Estudantes chineses participam do IX STAC School and Tech Tour na Esalq
Programa internacional reúne cerca de 30 universitários de instituições da China em duas semanas de aulas, visitas técnicas e intercâmbio científico

Entre os dias 13 e 24 de julho, O Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) recebeu cerca de 30 estudantes de graduação de universidades chinesas para o IX Sustainable Tropical Agriculture School and Tech Tour. O programa, sediado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), proporciona uma imersão na agricultura e pecuária tropical brasileiras, combinando aulas ministradas por especialistas, atividades práticas e visitas técnicas a empresas e propriedades rurais de referência.

Segundo o coordenador do STAC/USP, professor Durval Dourado Neto, o objetivo é apresentar aos participantes uma visão abrangente da agricultura paulista e dos sistemas produtivos desenvolvidos no Brasil.
"Nossa proposta é fazer com que eles conheçam a agricultura paulista. Durante duas semanas, visitamos empresas, propriedades rurais e laboratórios para mostrar como funciona a agricultura tropical brasileira, que possui características muito diferentes da agricultura desenvolvida na China."
Experiência acadêmica e tecnológica
A programação teve início com a recepção oficial dos participantes pela diretora da Esalq, professora Thais Maria Ferreira de Souza Vieira, seguida da aula inaugural ministrada pelo professor José Roberto Postali Parra, sobre controle biológico, uma das áreas em que o Brasil é referência internacional.
Ao longo das duas semanas, os estudantes participaram de uma intensa programação acadêmica, com disciplinas sobre fisiologia vegetal, genética, genômica, estatística experimental, manejo integrado de pragas, fitopatologia, microbiologia, agricultura irrigada e perspectivas para a produção mundial de alimentos. As atividades foram conduzidas por docentes e pesquisadores da Esalq, do Cena e de outras unidades da USP.
Além das aulas, o grupo realizou visitas técnicas a empresas e instituições que representam diferentes segmentos do agronegócio paulista, incluindo processamento de hortaliças, indústria de alimentos, produção de flores ornamentais, citricultura, pecuária leiteira, indústria cervejeira, além do Instituto Pecege.
Conhecendo a agricultura tropical brasileira
De acordo com Durval Dourado Neto, um dos principais objetivos do programa é apresentar aos estudantes as particularidades da agricultura tropical e as diferenças em relação aos sistemas produtivos chineses.
"Enquanto o Brasil reúne condições para produzir durante praticamente todo o ano, em grande parte da China as baixas temperaturas e a ocorrência de neve limitam o calendário agrícola. Em contrapartida, essas condições climáticas reduzem naturalmente a pressão de pragas, doenças e plantas daninhas, criando desafios distintos para cada país."
Essa comparação permite aos participantes compreender como fatores climáticos, ambientais e tecnológicos influenciam o desenvolvimento de estratégias de manejo e produção agrícola em diferentes regiões do mundo.
Cooperação internacional em expansão
O intercâmbio também evidencia o fortalecimento das relações acadêmicas entre Brasil e China, atualmente um dos principais parceiros comerciais do agronegócio brasileiro.
O interesse pelo programa cresce a cada edição, tanto entre estudantes chineses que desejam conhecer a agricultura tropical quanto entre alunos brasileiros interessados em vivenciar experiências acadêmicas na China - comenta o Coordenador do STAC/USP.
A iniciativa prevê intercâmbio em ambos os sentidos, promovendo a mobilidade de estudantes e pesquisadores e ampliando as oportunidades de colaboração científica entre as instituições parceiras.
Formação voltada aos desafios globais
A iniciativa integra as ações de internacionalização do STAC/USP e fortalece a cooperação acadêmica entre Brasil e China, especialmente por meio da parceria com a China Agricultural University (CAU), que, ao longo dos anos, contribuiu para ampliar a participação de estudantes de diversas instituições chinesas no programa.
Ao combinar atividades acadêmicas, experiências práticas e interação com pesquisadores brasileiros, o programa contribui para formar profissionais preparados para enfrentar desafios relacionados à segurança alimentar, inovação tecnológica e sustentabilidade, além de fortalecer redes internacionais de pesquisa e cooperação científica.



