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STAC/USP celebra uma década de cooperação internacional e um novo ciclo para a ciência

há 6 minutos
4 min de leitura

Centro sediado na ESALQ se consolidou como ponte entre a USP e a China Agricultural University, parceira há dez anos, com escolas internacionais, workshop científico e projetos conjuntos; em 2026, STAC/USP é aprovado como Centro de Ciência para o Desenvolvimento da FAPESP.

ESALQ
Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz - ESALQ/USP Créditos: Gerhard Waller

Em ocasião da Semana Luiz de Queiroz, o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC) celebra dois marcos que ajudam a contar a trajetória de internacionalização, formação e pesquisa construída pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) ao longo da última década.


Em 2026, a parceria entre a USP e a China Agricultural University (CAU), primeira colocada mundial em Ciências Agrárias, completa dez anos. Criado em 2023 e coordenado pelo professor Durval Dourado Neto, o STAC se tornou um dos principais pontos de articulação dessa cooperação, organizando programas de formação, eventos científicos e projetos de pesquisa com a universidade chinesa.


No mesmo ano, o STAC foi aprovado como Centro de Ciência para o Desenvolvimento (CCD) da FAPESP, abrindo uma nova etapa para a produção científica e a articulação com diferentes setores da sociedade.


Uma década conectando universidades


A cooperação com a CAU começou em outubro de 2016, com a assinatura de um acordo de cooperação abrangente entre as duas universidades. Em março de 2017, USP e CAU se uniram à Wageningen University & Research, à University of California, Davis, e à Cornell University para fundar a A5 Alliance, rede que reúne algumas das principais universidades agrárias do mundo. Três delas aparecem entre as primeiras posições do ranking de 2026: a CAU, primeira colocada, a Wageningen, terceira, e a UC Davis, 12ª. As cinco instituições da aliança também estão entre os parceiros internacionais do STAC.


Dessa aproximação nasceu, em 2022, o CAU-USP Joint College, primeira instituição de ensino em cooperação sino-estrangeira estabelecida entre a China e a América Latina. Em cinco ciclos de admissão, o programa recebeu 150 estudantes de mestrado e já formou 98 deles. Entre os 53 docentes e servidores da USP que participaram do programa, o coordenador do STAC é um dos mais presentes.

CAU
Participantes do III STAC School and Tech Tour

A parceria continua em expansão. Desde 2024, os mestrandos passam seis meses na ESALQ em estágio de pesquisa, com orientação conjunta das duas universidades. Atualmente, 15 estudantes estão em Piracicaba, enquanto uma nova turma de 20 estudantes está prevista para chegar ao país em 2027.


STAC/USP como ponte entre Brasil e China


Desde sua criação, o STAC/USP levou a cooperação para além da sala de aula. Em 2023, o centro promoveu, com o Laboratório de Eletrofisiologia de Plantas sob Estresse (LEPSE/ESALQ), a primeira edição da Sustainable Tropical Agriculture School and Tech Tour, que reuniu estudantes da ESALQ e da CAU em duas semanas de aulas e visitas a unidades produtivas de bioenergia, leite, carnes e bebidas. O programa teve nova edição em 2024 e, em julho de 2026, recebeu 33 docentes e estudantes da CAU em torno dos temas Sistemas de Produção de Base Biológica Tropical e Agricultura Tropical Sustentável.


Entre 31 de agosto e 2 de setembro de 2026, o STAC organizou na ESALQ, com a participação da Embrapa e da CAU, o Brazil-China Crop Science Workshop – Digital Technologies and Omics Applied to Crop Production. O encontro reuniu pesquisadores brasileiros e chineses em torno de tecnologias ômicas, edição genética e ferramentas digitais aplicadas à produção de milho e soja, e teve sua abertura acompanhada por uma delegação da universidade chinesa liderada pelo vice-secretário do Partido na CAU, Wang Yong.

STAC/USP
Comitiva de Professores da China Agricultural University (CAU) que participaram do Workshop.

A cooperação também se traduz em pesquisa. Em dezembro de 2024, um projeto conduzido pela equipe do professor Durval Dourado Neto na ESALQ, em parceria com pesquisadores da CAU, foi aprovado em chamada conjunta da FAPESP com a Fundação Nacional de Ciências Naturais da China (NSFC). O projeto desenvolve um sistema de monitoramento dinâmico e manejo de precisão para o consórcio soja-milho, integrando dados de satélite, drones e sensores em campo. Em março de 2025, USP e CAU criaram seis centros conjuntos de pesquisa, dedicados a milho, soja, agricultura inteligente, sistemas de cultivo, genômica de culturas e agricultura verde e circular.


Da formação internacional à pesquisa


Durval Dourado Neto
Prof. Durval Dourado Neto na World Agricultural University President Forum (WAFI) - Pequin/China

A trajetória do STAC ajuda a ilustrar uma transformação no papel da internacionalização dentro da universidade. Ao aproximar estudantes, professores e pesquisadores de diferentes instituições, a cooperação criou uma rede que vai além da sala de aula e abre espaço para novos projetos de pesquisa e formação.


É nesse contexto que surge o segundo marco celebrado em 2026: a aprovação do STAC como Centro de Ciência para o Desenvolvimento da FAPESP. A fundação, que já apoia a cooperação científica com a China por meio da parceria com a NSFC, passa agora a apoiar o STAC também como centro.


A nova etapa amplia a possibilidade de articulação entre pesquisadores, instituições e setor privado em torno de desafios relacionados à agricultura tropical sustentável.


Um novo capítulo para a cooperação


Os dois marcos celebrados em 2026 apontam para uma mesma direção: a consolidação de uma trajetória de internacionalização construída ao longo de uma década e a abertura de um novo ciclo para a ciência e a cooperação institucional.


Em pouco mais de três anos de atividade, o STAC transformou essa década de aproximação em programas de formação, eventos científicos e projetos de pesquisa compartilhados com a China e com os demais parceiros da A5.


A aprovação como Centro de Ciência para o Desenvolvimento da FAPESP representa mais um passo nessa trajetória, ampliando as possibilidades de colaboração científica e de aproximação entre universidade, instituições e sociedade.


Na Semana Luiz de Queiroz, celebrar esses marcos é também reconhecer uma história que continua sendo construída: uma década de conexões que formaram pessoas, aproximaram instituições e abriram novos caminhos para a ciência.

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