluída no conceito de trabalhador rural. Reconhecida como pilar da segurança alimentar  do país. Impacto produtivo Baixa escala, dependência de insumos externos e limitada inserção em mercados. Contribui com 70% dos alimentos consumidos no Brasil  (FAO/IBGE). Inclusão social Mulheres e jovens praticamente ausentes do crédito. 75% do PRONAF B  destinado a mulheres; jovens têm linhas próprias. Segurança alimentar Não havia políticas integradas ao crédito. Programas de compras institucionais garantem mercado e renda. Abrangência geográfica Concentração no Sul e Sudeste. Forte no Nordeste; desafios de expansão para Norte e Centro-Oeste. Desafios Reconhecimento e acesso inicial ao crédito. Sustentabilidade, clima, inovação tecnológica, diversificação e ampliação territorial. 📌 Esse quadro deixa evidente que o PRONAF passou de uma resposta emergencial  a um sistema de políticas públicas complexas , com grande peso na economia rural e na segurança alimentar. GPP e STAC O debate sobre políticas públicas no campo encontra ressonância direta na Universidade de São Paulo, especialmente no trabalho do Grupo de Políticas Públicas (GPP/ESALQ/USP) , um dos núcleos de extensão vinculados ao Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) . O GPP se dedica a estudos aplicados de políticas de desenvolvimento rural, com foco em agricultura familiar, segurança alimentar e sustentabilidade . Projetos conduzidos pelo grupo analisam, por exemplo, o impacto do crédito rural, a evolução dos programas de compras públicas de alimentos e as estratégias de combate à fome em diálogo com o Estado e a sociedade civil. O encontro contou com a participação de Valter Bianchini, Sergio Paganini e Simone Ranieri, alguns dos autores da obra. Créditos: FEALQ No âmbito do STAC, esses estudos integram um esforço maior de articulação acadêmica e internacional, que busca soluções tropicais sustentáveis para os grandes desafios globais da agricultura, incluindo a redução de desigualdades sociais , a transição energética  e a adaptação às mudanças climáticas . Assim como o PRONAF estruturou uma nova visão para a agricultura familiar no Brasil, o STAC e o GPP atuam hoje como centros de referência na formulação, avaliação e difusão de políticas públicas que garantam a prosperidade do setor em bases sustentáveis. Celebrado como uma “revolução silenciosa” , o PRONAF completa três décadas reconhecido como a política que mais impactou a agricultura familiar no país. Sua permanência e reinvenção são cruciais para os próximos 30 anos, diante dos desafios climáticos, tecnológicos e sociais que se colocam. Fonte : FEALQ

  • Agricultura familiar ganha protagonismo em projeto de biocombustíveis da macaúba

    Acelen Renováveis iniciou seleção de pequenos agricultores para o cultivo da macaúba , espécie nativa do Brasil considerada estratégica para a produção de biocombustíveis sustentáveis. Frutos da macaúba ( Acrocomia aculeata ). Créditos: Compre Rural Macaúba: potencial energético e socioeconômico A macaúba é reconhecida por sua alta produtividade de óleo, capaz de superar culturas tradicionais como a soja e o dendê. Além do potencial energético, a planta apresenta adaptabilidade a diferentes biomas brasileiros  e pode ser cultivada em áreas de pastagens degradadas, sem competir diretamente com a produção de alimentos. Segundo estudos conduzidos pelo Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) , a domesticação da espécie representa um marco para a agricultura tropical, permitindo ao Brasil aliar produção de energia renovável, geração de renda para agricultores familiares e recuperação ambiental . Agricultura familiar estratégica O projeto coordenado pela Acelen prevê a integração de centenas de pequenos produtores rurais à cadeia produtiva da macaúba. A proposta busca estimular a diversificação agrícola , oferecer contratos de compra garantida  e garantir acesso a tecnologia e capacitação técnica . De acordo com a empresa, a inclusão da agricultura familiar é essencial para expandir a oferta de matéria-prima e consolidar o biocombustível de macaúba como alternativa competitiva e sustentável no mercado internacional. Investimentos bilionários Nos últimos anos, a Acelen anunciou investimentos superiores a R$ 12 bilhões  no setor de energias renováveis, com foco no cultivo e processamento da macaúba. O projeto também conta com apoio financeiro do BNDES , que reconheceu o potencial estratégico da cultura para gerar empregos, reduzir a dependência de combustíveis fósseis e promover a inserção da agricultura familiar em cadeias de alto valor agregado. Além disso, parcerias com centros de pesquisa como o STAC e instituições de inovação agrícola garantem a base científica necessária para desenvolver sistemas de cultivo eficientes, sustentáveis e economicamente viáveis. Energia limpa e descarbonização Estudos indicam que os biocombustíveis derivados da macaúba podem contribuir significativamente para as metas brasileiras de descarbonização. O óleo extraído da palmeira pode ser utilizado na produção de biodiesel  e combustível sustentável para aviação (SAF) , setores considerados estratégicos para a transição energética global. Ao priorizar a recuperação de áreas degradadas, o projeto evita o desmatamento e promove o sequestro de carbono no solo , reforçando o papel do Brasil como protagonista no combate às mudanças climáticas. Perspectivas A iniciativa da Acelen Renováveis em integrar pequenos agricultores ao cultivo da macaúba reforça o alinhamento entre sustentabilidade ambiental, inclusão social e segurança energética . A expectativa é que, nos próximos anos, a cadeia produtiva se expanda e consolide o Brasil como líder no fornecimento de biocombustíveis tropicais de nova geração. Fonte: Globo Rural

  • STAC/USP apresenta soluções estratégicas para a segurança alimentar global em conferência no Japão

    O professor Durval Dourado Neto , Coordenador do Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) , participou da 2025 Kirkham Conference , realizada em Fukushima, Japão. O evento reuniu alguns dos principais especialistas do mundo em solos, agricultura e segurança alimentar. Créditos: Instagram Palestra com foco no papel estratégico do Brasil Durante sua participação, o Prof. Durval, em coautoria com o Prof. Quirijn de Jong van Lier , apresentou a palestra “A strategic agricultural Brazilian solution to provide world food security” . O tema destacou como a agricultura tropical brasileira pode oferecer caminhos concretos para enfrentar os desafios globais de produção de alimentos  diante do crescimento populacional e das mudanças climáticas. A apresentação reforçou pontos centrais da pesquisa conduzida pelo STAC: Recuperação de pastagens degradadas  como estratégia para ampliar a produção agrícola sem avançar sobre novas áreas; Integração de sistemas produtivos tropicais  que aliam eficiência no uso de insumos e redução de impactos ambientais; Uso de tecnologias digitais e inteligência territorial  para planejar de forma sustentável o futuro da agricultura; Segurança alimentar e energética  com projetos que incluem o uso da macaúba como biocombustível sustentável. A Kirkham Conference e sua relevância A Kirkham Conference  é realizada periodicamente em diferentes países e homenageia o legado científico do professor Don Kirkham , pioneiro nos estudos de física do solo e hidrologia. A edição de 2025 em Fukushima teve como foco a integração entre ciência do solo, mudanças climáticas e estratégias para garantir produção sustentável e segurança alimentar em escala global . Painel apresentado em evento promovido pela Soil Science Society of America. Créditos: Instagram O encontro foi marcado pela troca de experiências entre pesquisadores de diversas nacionalidades, fortalecendo a colaboração científica internacional. A presença brasileira, por meio do Prof. Durval, evidenciou a relevância das soluções desenvolvidas no país para questões de impacto mundial. O papel do STAC na agenda global A participação do Prof. Durval também reforça o papel do STAC/USP  como um hub de inovação agrícola tropical , articulando projetos em parceria com governos, empresas e instituições internacionais. As contribuições brasileiras no campo da agricultura tropical ganham destaque em fóruns globais justamente por aliarem altos rendimentos produtivos , uso eficiente de recursos naturais  e conservação ambiental . Fonte: Kirkham Conferences | Soil Science Society of America

  • Centro de Estudos da USP desenvolve registro de créditos de carbono para garantir transparência no mercado climático

    A Universidade de São Paulo (USP), por meio do Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI-USP) , desenvolveu o RCGI-USP Carbon Registry , um "cartório" de créditos de carbono que busca assegurar transparência, rastreabilidade e confiança  no mercado climático brasileiro. Julio Meneghini, Carlos Gilberto Carlotti Junior e Karen Mascarenhas (Foto: Divulgação/ RCGI) A iniciativa surge em um momento estratégico, quando o Brasil é chamado a assumir papel de liderança global no enfrentamento das mudanças climáticas. O registro funcionará como uma plataforma de validação e monitoramento de projetos , garantindo que os créditos emitidos correspondam de fato à redução ou sequestro de emissões de gases de efeito estufa. Com isso, a USP pretende reduzir riscos de práticas como o greenwashing e oferecer maior credibilidade a produtores, empresas e governos interessados em alinhar suas atividades às metas de descarbonização. O papel estratégico dos Centros de Estudos da USP O RCGI-USP  integra a rede de Centros de Estudos multidisciplinares da universidade, criados para enfrentar os grandes temas da sociedade. Esses centros funcionam como hubs de pesquisa e inovação , reunindo cientistas de diferentes áreas em torno de agendas estratégicas para o país e para o mundo. Alguns dos Centros de Estudos recém criados pela USP. Recentemente, a USP consolidou novos núcleos voltados a áreas como Centro USP-China e USPproClima , cada qual contribuindo com soluções aplicadas para questões ambientais, sociais e econômicas. Agricultura tropical Um dos exemplos mais relevantes dessa rede é o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC) . Suas pesquisas têm como foco a construção de sistemas de produção que conciliem competitividade agrícola, conservação ambiental e segurança alimentar. Entre os principais projetos, destacam-se: Recuperação de pastagens degradadas , voltada a melhorar a produtividade e reduzir emissões; Domesticação da macaúba , para geração de biocombustíveis sustentáveis de aviação; Selo Verde Brasil , que busca criar uma certificação nacional para práticas agrícolas de baixo impacto; Conectividade rural , ampliando o acesso à tecnologia digital no campo. Logo STAC. Créditos: Serviços Gráficos (ESALQ) O STAC, assim como o RCGI-USP, demonstra como a USP articula pesquisa científica e demandas sociais em busca de soluções práticas para o desenvolvimento sustentável. Os Centros e suas metas visionárias A criação do RCGI-USP Carbon Registry  mostra como a USP projeta seus centros como laboratórios de futuro , capazes de transformar pesquisa em políticas públicas, inovações tecnológicas e práticas sustentáveis. Ao lado do STAC, do CCARBON e de outros núcleos temáticos, o RCGI-USP reforça o papel da universidade na construção de uma agenda nacional de baixo carbono, alinhada aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. O RCGI-USP Carbon Registry  pode consolidar o país como um dos líderes no mercado global de carbono, oferecendo credibilidade às negociações e atraindo novos investimentos. Ao mesmo tempo, fortalece a posição da ciência brasileira na formulação de soluções concretas para a transição energética e climática. Fonte: Research Centre for Greenhouse Gas Innovation (RCGI)

  • Mariangela Hungria: a cientista que economiza bilhões ao Brasil e reduz emissões na agricultura

    Pesquisa pioneira em fixação biológica de nitrogênio gera bilhões de dólares em economia, reduz emissões e coloca o Brasil como referência mundial no uso de insumos biológicos Dra. Mariangela Hungria da Cunha: Vencedora do Prêmio Nobel da Agricultura em 2025. Créditos: Estadão. Pioneirismo científico e impacto global Natural de Itapetininga (SP), a microbiologista Mariângela Hungria  tem contribuído para mudar a história da agricultura brasileira. Seu trabalho com fixação biológica de nitrogênio (FBN)  gera uma economia anual de cerca de US$ 40 bilhões (mais de R$ 220 bilhões)  em adubos químicos e evita a emissão de 180 milhões de toneladas de CO₂  por ano. Sem essa tecnologia, o país precisaria importar milhões de toneladas de fertilizantes nitrogenados, elevando custos e aumentando a dependência externa. A técnica revolucionária Na produção de soja , carro-chefe da pauta de exportações brasileiras, o nitrogênio é essencial, mas os solos tropicais são pobres nesse nutriente. Foi aí que Mariângela, junto a outros pesquisadores, ajudou a consolidar a técnica da fixação biológica de nitrogênio , que consiste em aplicar bactérias benéficas (rizóbios) nas sementes. Esses microrganismos formam nódulos nas raízes e permitem que as plantas capturem nitrogênio do solo e da atmosfera, aumentando o crescimento e a produtividade sem a necessidade de fertilizantes químicos caros e poluentes. Nódulos em raízes de soja, marcas da fixação biológica de nitrogênio. Créditos: Mais soja. Além da soja, a técnica foi expandida para outras culturas como o feijão  (com ganhos de até 25% na produtividade) e o milho , onde bactérias aplicadas diretamente nas folhas ajudam a fixar o nutriente. Impacto no campo Graças ao amplo uso da FBN, o Brasil saltou de 15 milhões de toneladas de soja nos anos 1980 para mais de 170 milhões de toneladas atualmente , consolidando-se como líder mundial na adoção de bioinsumos agrícolas. O efeito vai além da economia: a redução no uso de fertilizantes nitrogenados evita emissões significativas de gases de efeito estufa, contribuindo para o combate às mudanças climáticas e reforçando a imagem do país como potência agrícola sustentável. Reconhecimento internacional Aos 67 anos, Mariangela tornou-se a quarta brasileira a conquistar o prêmio desde sua criação, em 1986. - Créditos: BBC O impacto de sua pesquisa foi reconhecido em 2025, quando Mariângela Hungria recebeu o World Food Prize , considerado o “Prêmio Nobel da Alimentação” . Embora a premiação seja de US$ 500 mil , valor expressivo, ela é simbólica diante dos bilhões de dólares que seu trabalho já trouxe para o Brasil e para a segurança alimentar global. “Sempre pensamos em produzir com sustentabilidade, mas com altos rendimentos, porque precisamos garantir comida para todos, recuperando a saúde do solo e mantendo a competitividade”, destacou a cientista. Uma visão de futuro Para Mariângela, a agricultura deve seguir combinando produtividade, sustentabilidade e inovação tecnológica . A ampliação do uso de microrganismos benéficos no campo é parte de uma transição necessária para reduzir dependência externa de insumos, melhorar a saúde dos solos e combater a fome mundial. Seu legado reforça que ciência e agricultura caminham juntas para garantir que o Brasil seja não apenas celeiro do mundo , mas também exemplo de produção sustentável . Fonte: Gazeta do Povo

  • Diretor de Núcleo do STAC é incluído no Hall da Fama da Citricultura Brasileira

    Reconhecimento destaca trajetória dedicada ao controle biológico e à sustentabilidade agrícola no Brasil do professor José Roberto Postali Parra Prof. José Roberto Postali Parra - Professor titular do Departamento de Entomologia e Acarologia da ESALQ/USP. Créditos: Koppert Brasil Professor titular do Departamento de Entomologia e Acarologia da ESALQ/USP. O professor José Roberto Postali Parra , docente do Departamento de Entomologia e Acarologia da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), acaba de ingressar no Hall da Fama da Citricultura Brasileira , honraria concedida a profissionais que marcaram de forma significativa o setor. Além de seu trabalho acadêmico, Parra é Diretor do SPARCBio – São Paulo Advanced Research Center for Biological Control , um dos principais centros de pesquisa do país dedicados ao desenvolvimento e aprimoramento de soluções biológicas para o manejo de pragas . Também lidera o Núcleo de Controle Biológico de Pragas para a Sustentabilidade Agrícola , vinculado ao Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) , ampliando o impacto de suas pesquisas para diferentes cadeias produtivas. Prof. José Parra é diretor do SPARCBio e do Núcleo de Controle Biológico de Pragas para a Sustentabilidade Agrícola - STAC. Créditos: Compre Rural. Um legado no controle biológico Com mais de quatro décadas de atuação, o Prof. Parra é referência mundial em entomologia aplicada e controle biológico de pragas . Seus estudos contribuíram para consolidar o uso de inimigos naturais em larga escala, reduzindo a dependência de defensivos químicos e favorecendo a preservação ambiental. Na citricultura, sua pesquisa foi decisiva para o manejo de pragas como o psilídeo Diaphorina citri , vetor do greening (HLB), doença que ameaça pomares em todo o mundo. A introdução e multiplicação de parasitoides, como o Tamarixia radiata , têm sido ferramentas centrais para o controle dessa praga no Brasil. SPARCBio: inovação e parcerias O SPARCBio  é um Centro Avançado de Pesquisa em Controle Biológico  que integra academia, setor privado e órgãos públicos para criar tecnologias de manejo sustentável , ampliando a competitividade e a segurança das produções agrícolas. Com sede na ESALQ, o centro desenvolve desde soluções microbianas até programas de uso integrado de agentes biológicos, fortalecendo o mercado de bioinsumos e alinhando-se às metas globais de agricultura de baixo carbono . Sede do SPARCBio, na ESALQ/USP. Atuação estratégica dentro do STAC Como diretor do Núcleo de Controle Biológico de Pragas para a Sustentabilidade Agrícola , Prof. Parra coordena ações de P&D dentro do STAC/USP , com foco em ampliar o uso de métodos biológicos em diversos biomas tropicais. O núcleo integra redes de pesquisa que avaliam impacto ambiental, viabilidade econômica e escalabilidade  dessas práticas, contribuindo para políticas públicas e para a transição para sistemas agrícolas mais resilientes. Reconhecimento que inspira A inclusão no Hall da Fama da Citricultura Brasileira não apenas consagra a trajetória acadêmica e profissional do Prof. Parra, mas também reforça o papel estratégico da ESALQ/USP  e de centros como o SPARCBio e o STAC/USP no avanço da sustentabilidade agrícola  no país. Fonte: ESALQ NET

  • STAC apresenta soluções sustentáveis para a agricultura tropical com impacto global

    Iniciativas de pesquisa, parcerias e inovação foram destaque na fala do coordenador do STAC - Prof. Durval Dourado Neto - em entrevista ao Jornal da ALESP 1ª Edição. Professor Titular da ESALQ/USP e Coordenador do STAC, Durval Dourado Neto. O Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) , foi tema de entrevista especial com o seu coordenador, Prof. Durval Dourado Neto , no programa transmitido hoje, em sua edição matinal. Na conversa, o professor apresentou a missão, os projetos estratégicos e a relevância do centro como um hub de soluções sustentáveis para a agricultura tropical . STAC como centro de integração e soluções Questionado sobre como o STAC busca soluções sustentáveis, o professor destacou que o centro desenvolve projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D)  para tornar os sistemas agrícolas mais eficientes e ambientalmente responsáveis, com benefícios não apenas para o Brasil, mas também para outros países que compartilham condições tropicais. Prof. Durval Dourado Neto, em entrevista ao Jornal da Rede ALESP. Créditos: Youtube Ao ser comparado a um hub, o Prof. Durval reforçou que o STAC funciona como articulador entre ciência, tecnologia e políticas públicas , reunindo universidades, órgãos governamentais e empresas. Entre os exemplos, citou o Projeto Biomas Tropicais , que criou uma ferramenta inédita para calcular o Índice de Desenvolvimento Rural Sustentável em todos os municípios brasileiros, permitindo diagnósticos e monitoramento para tomada de decisão. Eficiência no uso de insumos e parcerias estratégicas O professor destacou ainda o trabalho no desenvolvimento de novos sistemas de produção  voltados para aumentar a eficiência do uso de insumos na agricultura. Um exemplo citado foi o SPARCBio , centro de pesquisa que atua no controle biológico para reduzir o uso de defensivos agrícolas, reforçando o compromisso com práticas de menor impacto ambiental. O STAC também mantém parcerias com empresas públicas e privadas , viabilizando a aplicação prática de pesquisas e ampliando o alcance das soluções desenvolvidas. São Paulo Advanced Research Center for Biological Control. Créditos: Koppert Enfrentando desafios climáticos Sobre mudanças climáticas, o Prof. Durval explicou que o centro realiza análises territoriais  para adequar as culturas agrícolas às condições predominantes de cada região, além de desenvolver estudos sobre melhoramento genético para criar plantas mais resistentes a estresses climáticos. Principais projetos Reforçando a importância do investimento, o professor apresentou alguns projetos estratégicos: Domesticação da macaúba para biocombustíveis sustentáveis , em parceria com a Acelen e apoio do BNDES, integrando agricultura familiar e inovação. Segurança alimentar : mapeamento de áreas de pastagens degradadas para ampliar a produção de alimentos, com potencial para alimentar mais 1 bilhão de pessoas até 2050. Plano Nacional de Irrigação : iniciativa de longo prazo, projetada para os próximos 100 anos, com foco no uso racional da água e aumento da eficiência produtiva. Compromisso com o futuro O coordenador reforçou que o STAC busca consolidar-se como referência em práticas agrícolas sustentáveis , promovendo inovação, capacitação e articulação internacional para enfrentar os grandes desafios da agricultura tropical. Entrevista na íntegra.

  • "Por Dentro da USP" destaca o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC)

    Em sua edição de 8 de agosto de 2025, o boletim quinzenal Por Dentro da USP  destacou o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC) , coordenado pelo professor Durval Dourado Neto, da ESALQ/USP. Centro de Agricultura Tropical Sustentável - STAC O Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC), ligado à Reitoria da Universidade de São Paulo, vem se firmando como um polo de referência no desenvolvimento de soluções integradas para os desafios da produção agrícola em regiões tropicais. Coordenado pelo professor Durval Dourado Neto, o STAC atua de forma multidisciplinar, envolvendo docentes, pesquisadores e estudantes de diversas áreas do conhecimento, com o objetivo de conciliar produtividade, conservação ambiental e melhoria da qualidade de vida no meio rural. Professor Titular da ESALQ/USP, Durval Dourado Neto coordena o STAC. (Créditos: Gerhard Waller) "A missão do STAC é promover uma interação contínua entre unidades da USP e instituições públicas e privadas, no Brasil e no exterior, para criar e difundir soluções estratégicas que fortaleçam a agricultura tropical sustentável. Essa atuação envolve desde a pesquisa científica até o apoio à formulação de políticas públicas, com ênfase na segurança alimentar, uso responsável dos recursos naturais e desenvolvimento rural inclusivo." - Prof. Durval Dourado Neto. Projetos em andamento O trabalho do STAC é organizado em diferentes núcleos: Pesquisa e Desenvolvimento; Inovação e Empreendedorismo; Comunicação e Difusão; Cooperação Internacional; Controle Biológico de Pragas Para a Sustentabilidade Agrícola; e Novos Negócios . Dentro desse escopo, atualmente são conduzidos cinco projetos prioritários: Domesticação da macaúba  – voltada à produção de combustível sustentável para aviação, explorando o potencial de uma palmeira nativa para geração de bioquerosene. Selo Verde Brasil  – desenvolvimento de um sistema nacional de certificação e avaliação de conformidade para produtos e serviços sustentáveis. Inteligência territorial e segurança alimentar  – estudo da eficiência da produção agrícola irrigada, com meta de aumentar em 40% a produtividade nacional. Conectividade rural  – aplicação de tecnologias digitais para ampliar a eficiência da produção no campo. Recuperação de pastagens degradadas  – desenvolvimento de sistemas que combinem otimização da produtividade e mitigação das mudanças climáticas. Principais projetos, em desenvolvimento, do STAC. Parcerias e visão de futuro O STAC mantém parcerias estratégicas com universidades, empresas e órgãos governamentais, fortalecendo a troca de conhecimentos e a aplicação prática de suas pesquisas. A expectativa é que o centro se consolide como hub de inovação em práticas agrícolas sustentáveis , contribuindo para formar profissionais qualificados, fomentar novas tecnologias e apoiar decisões de políticas públicas. O Prof. Durval destaca que, além dos avanços técnicos, o centro também prioriza a difusão de informações e boas práticas agrícolas , garantindo que seu impacto alcance pequenos produtores e comunidades rurais. Essa abordagem amplia a inclusão social no campo e potencializa a adoção de sistemas produtivos sustentáveis. Integração com programas de internacionalização No mesmo período em que fortalece suas linhas de pesquisa, o STAC também reforça sua dimensão internacional, participando e organizando eventos como o VII STAC School and Tech Tour , que recebeu estudantes estrangeiros para imersão em sistemas tropicais de produção. Essa interação contribui para a troca de experiências e posiciona o Brasil como protagonista no debate global sobre agricultura sustentável. Para ter acesso a entrevista, na íntegra, acesse: Jornal da USP

  • Agricultura tropical em destaque: ESALQ e STAC promovem eventos acadêmicos internacionais

    International School e STAC School and Tech Tour destacam protagonismo da ESALQ na difusão dos sistemas tropicais de produção sustentável Os eventos ocorreram na ESALQ e empresas parceiras, entre os dias 13 e 26 de julho de 2025. Crédito: Gerhard Waller. Entre os dias 13 e 26 de julho de 2025, a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP), em Piracicaba, sediou mais uma edição da sua reconhecida International School on Tropical Sustainable Agricultural Systems . O evento teve como objetivo principal proporcionar um ambiente de intercâmbio científico e cultural entre estudantes e pesquisadores de diversas nacionalidades, com foco na agricultura tropical e na sustentabilidade produtiva. Estudantes brasileiros e estrangeiros em frente ao Edifício Central. Crédito: Denise Guimarães Realizada integralmente em inglês, a programação contou com palestras, oficinas técnicas, visitas a propriedades rurais, centros de pesquisa e empresas do setor agroindustrial. Entre os temas abordados estiveram fisiologia vegetal, tecnologias sustentáveis para a produção agrícola, integração lavoura-pecuária, uso de bioinsumos, manejo sustentável da água, economia circular e inovação em agroenergia. VII STAC School and Tech Tour Em paralelo à International School , o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) promoveu o VII STAC School and Tech Tour , com a participação de 14 alunos e dois professores da China Agricultural University (CAU). A delegação chinesa participou ativamente da programação acadêmica e técnica, reforçando a proposta de internacionalização do STAC e da própria ESALQ. Estudantes chineses realizaram visitas a empresas para discutir práticas agroalimentares sustentáveis e modelos cooperativistas. A agenda do Tech Tour incluiu visitas técnicas a empresas e propriedades referência em inovação agrícola, como a Citrosuco, a Raízen Biogás, a cooperativa Coplacana, a fazenda Canto Porto (pecuária leiteira) e unidades de produção de soja, macadâmia, flores, suínos e cerveja artesanal, além de aulas teóricas ministradas por docentes da USP e pesquisadores da Embrapa. Essa integração reafirma o protagonismo do STAC na promoção da agricultura tropical sustentável por meio de atividades educacionais internacionais, aliando ciência, cultura e troca de experiências entre jovens lideranças acadêmicas do Brasil e do exterior. “Ao promover um programa robusto de internacionalização, estamos não só disseminando conhecimento técnico, mas também consolidando o Brasil como referência global na produção agrícola em clima tropical”, destacou o professor Durval Dourado Neto, coordenador do STAC Tech Tour. Interdisciplinaridade e articulação institucional A edição de 2025 da International School  contou com a colaboração de docentes da ESALQ, do Centro de Energia Nuclear na Agricultura (Cena/USP), da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA/USP), além de profissionais do setor produtivo. As atividades também envolveram o Escritório de Cooperação Internacional (ECI) da ESALQ, responsável pelo apoio logístico e pela articulação institucional. A integração entre diferentes setores da universidade fortaleceu o impacto acadêmico do evento e contribuiu para uma formação mais ampla dos participantes. Um marco para a diplomacia científica Iniciativas como a International School  e o STAC Tech Tour  são estratégicas para consolidar a diplomacia científica brasileira. Elas ampliam a visibilidade da produção acadêmica nacional, promovem a colaboração internacional e contribuem para soluções sustentáveis em escala global, especialmente em tempos de crise climática e desafios alimentares. Fonte: ESALQ NET

  • Estudante brasileiro é premiado por destaque em apresentação científica na China Agricultural University

    Higor de Queiroz Ribeiro, mestrando no programa de pós-graduação em Fitotecnia da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), foi premiado por sua apresentação durante evento acadêmico em Beijing, realizado pela China Agricultural University (CAU), em 14 de julho. Higor de Queiroz Ribeiro, em apresentação na China Agricultural University. Créditos: Outros. Representando o Brasil no programa de intercâmbio acadêmico promovido pela CAU, Higor apresentou o trabalho intitulado “Framework for Evaluating AquaCrop Calibrations Using NDVI-Derived Canopy Cover in Irrigated Maize in Western Bahia, Brazil” . A apresentação chamou atenção pela aplicação de dados de satélite e modelos de simulação agroclimática para avaliar o desenvolvimento do dossel vegetal (canopy cover) em áreas de cultivo sob pivô central, no contexto da agricultura de precisão. 🌱 Pesquisa combina inovação e sustentabilidade no agronegócio Orientado pelo Prof. Dr. Durval Dourado Neto (Esalq/USP), o trabalho de Higor propôs uma estrutura metodológica que integra imagens dos satélites Sentinel-2 e Landsat 8/9, via Google Earth Engine, com o modelo AquaCrop da FAO — amplamente utilizado para prever produtividade e consumo hídrico de culturas agrícolas. O foco foi o milho irrigado de segunda safra em municípios como Correntina e Jaborandi (BA), onde foram monitoradas 87 áreas agrícolas entre os anos de 2017 e 2023. A proposta do pesquisador brasileiro avaliou quatro cenários de calibração do modelo AquaCrop e comparou seus resultados com dados de sensoriamento remoto processados a partir do índice de vegetação NDVI, convertidos em estimativas de cobertura de dossel. 📊 Principais resultados do estudo A calibração denominada MZ4 , com ajustes manuais, apresentou o melhor equilíbrio entre precisão e acurácia . O uso do NDVI como estimador de cobertura vegetal  se mostrou eficaz e escalável. A estrutura desenvolvida pode ser adaptada para outras culturas, regiões e aplicações, como estimativa de produtividade ou assimilação de dados em tempo real. A pesquisa reforça o potencial do uso de técnicas de sensoriamento remoto e modelagem computacional no monitoramento agrícola multi-anual . 🌍 Reconhecimento internacional e perspectivas futuras A premiação recebida por Higor Ribeiro é resultado do esforço contínuo de internacionalização promovido por iniciativas como o Sustainable Tropical Agriculture Center (STAC) , que fomenta a formação de jovens talentos e o intercâmbio de conhecimento com universidades de referência em agricultura, como a CAU na China. Título de reconhecimento por apresentação realizada por Higor Ribeiro. Crédito: Higor Ribeiro. Além de contribuir para a ciência aplicada à agricultura tropical, o estudo se alinha com agendas globais de sustentabilidade, uso racional da água e adaptação às mudanças climáticas. Entre os próximos passos, o pesquisador pretende incorporar técnicas de inteligência artificial na calibração automática dos modelos, além de expandir a metodologia para o monitoramento de outras culturas estratégicas. ✍️ Sobre o pesquisador Higor de Queiroz Ribeiro  é engenheiro agrônomo formado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e atualmente mestrando no programa de pós-graduação em Fitotecnia da ESALQ/USP. Possui experiência em sensoriamento remoto, modelagem agrícola e agricultura irrigada.

  • Manejo de cana-de-açúcar pode aumentar sustentabilidade no setor sucroenergético

    Estudo da Esalq/USP avalia impacto climático e estratégias para reduzir óxido nitroso na produção de cana A cana-de-açúcar foi escolhida como foco devido à sua importância econômica para o Brasil – Foto: José Reynaldo da Fonseca/Wikimedia Commons O setor sucroenergético brasileiro, vital para a matriz energética nacional e a economia agrícola, pode se tornar ainda mais sustentável com práticas de manejo adequadas. É o que aponta o estudo conduzido pela engenheira agrônoma Emily Aquino Leite, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), que analisou como diferentes cenários climáticos interferem na produtividade da cana-de-açúcar e nas emissões de gases de efeito estufa, em especial o óxido nitroso (N₂O). Com base em modelagens como o Samuca (para produtividade) e o Cury (para emissões), a pesquisa constatou que o aumento da concentração de CO₂ atmosférico pode, por um lado, favorecer a fotossíntese da cana-de-açúcar, elevando sua produtividade em até 10%. Por outro lado, há um alerta: as emissões de N₂O — gás com potencial de aquecimento global 300 vezes superior ao do CO₂ — podem crescer entre 5% e 30%, dependendo do manejo adotado. Desafios ambientais e oportunidades de mitigação A pesquisa destaca o papel da palhada deixada no campo após a colheita como um fator de risco. Apesar de essencial para a cobertura do solo, em excesso, a palha retém umidade e favorece a atividade microbiana que libera óxido nitroso. A pesquisadora sugere que parte desse material possa ser redirecionado à produção de etanol de segunda geração (2G), promovendo um equilíbrio entre conservação do solo e redução das emissões. Além disso, a aplicação de fertilizantes nitrogenados deve ser repensada. Temperaturas elevadas aumentam as perdas de nitrogênio para a atmosfera, o que reforça a importância do uso eficiente de insumos e do planejamento técnico no campo. Modelagem como ferramenta para políticas e tomada de decisão A modelagem computacional utilizada na pesquisa permite simular cenários futuros e avaliar estratégias que conciliem ganhos produtivos com metas de descarbonização. Isso é especialmente relevante diante da urgência da transição energética e da crescente demanda por produtos agrícolas sustentáveis. Segundo Emily Leite, o Brasil tem uma vantagem competitiva na produção de cana-de-açúcar, mas precisa garantir que sua expansão não ocorra à custa de maior impacto ambiental. “Sustentabilidade não pode ser apenas produtividade; é preciso considerar a conservação dos recursos naturais e a mitigação das emissões”, reforça. O trabalho se soma a outros estudos desenvolvidos na Esalq/USP e em centros como o CCARBON/USP e STAC/USP, que vêm consolidando a bioeconomia de baixo carbono como um dos pilares da agricultura tropical sustentável. Fonte: USP Sustentável

  • Bioinsumo multiforrageiras utilizado na recuperação de pastagens

    A Embrapa Agrobiologia, em parceria com a Agrocete, apresentou recentemente um bioinsumo multiforrageiras utilizado no manejo de pastagens no Brasil. Tecnologia combina bactérias para aumentar biomassa, recuperar áreas degradadas e reduzir emissões na pecuária. Créditos: Agro em dia A nova solução, que deve chegar ao mercado em 2026, associa três estirpes bacterianas benéficas ao solo, promovendo ganhos em produtividade, recuperação de áreas degradadas e redução do uso de fertilizantes nitrogenados — além de contribuir para mitigar emissões na pecuária. 🌱 Solução biológica para desafios antigos O produto foi desenvolvido com foco em um cenário preocupante: cerca de 100 milhões de hectares de pastagens brasileiras apresentam níveis intermediários ou severos de degradação , impactando diretamente a produtividade e as emissões do setor pecuário. A proposta do novo inoculante é integrar soluções baseadas na biotecnologia para restaurar a fertilidade do solo e promover a intensificação sustentável da pecuária. 🔬 Funções microbianas O inoculante combina microrganismos já conhecidos por seu desempenho em culturas agrícolas: Bradyrhizobium : fixador de nitrogênio amplamente usado na cultura da soja; Azospirillum : estimula o crescimento de gramíneas e também fixa nitrogênio; Nitrospirillum : em fase final de validação, tem demonstrado alta eficiência no estímulo ao crescimento radicular e fixação de nitrogênio. Essa composição permite uso tanto em sistemas tradicionais quanto em consórcios de gramíneas e leguminosas , e mesmo em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) . 📉 Menos fertilizantes e emissões de carbono Segundo a Embrapa, o uso do inoculante pode substituir parte dos fertilizantes sintéticos , especialmente os nitrogenados — um dos principais emissores de gases de efeito estufa (GEE) no setor agropecuário. Em testes realizados em casa de vegetação, foi observada uma elevação superior a 30% na biomassa  das leguminosas, e também ganhos em áreas com pastagens exclusivamente de gramíneas como braquiária. Além disso, o consórcio com leguminosas permite: Redução de até 30% nas emissões de GEE ; Sequestro de até 4,4 toneladas de carbono  por hectare ao ano; Ampliação da biodiversidade e saúde do solo ; Maior eficiência no uso de recursos  e circulação de nutrientes. 💼 Potencial de mercado e inovação em escala A versatilidade e aplicabilidade do produto em diferentes sistemas e tipos de pastagem tornam o bioinsumo promissor não apenas sob o ponto de vista agronômico, mas também estratégico para o mercado  de insumos biológicos. Para Andrea Giroldo, diretora da Agrocete, trata-se de uma solução prática e econômica que atende às demandas crescentes da pecuária moderna por sustentabilidade e rentabilidade . 🔄 Caminho para a pecuária regenerativa O novo inoculante integra um conjunto de estratégias de agricultura regenerativa  focadas na recuperação ecológica de áreas degradadas, melhora da produtividade e neutralidade de carbono. O lançamento comercial está previsto para 2026, após a finalização dos estudos agronômicos de validação. Fonte: Canal Rural

  • Sistema agroflorestal em prol de segurança alimentar

    Modelo agroecológico cultiva mais de 60 espécies alimentares em consórcio com florestas nativas, promovendo biodiversidade e renda familiar Mais do que um método de cultivo, o sistema propicia benefícios ambientais, econômicos e sociais. Créditos: Maxmaq Um sistema produtivo que une agricultura e floresta, cultiva diversidade em vez de monocultura e se baseia em princípios ecológicos para regenerar o solo e gerar alimentos saudáveis. Essa é a essência do sistema agroflorestal (SAF), prática que vem ganhando força entre agricultores familiares interessados em produzir de forma mais sustentável, resiliente e autônoma. Em uma propriedade rural, localizada na Colônia São Manuel, 8º distrito de Pelotas/RS, conduzida por uma família dedicada à agroecologia, mais de 60 alimentos são cultivados em um mesmo espaço. Desde 2012, o modelo adotado pela família Schiavon permite que árvores frutíferas, nativas e madeireiras convivam com culturas alimentares como milho crioulo, mandioca, batata-doce, abóbora, hortaliças, temperos, além de plantas medicinais e ornamentais. O sistema agroflorestal aplicado no local segue princípios da agroecologia, em que os cultivos são feitos sem uso de insumos químicos, com adubação orgânica, cobertura permanente do solo e integração entre espécies nativas e cultivadas. Além de evitar o uso de agrotóxicos, a prática fortalece a segurança alimentar da família e da comunidade próxima, permitindo a venda direta dos produtos em feiras agroecológicas e espaços comunitários. 🌾 Como funciona um SAF? No sistema agroflorestal, os cultivos são planejados para que diferentes espécies ocupem os mesmos espaços ao longo do tempo, simulando os estágios naturais de uma floresta. As árvores maiores criam sombra para as espécies que gostam de ambientes úmidos, enquanto leguminosas ajudam a fixar nitrogênio no solo, melhorando sua fertilidade. Assim, cria-se um ciclo virtuoso de produção e regeneração ambiental. “Nosso trabalho é em parceria com a natureza. Cada planta tem sua função ecológica, e o manejo é planejado com base na sucessão natural da floresta”, relata Enio Schiavon, responsável pela propriedade. 🌿 Alimentação saudável e renda sustentável Além da produção diversificada e sem veneno, os alimentos colhidos têm como destino prioritário as cozinhas da própria comunidade. O excedente é comercializado em feiras agroecológicas e na Rede de Agroecologia Ecovida, contribuindo para a geração de renda direta e valorizando a agricultura de base familiar. A propriedade também recebe visitas técnicas e educacionais, servindo como espaço de aprendizado sobre SAFs, práticas regenerativas e soberania alimentar. A valorização da biodiversidade cultivada é um dos pilares do projeto: sementes crioulas são preservadas e multiplicadas, plantas com propriedades medicinais são catalogadas e utilizadas, e a produção respeita os ciclos da terra e o saber tradicional. 🌍 Agroecologia Sistemas como esse têm despertado o interesse de instituições de pesquisa e políticas públicas por seu potencial de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, promover segurança alimentar e restaurar ecossistemas. Ao aliar conhecimento tradicional com ciência agroecológica, os SAFs se mostram um caminho viável e replicável para diferentes regiões do Brasil. Com a crescente pressão sobre o uso do solo e os recursos naturais, práticas como a agrofloresta ganham destaque como estratégias de desenvolvimento rural que promovem equilíbrio entre produtividade, conservação ambiental e justiça social. Fonte : Jornal do Comércio

Inscreva-se na nossa newsletter

bottom of page