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  • Empresa remunera produtores por promover a agricultura regenerativa

    O consórcio Reg.Ia, lançado em agosto de 2024, reúne gigantes do setor como Bayer, BRF e Agrivalle, além de pesquisadores e organizações agrícolas, para incentivar práticas que restauram a saúde do solo e reduzem impactos ambientais. Empresas visam fomentar Agricultura Regenerativa premiando produtores. Foto: Lamyai - Gettyimages A goiana Milhão Ingredients, referência na produção e industrialização de milho não transgênico, deu mais um passo em direção à sustentabilidade ao oficializar sua adesão ao consórcio Reg.Ia , primeiro Consórcio de Agricultura Regenerativa da América Latina, cujo principal objetivo é fomentar a adoção de práticas de agricultura regenerativa em fazendas localizadas na América Latina, através de esforços conjuntos de diversos atores da cadeia produtiva, para valorizar essa produção no mercado. Os produtores cadastrados no programa da Milhão já recebem um adicional de R$ 4 por saca acima do valor praticado no mercado local. Agora, com a agricultura regenerativa, o incentivo ganha um acréscimo de 2% no prêmio. Segundo Leandro Carneiro, CEO e sócio-fundador da Milhão, a estratégia beneficia tanto o meio ambiente quanto os negócios. “Fomentar a agricultura regenerativa é bom para o país e para o negócio”. - CEO da Milhão Ingredients. Crescimento e inovação Com faturamento de R$ 700 milhões em 2023 e projeção de R$ 800 milhões para este ano, a Milhão avança na expansão de sua capacidade produtiva. A entrada da Amaggi como sócia, com a compra de 50% das ações em fevereiro de 2024, trouxe recursos para aquisições estratégicas, incluindo uma unidade industrial da Louis Dreyfus Company (LDC) em Rio Verde (GO), que dobrou sua capacidade produtiva para 60 mil toneladas mensais. Em Goianira (GO), a empresa investiu R$ 60 milhões na inauguração da única planta de produção de óleo de milho não transgênico da América Latina. A decisão de manter o foco em produtos não transgênicos foi estratégica, como aponta Rafael Mendanha, gerente de sustentabilidade: “Optamos por continuar no negócio que conhecemos”. Mercado diversificado e sustentável Com uma carteira de 40 produtos, a Milhão atende grandes empresas como Nestlé, Kellog’s e Heineken, além de setores como pet food, farmacêutico e fertilizantes. Exportando para 67 países, a empresa conquistou 15% de seu faturamento no mercado externo. Recentemente, ampliou as exportações de milho em grãos para a Europa, com previsão de embarcar 80 mil toneladas em 2024. Milhão oferece armazenamento para grãos de produtores da região. Fonte: nutrimosaic.com.br No Brasil, a empresa colabora com 200 produtores que cultivam milho não transgênico em 40 mil hectares, principalmente em Goiás. A meta é ambiciosa: alcançar 65 mil hectares em 2025 e 100 mil hectares em poucos anos. Para facilitar a adesão dos produtores, a Milhão disponibiliza silos e armazéns sem custos adicionais, exigindo apenas a garantia de venda. Reconhecimento do potencial agrícola goiano O CEO Leandro Carneiro destaca as condições únicas de Goiás para o cultivo de milho de alta qualidade, sem proliferação de micotoxinas, devido ao clima favorável. “O cereal produzido em Goiás é o melhor do mundo, e o mercado reconhece o valor desse produto.”, afirma Leandro Carneiro. Para saber mais, acesse: https://globorural.globo.com/especiais/fazenda-sustentavel/noticia/2024/11/empresa-pagara-premios-para-graos-de-producao-regenerativa.ghtml

  • IA no Campo: Centro de Ciências Ligado à FAPESP Desenvolve Plataforma Para Otimizar o Manejo Agrícola

    A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) anunciou a criação da plataforma Smart B100, uma ferramenta baseada em inteligência artificial (IA) generativa que oferecerá recomendações personalizadas sobre manejo de solo e adubação, considerando as especificidades de cada cultura e região. O Centro de Ciência para o Desenvolvimento Smart B100 é uma das 21 iniciativas estratégicas da FAPESP. Fonte: FAPESP Produtores rurais de São Paulo terão acesso a uma nova tecnologia que promete revolucionar a produtividade agrícola e promover práticas sustentáveis no campo. Desenvolvida pelo Centro de Ciência para o Desenvolvimento Smart B100 (CCD SB100) , a iniciativa conta com o apoio do Instituto Agronômico (IAC) e diversas instituições de ensino e pesquisa, como a Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a USP/Esalq. Tecnologia Alimentada por Dados do Boletim 100 A plataforma Smart B100 será baseada no vasto banco de dados do Boletim 100, uma publicação tradicional do IAC que reúne informações detalhadas sobre adubação e calagem do solo. O sistema integrará métricas científicas como saúde do solo, ciclo de carbono e respostas fisiológicas das plantas, além de orientações sobre o uso de fertilizantes e bioinsumos. Segundo o pesquisador Dirceu Mattos Jr., responsável pelo CCD SB100, a ferramenta busca fornecer conhecimento de forma rápida, segura e prática. Dirceu de Matos Junior - Pesquisador Responsável pelo Centro de Ciência para o Desenvolvimento Smart B100 (FAPESP) - Fonte: youtube.com “Com foco inicial nas culturas de citros e cana-de-açúcar, a plataforma ajudará produtores a tomar decisões mais eficientes e reduzir desperdícios.”- mencionou o pesquisador. Parcerias Estratégicas e Ampla Abrangência O projeto reúne diversas instituições e é apoiado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento de São Paulo. Além do desenvolvimento da plataforma, o CCD SB100 criará índices de decisão multicritério para orientar a escolha de insumos agrícolas, otimizando o uso de fertilizantes, aumentando a produtividade e reduzindo impactos ambientais. Benefícios da Inteligência Artificial para o Agronegócio Ao combinar ciência de dados, IA e práticas agrícolas tradicionais, o Smart B100 tem o potencial de transformar o agronegócio paulista. A adoção de práticas mais criteriosas no uso de insumos e a integração de conhecimento científico ao dia a dia do campo podem aumentar a competitividade dos produtores no mercado global. “Essa iniciativa integra tecnologia e ciência para gerar ganhos em eficiência e sustentabilidade”, reforça Mattos Jr. Impacto Estratégico no Desenvolvimento Rural e Econômico O CCD SB100 é uma das 21 iniciativas estratégicas da Fapesp, que busca aplicar tecnologia em áreas como saúde, energia, segurança pública e meio ambiente. No agronegócio, o projeto se destaca pela capacidade de levar inovação diretamente ao campo, fomentando o desenvolvimento econômico e rural do estado de São Paulo. Com a Smart B100, produtores terão uma ferramenta essencial para adotar práticas agrícolas mais inteligentes e sustentáveis, contribuindo para um futuro mais eficiente e competitivo. Fontes: Agência FAPESP e Última Hora MT

  • Brasil Investe R$ 546,6 Bilhões em Cadeias Agroindustriais Sustentáveis

    O Governo Federal anunciou um investimento de R$ 546,6 bilhões voltado ao fortalecimento das cadeias agroindustriais sustentáveis no Brasil. Nova Indústria Brasil, Mapa e Petrobras assinaram Protocolo de Intenção para fortalecer a produção e o desenvolvimento de fertilizantes e insumos para nutrição de plantas. Foto: Ricardo Stuckert/PR. O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o evento da Nova Indústria Brasil (NIB), no Palácio do Planalto, em Brasília. O programa busca melhorar a qualidade de vida, estimular o desenvolvimento tecnológico e produtivo, gerar empregos e expandir a presença do Brasil no mercado global. Detalhes do Investimento Dessa quantia, R$ 250,2 bilhões serão oriundos de recursos públicos e destinados a linhas de crédito até 2026, enquanto o setor privado prevê aportes de R$ 296,3 bilhões até 2029. A meta de destaque do programa NIB, que engloba essas iniciativas, visa promover cadeias produtivas agroindustriais digitais e sustentáveis para garantir segurança alimentar, nutricional e energética. Metas Estabelecidas Aumentar o crescimento do PIB da agroindústria em 3% ao ano até 2026 e 6% ao ano até 2033; Elevar a mecanização da agricultura familiar para 28% em 2026 e 35% em 2033; e Expandir a tecnificação da agricultura familiar para 43% até 2026 e 66% até 2033. Essas ações incluem o uso de equipamentos e tecnologias avançadas, fundamentais para modernizar o setor. Prioridades e Ações Estratégicas O governo identificou cadeias produtivas prioritárias para alcançar essas metas, como a promoção da agricultura de precisão e o fortalecimento da produção nacional de fertilizantes, biofertilizantes e máquinas agrícolas . Além disso, parcerias com instituições como a Petrobras e a Finep fomentam o desenvolvimento tecnológico e a modernização da infraestrutura. A agricultura de precisão utiliza tecnologias para otimizar a gestão agrícola, aumentar a produtividade e promover a sustentabilidade no uso de recursos naturais. Créditos: chatgpt.com Entre os destaques está o contrato da Finep para a criação da primeira vacina de dose única contra a doença de Glässer em suínos , desenvolvido pela empresa Ouro Fino Saúde Animal, e um projeto da Lar Cooperativa Agroindustrial que explora tecnologias da Indústria 4.0 para aumentar a produtividade no processamento de alimentos. Parcerias e Impacto Econômico A Petrobras assinou um acordo para ampliar a produção de fertilizantes, enquanto o Banco do Nordeste (BNB) financiará uma nova planta de etanol de milho e sorgo em Balsas (Maranhão) com potencial para gerar mais de 350 empregos diretos. Saiba mais, aqui .

  • Senar oferece educação profissional e capacitações para atividades no campo

    O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), vinculado ao Sistema S, atende anualmente, de forma gratuita, milhares de brasileiros no campo, promovendo a qualificação e o aumento da renda, por meio de cursos de formação inicial e continuada presenciais, a distância e híbridos para cerca de 300 profissões nas diversas áreas do agronegócio. Alunos dos cursos oferecidos pelo Senar. Fonte: fdr.com.br O Portal de Educação a Distância do Senar contribui com a formação e a profissionalização das pessoas do meio rural de todo o Brasil, com a oferta de mais de 120 opções de cursos gratuitos, presenciais e a distância, que ampliam o acesso ao conhecimento e abrem oportunidades para o aumento da produtividade, da renda e da qualidade de vida dos brasileiros do campo. O Senar oferece cursos técnicos à presenciais e à distância. Créditos: freepik.com Áreas de atuação com cursos técnicos do Senar Os cursos técnicos oferecidos pelo Senar abrangem diversas áreas estratégicas do setor rural. Atualmente, estão disponíveis cursos em: Técnico em Agricultura: focado na produção sustentável e no manejo eficiente de recursos agrícolas. Técnico em Agronegócio: direcionado para quem quer atuar na gestão e comercialização na cadeia produtiva rural. Técnico em Florestas: capacita profissionais para o manejo florestal sustentável e conservação dos recursos naturais. Técnico em Fruticultura: focado na produção, manejo e comercialização de frutas de qualidade. Técnico em Zootecnia: voltado para o cuidado e manejo de animais de produção, com foco no bem-estar animal e produtividade. Confira os editais de cursos técnicos presenciais e a distância . A plataforma Senar Play oferece uma gama de capacitações gratuitas. Fonte: ead.senar.org.br Além de cursos técnicos profissionalizantes, o Senar oferece capacitações de curta duração, por meio da plataforma Senar Play . Esta conta com mais de 100 capacitações gratuitas, como: Excel Básico ; Drones: conceitos, legislação e operação ; Compostagem para Fertilização Orgânica ; Avaliação Visual da Qualidade do Solo ; Cultivo e Produção de Cana-de-Açúcar ; Educação Ambiental ; Energia Fotovoltaica ; Educação Financeira para o Produtor Rural ; e muito mais!! Não deixe a oportunidade passar: CAPACITE-SE JÁ!

  • Sancionada Lei que Fortalece o Financiamento para Agricultura Familiar

    O presidente sancionou, em 27 de novembro, uma lei que autoriza o uso do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para empréstimos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). A medida também prevê um aporte de R$ 500 milhões ao FGO para esta finalidade. O FGO garante parte dos pagamentos das dívidas dos devedores inadimplentes - Foto: Ricardo Stuckert/PR. A assinatura ocorreu em cerimônia no Palácio do Planalto, com a presença dos ministros Fernando Haddad (Fazenda) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar). Facilitação de Crédito e Garantias para Agricultores O FGO funciona como um mecanismo de garantia para os bancos, cobrindo parcelas de empréstimos não pagas. Isso reduz as barreiras para os agricultores familiares, que passam a ter acesso facilitado ao crédito. Segundo Paulo Teixeira, a medida atende a uma necessidade crítica dos pequenos produtores: “O crédito é bom, mas o agricultor muitas vezes não o utiliza porque não tem as garantias necessárias.” Incentivo à Agricultura Familiar Fernando Haddad destacou a importância da agricultura familiar para o desenvolvimento do país. Segundo ele, a iniciativa busca aumentar a produtividade dos pequenos agricultores, que enfrentam dificuldades para competir com o agronegócio. “Com o uso adequado dessas terras, a agricultura familiar poderá assumir um novo protagonismo no campo e no país”, afirmou o Ministro da Fazenda. Dados da Agricultura Familiar no Brasil A agricultura familiar é responsável por 77% dos estabelecimentos agrícolas no Brasil, abrangendo 80,9 milhões de hectares, ou 23% da área total dos estabelecimentos agropecuários. Além disso, emprega quase 70% das pessoas ocupadas na agropecuária e sustenta a economia de 90% dos municípios com até 20 mil habitantes, conforme o Censo Agropecuário de 2017, realizado pelo IBGE. A agricultura familiar representa 77% dos estabelecimentos agrícolas do país e ocupa uma extensão de área de 80,9 milhões de hectares. Créditos: leonardo.ai O Pronaf desempenha papel central nesse contexto, representando a principal fonte de financiamento para os agricultores familiares. Na safra 2023/2024, foram realizadas mais de 1,8 milhão de operações pelo programa, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). Essa iniciativa reforça o compromisso do governo com o fortalecimento da agricultura familiar, promovendo sua sustentabilidade e relevância econômica.

  • Bioinsumo de Solubilização de Fósforo da Embrapa Gera R$ 4,2 Bilhões ao Brasil em 5 Anos

    Desde o seu lançamento em 2019, a tecnologia desenvolvida pela Embrapa em parceria com a empresa Bioma, conhecida como BiomaPhos, trouxe ganhos expressivos para o agronegócio brasileiro. O BiomaPhos , um inoculante solubilizador de fosfato, possibilitou um impacto financeiro de R$ 4,2 bilhões devido ao aumento de produtividade nas lavouras, abrangendo mais de 10 milhões de hectares até a safra 2022/2023. Inicialmente aplicado em áreas de milho, o bioinsumo foi expandido para culturas como soja, cana-de-açúcar e feijão. A área de cobertura cresceu significativamente, passando de 228 mil hectares na safra 2018/2019 para quase 4 milhões de hectares em 2022/2023. Estima-se que, na safra 2023/2024, a tecnologia alcance 5 milhões de hectares. Inovação com Baixo Custo de Desenvolvimento Desenvolvido a partir de microrganismos tropicais selecionados, o BiomaPhos apresenta um custo de desenvolvimento de apenas R$ 53,3 milhões, destacando-se como um dos maiores casos de sucesso tecnológico da Embrapa. Segundo a pesquisadora Christiane Paiva, o produto utiliza bactérias do gênero Bacillus que mineralizam o fósforo orgânico presente no solo, tornando-o disponível para absorção pelas plantas. Nas áreas tratadas com BiomaPhos , os resultados são expressivos: aumento médio de 8,9% na produtividade do milho, 14% no caso da cana e 6,5% para a soja. Além disso, observou-se um incremento de 19% na exportação de fósforo para os grãos de milho e 14% para os de soja. Expansão Internacional A solução tecnológica também ganhou espaço no mercado externo. Desde 2022, o produto foi aprovado em 14 estados dos Estados Unidos, incluindo o Cinturão do Milho, e validado em países como Alemanha, Canadá, Argentina e Costa Rica. Testes no exterior demonstraram ganhos médios de produtividade de 17 sacas de milho por hectare e 10 sacas de soja por hectare. Funcionamento e Benefícios O fósforo, um nutriente essencial para as plantas, tem apenas 0,1% de sua quantidade disponível no solo para absorção imediata. O BiomaPhos age para transformar o fósforo inerte em formas utilizáveis pelas plantas por meio da ação de microrganismos que solubilizam compostos como fosfato de cálcio e ferro. Essa técnica promove maior eficiência agronômica, reduzindo a dependência de fertilizantes químicos, um dos grandes desafios do agronegócio brasileiro. Perspectivas Futuras A tecnologia, que levou mais de 19 anos para ser desenvolvida, continua em expansão. Novos testes estão sendo realizados para aplicação em culturas como sorgo, arroz e batata, com potencial para beneficiar ainda mais o setor agrícola. O Brasil, líder no consumo de biofertilizantes, busca consolidar sua posição no mercado global de bioinsumos, alinhado às metas de descarbonização da agricultura. Em 2023, o país já liderava o uso desses produtos, com uma penetração de 36%, superando regiões como União Europeia e China. Com sua eficácia comprovada e alcance crescente, o BiomaPhos representa um marco no uso de biotecnologias para o fortalecimento da agricultura sustentável no Brasil e no mundo. Fontes: Embrapa Canal Rural MAPA

  • Câmara aprova regulamentação que visa reduzir a dependência nacional de insumos agrícolas importados

    A Câmara dos Deputados aprovou, no dia 27/11/2024, a chamada Lei dos Bioinsumos. O projeto, que agora segue para apreciação do Senado, visa regulamentar a produção e o uso de produtos naturais que promovem o crescimento das plantas e a saúde animal. O Projeto de Lei (PL) 658/2021 propõe corrigir lacunas e sobreposições regulatórias, atualmente existentes na legislação, que enquadra os bioinsumos como defensivos agrícolas. Esses insumos utilizam organismos vivos, como bactérias, fungos, algas e resíduos orgânicos, em substituição a fertilizantes e defensivos químicos tradicionais. No Brasil, a soja lidera o uso de bioinsumos, com 55% do total, seguida pelo milho (27%) e pela cana-de-açúcar (12%), de acordo com dados da CropLife Brasil. Segundo o relator do projeto, deputado Sergio Souza (MDB-PR), o texto garante normas claras e não burocráticas, alinhadas às demais regulamentações do setor agropecuário. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) considera a aprovação essencial para resolver conflitos jurídicos envolvendo os bioinsumos produzidos diretamente nas propriedades rurais, os chamados bioinsumos on-farm . Caso o projeto não seja sancionado até janeiro de 2025, esses produtos poderão ser classificados como ilegais, afetando muitos agricultores. Outro ponto destacado foi a dependência brasileira de insumos agrícolas importados. Zé Vitor, autor do Projeto de Lei, afirmou que os bioinsumos são aliados na produção sustentável, favorecendo o manejo integrado de pragas e doenças. Para ele, a regulamentação incentivará ainda mais o uso dessa tecnologia, já difundida em todo o país com resultados promissores. A proposta é vista como uma estratégia para reduzir a dependência de importações e ampliar a adoção de soluções sustentáveis no agronegócio brasileiro. Bioinsumos São o produto, o processo ou a tecnologia de origem vegetal, animal ou microbiana, destinados ao uso na produção, no armazenamento e no beneficiamento de produtos agropecuários, nos sistemas de produção aquáticos ou de florestas plantadas, que interfiram positivamente no crescimento, no desenvolvimento e no mecanismo de resposta de animais, de plantas, de microrganismos e de substâncias derivadas e que interajam com os produtos e os processos físico-químicos e biológicos. Os insumos biológicos são realidade no campo e rendem bilhões de reais em economia, em razão do uso do controle biológico e da fixação biológica de nitrogênio. A busca por tecnologias sustentáveis para controlar pragas e doenças, para fazer crescer plantas e para fertilizar os solos é cada vez mais crescente no setor produtivo.  Fontes: Globo Rural Embrapa Poder 360

  • Plataforma Educacional oferta capacitações on-line desenvolvidas pela Embrapa

    A plataforma e-Campo tem como principal objetivo contribuir com o compartilhamento de conhecimento e tecnologias gerados durante as pesquisas realizadas pela Embrapa. A Embrapa, juntamente com seus parceiros, vem desenvolvendo capacitações composta por equipes multidisciplinares, e baseadas em metodologias e estratégias adequadas ao público jovem e adulto, respeitando a experiência do participante e priorizando a aplicação prática dos conteúdos. Os cursos são consideradas como "livres a distância" (uma forma de educação não-formal de duração variável) destinados à fornecer conhecimentos que contribuam para a profissionalização, qualificação e atualização. Público Alvo As capacitações do e-Campo são recomendadas para jovens a partir de 15 anos e adultos que possuem interesse em adquirir conhecimentos e habilidades relacionadas às tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e seus parceiros. A plataforma, atualmente, dispõe de mais de 100 capacitações ativas e, dentre estas, a maioria são gratuitas. Podemos destacar as seguintes capacitações ofertadas: Recuperação de Pastagens Degradadas ; Compostagem ; Cromatografia - Conceitos básicos ; Apicultura para iniciantes ; Saneamento Básico Rural ; Sistema de Plantio Direto ; Tecnologias para Agricultura de Baixo Carbono ; e muito mais ... Para saber mais, acesse a plataforma e-Campo da Embrapa.

  • II Simpósio INCT Combate à Fome: Reflexões sobre Políticas Públicas de Segurança Alimentar no Brasil

    O II Simpósio INCT Combate à Fome ocorrerá no dia 4 de dezembro de 2024, das 8h30 às 18h30, na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP. O evento é gratuito e aberto ao público, com transmissão ao vivo pelo canal da FSP-USP no YouTube . Focado em debater políticas públicas de segurança alimentar , o simpósio reunirá pesquisadores, agentes públicos e representantes da sociedade civil para abordar temas como produção agrícola sustentável , saberes contemporâneos no combate à fome e o papel da comunicação científica. O tema central será “Políticas Públicas de Segurança Alimentar no Brasil: Pesquisas para governança e transformação dos sistemas alimentares” . O simpósio será dividido em três mesas de debate , além de palestras, exposições científicas e uma feira de agricultores. A programação completa pode ser acessada clicando aqui . Destaques da Programação Abertura (8h30) : Apresentação do evento. Palestra Magna (9h) : Shining a light on food systems monitoring and governance , com Jessica Fanzo (Columbia Climate School, EUA). Mesa 1 (9h30) : Tema: Produção Agrícola Sustentável no Brasil: Desafios internos e externos . Coordenadores: Sílvia Helena Galvão de Miranda (Esalq/USP) e Antonio Mauro Saraiva (IEA/USP). Palestras sobre pesquisa agropecuária e o papel dos produtores familiares. Mesa 2 (14h) : Tema: Saberes Contemporâneos para o Enfrentamento da Má-Alimentação . Discussão sobre indicadores climáticos, desigualdades e a transformação dos sistemas alimentares. Mesa 3 (16h) : Tema: Comunicação, Educação e Difusão Científica no Combate à Fome e Promoção da Saúde . Participação de especialistas da Argentina e Brasil para debater educação alimentar e soberania alimentar. Encerramento (18h30) : Apresentação de resultados das atividades do INCT. Sobre o INCT Combate à Fome O evento é organizado pelo INCT Combate à Fome, uma iniciativa transdisciplinar vinculada ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a FSP-USP e a Capes. O projeto busca estratégias inovadoras e políticas públicas para garantir o direito humano à alimentação adequada, com apoio de ferramentas como inteligência artificial . Serviço 📅 Data: 4 de dezembro de 2024 📍 Local: Anfiteatro Paula Souza, Faculdade de Saúde Pública da USP 💻 Online: Transmissão no YouTube 💡 Para mais informações, acesse o site do evento .

  • Escassez Hídrica e Saúde: Impactos e Soluções Propostas por Paulo Saldiva

    A crise hídrica, intensificada pelas mudanças climáticas, preocupa especialistas como o professor Paulo Saldiva, que destacou os efeitos da seca e da redução no fornecimento de água durante sua coluna na Rádio USP. Segundo Saldiva, a escassez hídrica traz consigo um problema adicional: a piora na qualidade da água. As projeções indicam um agravamento desse cenário já no próximo ano, especialmente no Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, com impacto direto na saúde pública. “O cenário não é bom. Algumas regiões, na região de Sorocaba, de Piracicaba, já trabalhamos com níveis de estresse hídrico muito grande, e a Região Metropolitana de São Paulo vai buscar água cada vez mais longe e de forma cada vez mais cara.”- ressalta o Prof. Saldiva. A diminuição do volume disponível reduz a capacidade de diluir resíduos, intensificando a concentração de poluentes nos corpos d'água. Além disso, em situações de crise, muitas pessoas recorrem a fontes alternativas, como poços contaminados por esgoto ou resíduos industriais, elevando os riscos à saúde. Nos períodos de seca e baixa oferta hídrica, há um aumento significativo de doenças transmitidas pela água. "A saúde acaba sendo a última barreira para tratar os problemas, mas as respostas efetivas estão nas políticas públicas e em mudanças de comportamento", alerta o professor. Soluções Propostas Para Saldiva, o enfrentamento da crise hídrica exige ações estruturais e culturais. Entre as medidas citadas estão: Reuso de Água : Incentivar o reaproveitamento de recursos hídricos como forma de mitigar a escassez. Construção de Reservatórios : Ampliar a capacidade de armazenamento e manejo da água. Educação e Conscientização : Promover uma mudança cultural, deixando de tratar a água como um recurso inesgotável e adotando hábitos de consumo mais sustentáveis. Melhoria do Tratamento de Esgoto : Investir em tecnologias para destinação e tratamento adequado dos resíduos sanitários. Um Chamado à Sustentabilidade O professor enfatiza que o acesso à água não será extinto, mas se tornará cada vez mais difícil, exigindo uma preparação antecipada para evitar colapsos futuros. Ele conclui que a solução passa por aumentar a sustentabilidade do sistema e ajustar hábitos de consumo, com foco em políticas sistêmicas que priorizem a preservação ambiental e a saúde coletiva. Paulo Saldiva foi membro do comitê que estabeleceu os padrões de qualidade do ar e do comitê que definiu o potencial carcinogênico da poluição atmosférica, ambos da Organização Mundial de Saúde. Para saber mais sobre esse e outros assuntos, acesse aqui .

  • 1ª Exposição Internacional de Máquinas Agrícolas da China é Realizada em Mato Grosso

    O evento marca os 50 anos de relações diplomáticas entre Brasil e China e busca fortalecer os laços entre os dois países no setor agroindustrial. O estado de Mato Grosso será o palco da 1ª Exposição Internacional de Máquinas Agrícolas da China (Ciame) no Brasil, que ocorrerá entre os dias 26 e 28 de novembro na cidade de Primavera do Leste. Organizado pelo Ministério de Comércio da República Popular da China e coordenado pela empresa Nanguang, o evento conta com o apoio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec). A iniciativa visa apresentar as mais recentes inovações em agricultura digital e inteligente, além de promover o intercâmbio de conhecimentos entre empresários e produtores rurais sobre tendências e desafios do setor. A exposição será realizada no estacionamento da empresa LongPing High-Tech , reunindo mais de 30 expositores e oferecendo entrada gratuita ao público. O secretário de Desenvolvimento Econômico, César Miranda, destacou a relevância do evento para o estado: “Este evento é uma oportunidade para continuar fortalecendo a imagem mato-grossense. Nossa agricultura é uma das mais produtivas e inovadoras do mundo. Eventos como esse são fundamentais para impulsionar a troca de experiências e o avanço tecnológico no setor.” Além disso, Miranda enfatizou que a realização de eventos internacionais faz parte da estratégia do Governo de Mato Grosso para expandir a competitividade dos produtos agrícolas locais no mercado global, consolidando a exportação de commodities e incentivando o crescimento econômico do estado. A 1ª Exposição Internacional de Máquinas Agrícolas da China promete ser um marco tanto para o setor agroindustrial mato-grossense quanto para a ampliação das relações comerciais entre Brasil e China. Para saber mais, acesse aqui .

  • Desafios do G20 no Enfrentamento à Transformação dos Sistemas Alimentares Globais

    A segurança alimentar é uma das principais questões enfrentadas globalmente, e o papel do G20 na reformulação dos sistemas alimentares é essencial para mitigar a fome no mundo. O G20 , fórum internacional de cooperação econômica fundado em 1999, é uma plataforma que reúne as maiores lideranças globais para debater temas fundamentais ao desenvolvimento socioeconômico mundial. Sob a presidência brasileira neste ano, o Rio de Janeiro recebe eventos importantes como o Urban 20 (U20), o G20 Social e a Cúpula dos Líderes do G20. Entre os principais assuntos em discussão estão a inclusão social, combate à fome, mudanças climáticas e a reforma das instituições globais de governança. Segundo especialistas, isso requer políticas voltadas para a sustentabilidade, como a redistribuição de subsídios agrícolas para práticas mais sustentáveis e a promoção de tecnologias que aumentem a eficiência do uso da terra. Durante a presidência do Brasil, o tema da segurança alimentar deverá ocupar uma posição central nas discussões do grupo. O Brasil enfrenta desafios significativos: em 2022, mais de 125 milhões de brasileiros estavam em situação de insegurança alimentar, incluindo 33 milhões em fome extrema. Paralelamente, 26,8% da população adulta sofre de obesidade, conforme dados do IBGE. Globalmente, o cenário não é diferente: mais de 700 milhões de pessoas passam fome, enquanto dietas monótonas e alimentos ultraprocessados contribuem para a obesidade mundial. Este problema é agravado por sistemas alimentares ineficientes, que causam desperdício de recursos e prejudicam o meio ambiente. Uma alternativa promissora para enfrentar esses desafios é o reaproveitamento de áreas de pastagem improdutivas. Transformar essas áreas em sistemas agroflorestais ou em terrenos para agricultura sustentável pode aumentar a produção de alimentos saudáveis e diversificados, reduzir a pressão sobre o meio ambiente e fortalecer as economias locais. Além disso, a diversificação de culturas agrícolas reduz a dependência de monoculturas, que são mais suscetíveis a pragas, mudanças climáticas e degradação do solo. Os debates no G20 podem ser determinantes para incentivar mudanças nos sistemas alimentares e implementar políticas que favoreçam uma produção mais sustentável e uma distribuição justa. Para isso, é necessário integrar as preocupações ambientais, sociais e econômicas em um esforço global coordenado. Ao colocar a segurança alimentar no centro de suas decisões, o G20 pode redefinir os paradigmas globais, provando que é possível alimentar o mundo de forma sustentável. Fonte: Jornal da USP

  • Centros de Estudos da USP Reafirmam o Papel da Universidade no Cenário Global

    A Universidade de São Paulo (USP) dá um passo significativo para alinhar suas atividades acadêmicas às demandas globais com a criação de Centros de Estudos multidisciplinares. A Revista USP, em sua edição de número 143, homenageia os 90 anos da Universidade de São Paulo, a maior universidade do país e, segundo inúmeras classificações internacionais, uma das mais importantes do mundo. Diversos artigos elaborados sobre temas como inovação, agendas globais e o futuro da pesquisa no mundo foram reunidos em uma coluna: dossiê ciência no Brasil “É papel fundamental da Universidade engajar a ciência brasileira no desenvolvimento de novas frentes de pesquisa. As conferências e atividades dos encontros acadêmicos sobre ‘O futuro da ciência no Brasil’ cumprem esse papel e objetivam manter a USP alinhada com o que de mais relevante as universidades produzem no mundo” (Carlos Gilberto Carlotti Junior, Reitor da Universidade de São Paulo). Com um modelo inspirado nas melhores universidades do mundo, os Centros de Estudos, criados a partir de 2023 e vinculados à reitoria, concentram-se na pesquisa, ensino e extensão, promovendo conexões com o governo, o setor privado e a sociedade civil. Além disso, visam abordar desafios globais como sustentabilidade, saúde, mudanças climáticas e inovação tecnológica, contribuindo para as metas estabelecidas pela ONU na Agenda 2030. Os primeiros oito centros incluem iniciativas em áreas estratégicas como: Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC) Missão : Coordenar iniciativas para promover uma agricultura tropical sustentável, integrando pesquisa, inovação e impacto social. Destaques : Projetos como a domesticação da macaúba , que transforma áreas degradadas em polos de bioenergia. Criação do Selo Verde Brasil , certificando produtos sustentáveis com competitividade global. Impacto direto em múltiplos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), como erradicação da fome e mitigação de mudanças climáticas. Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON) Missão : Avançar a agricultura de baixo carbono, desenvolvendo práticas inovadoras para mitigar mudanças climáticas. Destaques : Pesquisa interdisciplinar sobre sequestro de carbono em solos agrícolas. Publicação de estudos de alto impacto e colaboração com instituições globais. Desenvolvimento de tecnologias para captura de carbono e capacitação de profissionais para práticas sustentáveis. Centro de Estudos Amazônia Sustentável (CEAS) Missão : Combater a tripla crise planetária (clima, biodiversidade e poluição) através de ciência integrada e conhecimento indígena. Destaques : Parcerias com instituições amazônicas como a UFPA e o Instituto Mamirauá. Foco em soluções inovadoras para conservação, restauração ecológica e justiça socioambiental. Construção de uma agenda científica para fortalecer a resiliência da Amazônia e mitigar impactos climáticos. Centro de Estudos em Inteligência Artificial e Aprendizado de Máquina (CIAAM) Missão : Colocar a USP como líder em inteligência artificial (IA) e aprendizado de máquina (AM) no Brasil e no mundo. Destaques : Integração de grupos de pesquisa com instituições internacionais, como o Turing Institute e o Mila. Projetos em áreas como cidades inteligentes, saúde e educação, com forte impacto social. Promoção de cursos abertos, incluindo um recente que atraiu mais de 35 mil inscritos. Centro de Estudos de Gases de Efeito Estufa (RCGI) Missão : Liderar pesquisas e inovações tecnológicas voltadas à mitigação de gases de efeito estufa (GEE). Destaques : Desenvolvimento de tecnologias como bioenergia com captura de carbono (BECCS) e produção de hidrogênio verde. Instalações pioneiras, como a primeira planta piloto de hidrogênio derivado de etanol. Fortalecimento do Brasil como referência global em tecnologias de descarbonização. Centro Observatório das Instituições Brasileiras (COI) Missão : Analisar e aprimorar as instituições brasileiras, formal e informalmente, por meio de pesquisas interdisciplinares. Destaques : Foco em temas como gênero, saúde, segurança pública e sustentabilidade. Eventos como “As Mulheres e as Instituições”, que destacam desigualdades e promovem soluções para carreiras científicas e jurídicas. Produção de pesquisas que conectam democracia, cultura e desenvolvimento sustentável. Centro USP-China Missão : Fomentar parcerias entre a USP e instituições chinesas em áreas prioritárias como saúde, sustentabilidade e big data. Destaques : Colaboração estratégica com universidades de destaque na China, como Tsinghua e a Academia Chinesa de Ciências. Projetos em segurança alimentar, mudanças climáticas e inovação tecnológica. Papel de liderança do Brasil na articulação acadêmica entre o Sul Global e a China. Centro de Estudos e Tecnologias Convergentes para Oncologia de Precisão (C2PO) Missão : Promover inovações no diagnóstico e tratamento do câncer, com foco em soluções acessíveis ao Sistema Único de Saúde (SUS). Destaques : Utilização de tecnologias como genômica, imunoterapia e inteligência artificial para diagnósticos precisos. Criação de materiais educativos e campanhas contra preconceitos sobre o câncer. Colaboração em tratamentos avançados, incluindo terapia celular e nanotecnologia. Com essas iniciativas, a USP reforça sua missão de utilizar o conhecimento como ferramenta de transformação social e ambiental. O modelo integrado e sustentável solidifica a posição da universidade como referência em ciência e tecnologia no Brasil e no mundo. Para saber mais sobre os Centros de Estudos da USP, veja aqui.

  • Coordenador do STAC afirma que a Conectividade Rural tem impactos sustentáveis significativos nas esferas econômica, social e ambiental

    O professor Durval Dourado Neto, titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), destaca-se como uma referência no desenvolvimento de tecnologias voltadas para a conectividade e sustentabilidade no setor agrícola. Com uma carreira dedicada a pesquisas inovadoras, ele foi recentemente premiado pela Fundação Bunge de 2024 pelo impacto de seu trabalho na área de conectividade rural, reconhecendo sua contribuição para um setor agrícola mais moderno e interconectado. Formado em Engenharia Agronômica pela Universidade Federal de Viçosa e com especializações e pós-doutorado em instituições renomadas, como o International Centre for Theoretical Physics (ICTP) e a Universidade da Califórnia, Dourado Neto dedica-se a projetos que buscam ampliar o acesso à internet e à tecnologia nas áreas rurais. Em sua visão, a conectividade rural não apenas otimiza a produção agrícola e a gestão das propriedades, mas também transforma o ambiente rural ao possibilitar avanços significativos na educação, geração de emprego e preservação ambiental. À frente do Grupo de Políticas Públicas (GPP) e do Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC), ambos vinculados à USP, o professor trabalha com uma equipe multidisciplinar para caracterizar as demandas de conectividade rural e fornecer subsídios importantes para o desenvolvimento de políticas públicas. Esses dados são utilizados pelo governo federal para ampliar a infraestrutura de internet no campo, facilitando o uso de ferramentas digitais e o acesso a insumos que potencializam a produtividade e reduzem custos operacionais no agronegócio. Durval Dourado Neto ressalta que a conectividade no campo traz impactos profundos nas esferas econômica, social e ambiental. Por meio da inclusão digital, ele acredita que é possível criar um ambiente rural mais sustentável e competitivo, capaz de atrair novas gerações e melhorar a qualidade de vida das comunidades rurais. A ampliação da conectividade também facilita o monitoramento de recursos naturais e promove o uso mais eficiente de insumos, contribuindo para uma agricultura mais sustentável e menos impactante ao meio ambiente. "Com o avanço dos estudos, é possível identificar as lacunas e contribuir para alternativas de aumento de produtividade, com menor impacto ambiental, maior geração de emprego e melhoria da educação e renda e, consequentemente, da qualidade de vida." - afirma o Coordenador do STAC e do GPP. Seu trabalho, segundo o professor, vai além da geração de conhecimento técnico. Ele afirma que a premiação incentiva a continuidade de estudos que apresentam benefícios reais para a sociedade, promovendo uma transformação inclusiva no campo e fortalecendo a conexão entre o setor agrícola e as tecnologias digitais. Este reconhecimento destaca a importância de uma agricultura conectada e moderna para o futuro do setor no Brasil, onde a conectividade rural emerge como um elemento-chave para a sustentabilidade e a inovação no agronegócio.

  • Agricultura Regenerativa apresenta caminhos para sustentabilidade no campo

    Com foco na regeneração do solo, no aumento da biodiversidade e na promoção da sustentabilidade, a agricultura regenerativa se destaca como uma alternativa que vai além da simples manutenção dos sistemas agrícolas, oferecendo uma nova visão para o futuro da produção sustentável. Diferentemente da agricultura convencional, que visa controlar os impactos negativos, a agricultura regenerativa busca ativamente recuperar e melhorar as condições do solo e do ecossistema agrícola. Esse conceito, introduzido na década de 1980 pelo americano Robert Rodale, se popularizou como resposta aos desafios ambientais e climáticos que hoje ameaçam a produção agrícola global. Com o crescimento da demanda por alimentos e a pressão sobre os recursos naturais, técnicas de conservação e regeneração do solo, como o plantio direto, o uso de bioinsumos e a integração de sistemas agroflorestais, estão se tornando indispensáveis. No Brasil, onde o clima pode variar entre períodos de seca intensa e fortes chuvas, as práticas regenerativas também ajudam a mitigar os efeitos das mudanças climáticas e a reduzir a erosão dos solos. Práticas Regenerativas Um dos pilares da agricultura regenerativa é a rotação de culturas, prática que envolve alternar o cultivo de diferentes plantas na mesma área ao longo dos ciclos agrícolas. A rotação evita a exaustão dos nutrientes do solo, melhora a saúde da microbiota e ajuda a controlar naturalmente as pragas e doenças, reduzindo a dependência de pesticidas. Quando combinada com o plantio direto — técnica que minimiza o revolvimento do solo — a rotação de culturas contribui para a preservação da estrutura e da fertilidade do solo. Além disso, a cobertura vegetal (ou palhada) plantada entre as safras principais, protege o solo contra a erosão e melhora sua estrutura ao fornecer matéria orgânica. Este manejo conserva a umidade, aumenta a fertilidade e cria um habitat para organismos benéficos ao solo, como bactérias e fungos, fundamentais para o ciclo de nutrientes. Outro ponto central da agricultura regenerativa é a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), prática que traz animais para o sistema agrícola, seja para pastagem rotativa ou para uso conjunto com culturas e árvores. Essa técnica amplia a fertilidade do solo, promove o controle natural de pragas e aumenta a diversidade ecológica da área. O resultado é um sistema produtivo mais equilibrado e resiliente, capaz de responder melhor a eventos climáticos extremos e flutuações de mercado. Saúde do Solo Ao promover práticas que preservam a microbiota e aumentam a quantidade de matéria orgânica, a agricultura regenerativa transforma o solo em um "estoque de carbono". Esse processo não só melhora a fertilidade, mas também contribui para a captura de carbono da atmosfera, um benefício ambiental significativo em tempos de aquecimento global. Esse cuidado com o solo não apenas assegura a produtividade imediata, mas também cria condições para uma produção sustentável a longo prazo, com menor dependência de insumos externos e maior resistência a condições climáticas adversas. Sustentabilidade A sustentabilidade é o cerne da agricultura regenerativa, que visa não apenas a produção de alimentos, mas a proteção dos recursos naturais e o fortalecimento da resiliência econômica dos agricultores. Ao integrar técnicas que promovem a saúde do solo e reduzem as emissões de gases de efeito estufa, a agricultura regenerativa contribui para a mitigação das mudanças climáticas, ao mesmo tempo que proporciona maior segurança alimentar e estabilidade econômica aos produtores. E o futuro? Com incentivos à sustentabilidade e ao uso de tecnologias que ajudam a preservar o solo, a agricultura regenerativa pode se tornar um modelo para o futuro da produção de alimentos, ao oferecer, não apenas um caminho para a sustentabilidade, mas uma visão de futuro em que a produção de alimentos anda lado a lado com a preservação dos recursos naturais e o bem-estar das comunidades agrícolas. Empresas de fertilizantes e bioinsumos, por exemplo, têm apoiado a transição para práticas mais sustentáveis, desenvolvendo produtos que nutrem as plantas e aumentam a resiliência dos solos. O Brasil, com sua rica diversidade ambiental e agrícola, tem potencial para liderar esse movimento e se consolidar como um exemplo de agricultura sustentável no cenário global. Fontes: Embrapa e Nutrição de Safras

  • "Desertos e Pântanos Alimentares": Mapeamento identifica áreas de difícil acesso à alimentos saudáveis

    Ferramenta, lançada recentemente, não apenas identifica regiões chamadas de “desertos alimentares” e “pântanos alimentares,” mas também fornece subsídios para políticas públicas que possam identificar essas zonas e possibilitar um olhar mais estratégico para o planejamento de políticas de segurança alimentar. O Brasil enfrenta uma batalha constante contra a fome e a insegurança alimentar. Nesse contexto, a iniciativa “Alimenta Cidades” surge como uma plataforma estratégica e inovadora, buscando mapear e compreender as áreas de vulnerabilidade alimentar do país. Estima-se que mais de 64 milhões de brasileiros serão diretamente beneficiados com a implementação de estratégias planejadas a partir dos dados gerados pela plataforma. Mapeamento e desenvolvimento do "Alimenta Cidades" A plataforma foi criada com o objetivo de identificar e analisar desertos e pântanos alimentares — áreas onde a população tem acesso limitado a alimentos frescos, saudáveis e acessíveis. Os desertos alimentares são regiões onde há escassez de estabelecimentos que oferecem frutas, verduras, legumes e outros produtos in natura, essenciais para uma dieta balanceada. Já os pântanos alimentares são áreas onde há uma alta concentração de estabelecimentos que vendem alimentos ultraprocessados e de baixo valor nutricional, contribuindo para a má nutrição e doenças crônicas. O mapeamento desses locais é fundamental, pois revela onde a população enfrenta barreiras para manter uma alimentação saudável. O Grupo de Políticas Públicas ( GPP ), vinculado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), vem desenvolvendo projetos de análise territorial, avaliação, proposição e monitoramento de políticas públicas voltadas à interface agricultura, meio ambiente e sociedade. Coordenado pelo Professor Durval Dourado Neto , Professor titular da Esalq/USP, o grupo atualizou, e incrementou com novos dados, o mapeamento de desertos alimentares, iniciado em 2018 pela Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan). Segundo a Agência Brasil, a plataforma "Alimenta Cidades" utiliza dados atualizados e técnicas avançadas para identificar essas zonas e possibilitar um olhar mais estratégico para o planejamento de políticas de segurança alimentar. Por meio dessas informações, é possível entender a distribuição geográfica da insegurança alimentar e mobilizar recursos para transformar essas realidades. Impacto Social e Políticas de Segurança Alimentar O “Alimenta Cidades” é mais que uma ferramenta digital; é um movimento que visa transformar o cenário da segurança alimentar no país. No segundo encontro da estratégia, realizado em outubro de 2024, foi anunciado que a iniciativa pretende beneficiar diretamente milhões de brasileiros, integrando ações com governos locais, estaduais e federal para fortalecer cadeias de produção e distribuição de alimentos saudáveis e acessíveis. A partir dos dados fornecidos pela plataforma, políticas mais assertivas e localizadas podem ser desenvolvidas para garantir que comunidades vulneráveis tenham acesso a alimentos de qualidade e a preços justos. Um dos principais focos do projeto é o incentivo à produção e comercialização de produtos da agricultura familiar. A estratégia visa fortalecer a presença de alimentos frescos nas regiões mapeadas como desertos alimentares, além de promover parcerias entre produtores locais e estabelecimentos comerciais. Com isso, o programa estimula a economia local e contribui para que o acesso a alimentos saudáveis seja uma realidade para um número crescente de brasileiros. Desafios e Perspectivas para o Futuro Implementar ações efetivas em desertos e pântanos alimentares requer um esforço conjunto de diversas esferas do governo e da sociedade civil. Os desafios vão desde a infraestrutura para o escoamento da produção até a conscientização sobre os benefícios de uma alimentação saudável e equilibrada. Segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, uma das metas do programa é não apenas mitigar a insegurança alimentar, mas criar condições para que as famílias possam adotar hábitos alimentares sustentáveis a longo prazo. Com o uso da tecnologia para entender a geografia da fome no Brasil, a plataforma Alimenta Cidades tem o potencial de transformar a forma como o país encara e combate a insegurança alimentar. Espera-se que, com o desenvolvimento contínuo desse projeto, haja uma diminuição significativa dos desertos e pântanos alimentares no Brasil, tornando a alimentação saudável um direito acessível a todos.

  • ESALQ promove evento para estudantes do ensino médio

    No último dia 07/11 foi realizado um "dia de campo" com alunos da Escola Técnica Estadual Coronel Fernando Febeliano da Costa (ETEC Febeliano), organizado por professores e Grupos de Estudos ligados ao Departamento de Produção Vegetal (LPV) da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) . O I Circuito da Soja, Cana e Sementes teve o propósito de transmitir informações sobre a importância econômica, identificação morfológica das plantas in loco nos canteiros, bem como conhecer subprodutos relacionados a essas culturas e entender sobre aspectos das sementes que dão início ao processo de formação da planta. Os 34 alunos da instituição de ensino médio foram recebidos por docentes da Esalq, especializados nessa área, e por alunos do Grupo de Estudos em Cana-de-Açúcar ( GECA ), do Grupo de Estudos em Soja ( GES ) e do Grupo de Tecnologia de Sementes ( GTS ). Foram realizadas explanações teóricas para os alunos sobre a origem, formas de cultivo e aplicações comerciais da soja e da cana. Além disso, os estudantes participaram de dinâmicas e fizeram uma visita ao Departamento de Sementes. Esta iniciativa alinha-se com os 12 objetivos estratégicos definidos pela Universidade de São Paulo (USP) para serem implementados até o final do próximo ano, tendo em vista a redação do objetivo estratégico de número 11 - "Aprimorar a divulgação das atividades de cultura e extensão da USP para a sociedade." Fontes: Esalq Net e Jornal da USP

  • Aeronave supersônica é projetada para operar com Combustível de Aviação Sustentável

    Apostando em Combustível de Aviação Sustentável (SAF), Overture, da Boom Supersonic, visa a neutralidade de carbono até 2025, combinando avanços tecnológicos com impactos positivos para a economia e o meio ambiente. A Boom Supersonic, empresa inovadora sediada nos Estados Unidos, está desenvolvendo o Overture, um jato supersônico projetado para atingir o dobro da velocidade dos aviões comerciais atuais e, ao mesmo tempo, operar com 100% de Combustível de Aviação Sustentável (SAF). Com capacidade para transportar até 80 passageiros, o Overture representa um avanço significativo no compromisso da indústria aérea com a sustentabilidade, combinando inovação e redução de impacto ambiental, e promete benefícios expressivos para a economia global. Benefícios Ambientais e Desafios do Supersônico A principal vantagem ambiental do Overture será a diminuição drástica de emissões em voos comerciais de alta velocidade. Contudo, a aviação supersônica em si ainda levanta preocupações: voar a altitudes mais elevadas significa que poluentes como óxidos de nitrogênio têm potencial para afetar diretamente a camada de ozônio e agravar o aquecimento global​. A Boom Supersonic, consciente desse desafio, procura equilibrar esses impactos com a utilização exclusiva de SAF, que libera menos partículas prejudiciais e contribui para um voo mais limpo em comparação com os combustíveis fósseis. Avanços na Tecnologia do SAF A tecnologia de Combustível de Aviação Sustentável (SAF) utiliza fontes renováveis e resíduos orgânicos, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa em até 80% ao longo do ciclo de vida, em comparação com o querosene convencional. O Overture é um exemplo da aplicabilidade do SAF na aviação comercial supersônica, mostrando que a velocidade não precisa ser sinônimo de altos índices de poluição. Impactos Econômicos do SAF O desenvolvimento do SAF também impulsiona a economia verde, gerando empregos e oportunidades em setores variados, como o agronegócio, o tratamento de resíduos e as energias renováveis. De acordo com estudos da Chooose, empresa de soluções climáticas, a demanda pelo SAF poderá gerar novos empregos em países produtores e transformar resíduos agrícolas em biocombustíveis de alto valor​. Isso inclui a produção de matérias-primas como óleos vegetais e resíduos agrícolas, que são refinados para se tornarem combustível de aviação. Por outro lado, o custo do SAF ainda é um desafio: ele pode ser de três a cinco vezes mais caro que o querosene tradicional, um fator que, embora represente um custo elevado para as companhias aéreas, também abre caminhos para novos investimentos e subsídios governamentais que podem tornar o SAF mais acessível ao longo do tempo​. Macaúba: Fonte Promissora do SAF A macaúba, uma palmeira nativa do Brasil, desponta como uma fonte promissora para a produção de SAF, aproveitando seu alto rendimento de óleo vegetal e seu potencial de cultivo sustentável em áreas de pastagens degradadas. O óleo da macaúba é rico em ácidos graxos, essenciais para a produção de biocombustíveis de alta qualidade, como o combustível de aviação sustentável. Esse cultivo não só favorece a recuperação do solo e a biodiversidade, mas também promove o desenvolvimento econômico em regiões rurais, criando uma cadeia de produção alinhada com a conservação ambiental. A introdução do SAF a partir da macaúba no mercado de aviação coloca o Brasil em posição estratégica para atender à crescente demanda por biocombustíveis, impulsionando práticas agrícolas sustentáveis enquanto contribui para a redução das emissões de carbono no setor aéreo. Perspectivas Futuras para o Setor Aéreo Sustentável Com o Overture e outros desenvolvimentos, a Boom Supersonic está colaborando com governos e instituições de pesquisa para acelerar a produção e a acessibilidade do SAF. A meta é que, até o final da década, uma proporção significativa de voos de longa distância seja movida por biocombustíveis sustentáveis. A esperança é que os avanços nessa área fomentem um ciclo virtuoso: com maior demanda por SAF, os custos podem ser reduzidos, facilitando o acesso e a adoção em larga escala. O impacto ambiental e econômico do SAF reflete uma tendência cada vez mais visível na aviação: a busca por soluções que minimizem o impacto ambiental ao mesmo tempo em que se promovem avanços tecnológicos significativos. O Overture é um dos principais exemplos desse movimento, mostrando que, com inovação, a indústria da aviação pode se alinhar a práticas mais ecológicas sem sacrificar a performance. Fontes: NBAA: Boom Supersonic Aims for Net-Zero Carbon by 2025 / Chooose: Benefits of Sustainable Aviation Fuel (SAF) / Inside Climate News: Supersonic Aviation and Climate Change

  • Embrapa e UFRRJ: práticas agrícolas sustentáveis na manutenção da porosidade do solo do Cerrado

    Pesquisa apresentada na XXI Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água , serve como um guia para produtores e técnicos que buscam adotar práticas agrícolas que visam a recuperação de pastagens degradadas, especialmente em ecossistemas sensíveis como o Cerrado, onde a sustentabilidade da produção agrícola depende diretamente da preservação dos recursos naturais. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) e da Embrapa em áreas do Cerrado, revelou a importância das práticas agrícolas sustentáveis na manutenção da porosidade do solo. A pesquisa demonstrou como essas práticas são essenciais para a preservação de características naturais do solo, como a porosidade e a agregação, mesmo em áreas cultivadas, comparando-as com regiões de mata nativa. Entre as práticas destacadas, o manejo adequado de pastagens degradadas foi um dos principais fatores que contribuiu para a recuperação do solo. O Papel das Pastagens Bem Manejadas O estudo focou em três sistemas de manejo agrícola, incluindo a pastagem produtiva com capim mombaça. Os resultados mostraram que a conservação da porosidade do solo é possível através de técnicas como a rotação de piquetes e o controle da taxa de lotação animal. Essas práticas permitem que as pastagens tenham tempo de recuperação, evitando a compactação do solo causada pelo pisoteio do gado. Além disso, promovem o desenvolvimento de raízes mais profundas e robustas, que são fundamentais para o aumento da matéria orgânica no solo, o que melhora sua estrutura e a capacidade de infiltração de água. Segundo o pesquisador da Embrapa Solos, David Campos , o controle da lotação animal é crucial para evitar danos à porosidade do solo: "A rotação de piquetes oferece períodos de descanso para a pastagem, permitindo que o sistema radicular se fortaleça e, consequentemente, melhore a qualidade do solo", explica Campos. Plantio Direto como Alternativa Sustentável Outro ponto de destaque da pesquisa foi a eficácia do plantio direto no controle da compactação do solo. A prática, utilizada em áreas de cultivo de milho, mostrou que a ausência de maquinário pesado e o intervalo entre colheitas ajudam a manter a estrutura do solo intacta, favorecendo a infiltração de água e o crescimento das raízes. Isso contribui diretamente para a recuperação de áreas anteriormente degradadas e para a manutenção da produtividade. Sustentabilidade e Preservação do Cerrado O bioma Cerrado, conhecido por sua rica biodiversidade, é também altamente vulnerável às práticas agrícolas inadequadas, que podem levar à compactação do solo e à redução da capacidade de infiltração de água. A pesquisa reforça que o manejo adequado do solo, incluindo a recuperação de pastagens degradadas, é vital para a sustentabilidade desse ecossistema e para a longevidade da produção agrícola na região. Érika Pinheiro , pesquisadora da UFRRJ, enfatiza a importância da densidade do solo na manutenção de sua saúde: “Solos compactados perdem a capacidade de suportar o crescimento radicular e a emergência das plantas, o que afeta diretamente a produtividade agrícola no Cerrado”, explica. Conclusões e Impactos para o Setor Agrícola Os resultados deste estudo trazem uma mensagem clara para o setor agrícola: é possível conciliar produção e conservação ambiental. Práticas sustentáveis, como o manejo correto de pastagens e o uso de sistemas de plantio direto, podem manter a qualidade do solo em níveis semelhantes aos das áreas nativas, garantindo a viabilidade econômica e a saúde ambiental no longo prazo. A pesquisa, apresentada na XXI Reunião Brasileira de Manejo e Conservação do Solo e da Água, serve como um guia para produtores e técnicos que buscam adotar práticas agrícolas mais sustentáveis e garantir a recuperação de pastagens degradadas. Isso é especialmente relevante em ecossistemas sensíveis como o Cerrado, onde a sustentabilidade da produção agrícola depende diretamente da preservação dos recursos naturais. A adoção dessas práticas aponta para um futuro em que a produção agrícola pode ser realizada em harmonia com a natureza, garantindo tanto a segurança alimentar quanto a conservação do solo para as próximas gerações. Mais informações em: https://www.canalrural.com.br/agricultura/pesquisa-destaca-como-praticas-agricolas-sustentaveis-mantem-a-porosidade-do-solo-no-cerrado/

  • Brasil desponta como líder em pesquisa para agricultura sustentável

    A agricultura brasileira, peça-chave na economia e na segurança alimentar global, está no centro de uma produção científica que aponta caminhos para agricultura sustentável no Brasil e sugere coordenação de instituições para avanço do setor. O Brasil, uma das maiores potências agrícolas do mundo, vem ocupando uma posição estratégica no desenvolvimento sustentável global. Com produção de alimentos que abastece não apenas o mercado interno, mas também diversas nações, o país tem o desafio de equilibrar crescimento econômico, proteção ambiental e demandas sociais. Em um estudo recente publicado na revista científica Sustainability , pesquisadores brasileiros realizaram uma análise bibliométrica das publicações científicas do país relacionadas à agricultura e sustentabilidade, revelando uma trajetória de crescimento na área e destacando instituições e autores de maior influência. A pesquisa, conduzida por uma equipe de universidades brasileiras, analisou 3.139 artigos publicados entre 2000 e 2022 por 21.380 autores. Segundo o estudo, o termo "sustentabilidade" experimentou expansão em uso, desdobrando-se em temas correlatos como "agricultura sustentável" e "intensificação sustentável". A “integração lavoura-pecuária” e a “agrofloresta” também se destacaram como práticas de grande relevância para o desenvolvimento de estudos futuros, enfatizando a importância de sistemas agrícolas que respeitem o equilíbrio ambiental. A importância das universidades e da pesquisa colaborativa A Universidade de São Paulo (USP) liderou o volume de publicações, com cerca de 33% dos estudos , seguida pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Essas instituições representam mais da metade da produção científica brasileira na área e, de acordo com os autores, poderiam coordenar iniciativas de pesquisa colaborativa que envolvam diferentes estados e até outros países. A pesquisa destaca que a criação de grupos de estudo multicolaborativos facilitaria o desenvolvimento de políticas públicas mais participativas e abrangentes. “Com a participação de várias universidades e centros de pesquisa, o Brasil pode estabelecer uma base sólida de conhecimento científico aplicada às políticas públicas” , sugerem os pesquisadores. Eles afirmam que esses grupos, ao integrar conhecimento técnico e experiências locais, poderiam propor soluções inovadoras para problemas ambientais e socioeconômicos que afetam o setor agrícola. Desafios e oportunidades para uma agricultura sustentável Embora o Brasil se destaque em várias frentes agrícolas, como na produção de soja, carne e café, o modelo agrícola atual também é apontado como um contribuinte significativo para a emissão de gases de efeito estufa e para o consumo de recursos hídricos e energéticos em larga escala. Em resposta a essas preocupações, os autores observam que o país tem um crescente interesse em práticas sustentáveis, como o uso de biofertilizantes e técnicas de integração entre lavoura e pecuária. A análise sugere que, ao priorizar temas como “agricultura sustentável” e “segurança alimentar”, o Brasil pode não apenas atender às metas nacionais de sustentabilidade, mas também colaborar de maneira mais efetiva com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Segundo a pesquisa, esse compromisso é essencial para mitigar os efeitos da agricultura intensiva e promover uma gestão mais equilibrada dos recursos naturais, preservando a biodiversidade. O papel das colaborações internacionais Além de parcerias nacionais, o estudo aponta que a colaboração com instituições estrangeiras tem se mostrado crucial para o desenvolvimento do conhecimento sobre práticas agrícolas sustentáveis. Instituições como a Universidade de Ghent, na Bélgica, e a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) foram mencionadas como parceiras estratégicas em diversos estudos, ampliando o alcance e o impacto da pesquisa brasileira. Próximos passos: do conhecimento à ação A partir dos dados levantados, os autores sugerem a criação de políticas públicas que incentivem práticas sustentáveis na agricultura e criem mecanismos para integrar a ciência com as necessidades do setor agrícola. “O conhecimento científico é uma ferramenta essencial para informar e estruturar políticas agrícolas que alinhem desenvolvimento econômico e preservação ambiental” , afirma o estudo. A pesquisa ressalta, entretanto, que para que essas políticas sejam efetivas, elas devem ser desenhadas com base em evidências científicas e com o envolvimento direto das comunidades afetadas. Dessa forma, o país poderá traçar um caminho sólido para uma agricultura sustentável, promovendo o desenvolvimento de longo prazo e garantindo a segurança alimentar para as futuras gerações.

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