STAC/USP integra 32 novos Centros de Ciência para o Desenvolvimento com foco em soluções em agricultura sustentável e segurança alimentar
Centro de Agricultura Tropical Sustentável é selecionado pela FAPESP em iniciativa que aproxima pesquisa científica, políticas públicas e inovação no campo

Pesquisa e inovação
A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) anunciou a seleção de 32 novos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs), iniciativa que busca aproximar instituições de pesquisa, órgãos públicos e outros setores da sociedade na construção de soluções para desafios estratégicos do Estado. Entre os projetos aprovados está o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/FAPESP/SAA-SP), sediado na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba.
Coordenado pelo professor Durval Dourado Neto, o projeto tem como título “Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/FAPESP/SAA-SP): Ciência, Biodiversidade e Inovação para a Agricultura Sustentável, Integrando as Dimensões Social, Ambiental e Econômica para a Segurança Alimentar e o Fortalecimento das Cadeias Produtivas”.
A proposta tem como parceiro público a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA), requisito previsto no programa da FAPESP. A iniciativa integra uma estratégia de pesquisa orientada à produção de conhecimento e ao desenvolvimento de soluções aplicáveis às demandas da agricultura, considerando aspectos ambientais, econômicos e sociais.
O anúncio foi divulgado pela FAPESP em 17 de setembro de 2026, como resultado da quinta chamada de propostas do Programa Centros de Ciência para o Desenvolvimento. Ao todo, a chamada prevê orçamento de R$ 200 milhões para os projetos selecionados.
Ciência em favor de políticas públicas

Os Centros de Ciência para o Desenvolvimento são estruturas de pesquisa constituídas em parceria com órgãos públicos e, preferencialmente, empresas e organizações não governamentais. Seu objetivo é desenvolver soluções concretas para problemas identificados pelo poder público, contribuindo para o avanço científico e tecnológico e para o aprimoramento de políticas públicas.
Os projetos aprovados podem solicitar à FAPESP até R$ 2 milhões por ano, durante um período máximo de cinco anos. As instituições participantes devem apresentar contrapartidas financeiras e/ou econômicas equivalentes ao valor solicitado à Fundação.
Nesse contexto, a participação do STAC amplia as possibilidades de articulação entre a pesquisa acadêmica e as demandas do setor agropecuário, com foco em sistemas de produção sustentáveis e no fortalecimento das cadeias produtivas.
A proposta aprovada está alinhada à atuação do Centro na investigação de desafios relacionados à agricultura tropical, incluindo a necessidade de conciliar produtividade, conservação dos recursos naturais e segurança alimentar.
STAC/USP
Criado como um centro multidisciplinar de pesquisa e extensão, o STAC/USP desenvolve atividades voltadas à agricultura em ambientes tropicais, reunindo conhecimento científico, inovação tecnológica, formação de profissionais e cooperação institucional.

Sua atuação envolve diferentes frentes, entre elas:
Pesquisa científica: desenvolvimento e integração de conhecimentos relacionados à produção agrícola, sustentabilidade e desafios dos sistemas produtivos tropicais.
Extensão universitária: aproximação entre a universidade, produtores, empresas e outros atores do setor agropecuário, favorecendo a disseminação de conhecimentos e tecnologias.
Internacionalização: organização de programas de intercâmbio acadêmico, visitas técnicas e atividades de formação com instituições estrangeiras.
Cooperação científica: estabelecimento de parcerias com universidades e centros de pesquisa para compartilhar experiências e desenvolver projetos relacionados à agricultura tropical.
Segurança alimentar: discussão e investigação de estratégias para ampliar a capacidade produtiva da agricultura, considerando as dimensões ambiental, econômica e social.
A criação da sede administrativa do STAC e a realização de atividades de formação internacional integram o processo de consolidação do Centro como espaço de articulação entre pesquisa, ensino e extensão.
Internacionalização do conhecimento
Entre as iniciativas desenvolvidas pelo STAC estão as edições do Sustainable Tropical Agriculture School and Tech Tour, programa de imersão acadêmica que reúne estudantes e pesquisadores de diferentes países para conhecer a agricultura tropical brasileira.
Em 2025, o Centro recebeu uma comitiva de estudantes da Universidad Autónoma Chapingo, do México, para a sexta edição do programa. A agenda incluiu palestras, visitas técnicas e atividades em laboratórios da Esalq/USP, com discussões sobre agricultura irrigada, controle biológico, pesquisa genética, fitopatologia e entomologia.
No mesmo ano, o STAC promoveu a nona edição do programa com a participação de aproximadamente 30 estudantes de graduação e pesquisadores de universidades chinesas. A programação incluiu visitas a empresas, propriedades rurais e outras instituições da região, com o objetivo de apresentar características da agricultura paulista e promover a troca de experiências com os participantes.
A parceria com instituições chinesas, incluindo a China Agricultural University, também se relaciona à realização de atividades de cooperação científica, como o Brazil-China Crop Science Workshop.

Essas ações contribuem para a formação de estudantes e pesquisadores, além de ampliar o diálogo sobre diferenças entre os sistemas agrícolas brasileiro e chinês, as condições climáticas e as estratégias de produção em ambientes tropicais.
Desafios da agricultura
A aprovação do projeto do STAC no programa da FAPESP reforça a importância de iniciativas que buscam integrar pesquisa científica, inovação e políticas públicas no setor agropecuário.
A agricultura tropical enfrenta desafios relacionados à variabilidade climática, à conservação dos solos, à disponibilidade de recursos naturais e à necessidade de ampliar a produção de alimentos. Nesse cenário, a articulação entre universidades, órgãos governamentais e demais setores pode contribuir para a construção de estratégias adaptadas às condições regionais.
A proposta do STAC/FAPESP/SAA-SP se insere nessa perspectiva ao reunir as dimensões social, ambiental e econômica da agricultura sustentável, com atenção à biodiversidade, à inovação e ao fortalecimento das cadeias produtivas.
O desenvolvimento das atividades do Centro poderá ampliar a produção de conhecimento e a cooperação entre pesquisadores e instituições, contribuindo para o debate sobre o futuro da agricultura tropical e os caminhos para a segurança alimentar.
Mais informações: FAPESP


