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STAC: o protagonismo brasileiro na segurança alimentar global

  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Capitaneado pelo professor Durval Dourado Neto, o Centro de Agricultura Tropical Sustentável (STAC/USP) reúne ciência, inovação e cooperação internacional para desenvolver soluções voltadas aos desafios da produção de alimentos no século 21


Durval Dourado Neto
Professor Durval Dourado Neto foi Diretor da ESALQ/USP entre 2019 e 2023. Foto: Danilo Lysei/ CLB.

A trajetória da agricultura tropical brasileira está diretamente associada ao investimento contínuo em ciência, tecnologia e formação de pessoas. Parte dessa história passa pela atuação do professor Durval Dourado Neto, docente titular da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ/USP) e coordenador do Centro de Agricultura Tropical Sustentável (Sustainable Tropical Agriculture Center – STAC), iniciativa que busca consolidar o Brasil como referência mundial na produção sustentável de alimentos.


Com quase quatro décadas dedicadas ao ensino, à pesquisa e à extensão universitária, o pesquisador atua na integração entre universidade, setor produtivo e poder público para desenvolver estratégias voltadas à segurança alimentar global, à sustentabilidade e à inovação agrícola.



A proposta do STAC é ampliar a contribuição brasileira diante de um dos maiores desafios contemporâneos: produzir mais alimentos, com menor impacto ambiental, em um cenário marcado pelas mudanças climáticas e pelo crescimento populacional.


Um centro voltado à agricultura dos trópicos


Criado em 2023, o STAC está sediado na ESALQ/USP, em Piracicaba (SP), e integra uma rede de centros estratégicos instituídos pela Universidade de São Paulo para enfrentar desafios globais.


O objetivo é fortalecer a agricultura tropical sustentável por meio da produção de conhecimento científico, da formulação de políticas públicas e da cooperação internacional.


STAC/USP
Sede Administrativa do STAC/USP, localizado no Pavilhão de Agricultura da ESALQ/USP. Foto: Gerhard Waller

A iniciativa reúne pesquisadores, gestores públicos e representantes da iniciativa privada para desenvolver diagnósticos, propor soluções e subsidiar a tomada de decisões relacionadas aos sistemas agroalimentares.


Entre as áreas prioritárias de atuação estão:


  • segurança alimentar global;

  • agricultura irrigada;

  • conectividade rural;

  • sustentabilidade dos biomas brasileiros;

  • transformação digital no campo;

  • formação de lideranças.


Segundo Durval Dourado Neto, o principal diferencial do centro está em desenvolver soluções adaptadas às condições tropicais, historicamente menos contempladas pelos modelos científicos construídos em países de clima temperado.


Durval Dourado Neto
Em 2024, o docente foi vencedor do Prêmio Fundação Bunge, categoria Vida e Obra, em reconhecimento às suas produções acadêmicas. Fonte: Bungue
“Utilizamos o conhecimento científico para resolver problemas práticos com base nas demandas da sociedade”, destaca o pesquisador.

Ciência brasileira para os desafios dos trópicos


Uma das principais contribuições da agricultura tropical brasileira está na capacidade de produzir mais utilizando a mesma área, por meio da chamada intensificação sustentável.


Ao contrário dos sistemas agrícolas de clima temperado, onde o inverno interrompe naturalmente o ciclo biológico de pragas e doenças, os trópicos exigem manejo permanente e elevado nível tecnológico.


Ao mesmo tempo, a combinação entre disponibilidade de luz solar e condições climáticas favoráveis permite ao Brasil realizar até três safras anuais em determinadas regiões, ampliando significativamente a capacidade produtiva.

Essa característica posiciona o país como um ator estratégico na segurança alimentar mundial.


Estimativas apresentadas pelo pesquisador apontam que o Brasil poderá contribuir entre 14% e 20% da demanda global por alimentos até 2050.


Tecnologias brasileiras ganham destaque internacional


O avanço da agricultura nacional também está associado ao desenvolvimento de soluções que podem ser replicadas em outros países tropicais, especialmente na África, Ásia e América Latina.


Entre os destaques estão:


🌱 Melhoramento genético adaptado aos trópicos


A tropicalização de culturas como a soja permitiu o desenvolvimento de variedades adaptadas a baixas latitudes e condições climáticas específicas dos países tropicais.


🐞 Manejo Integrado de Pragas (MIP)


O Brasil desenvolveu protocolos próprios para monitorar e controlar pragas, doenças e plantas daninhas de forma mais eficiente e racional.


🦠 Bioinsumos


O país é hoje uma das principais referências mundiais na adoção de biodefensivos e biofertilizantes em larga escala, utilizando a biodiversidade como aliada da produção agrícola.


🌳 Sistemas integrados de produção


Práticas como Integração Lavoura-Pecuária (ILP), Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), sistemas agroflorestais e recuperação de áreas degradadas contribuem para otimizar o uso da terra e aumentar o sequestro de carbono.


Uma trajetória dedicada à formação de pessoas


Ao longo de sua carreira, Durval Dourado Neto consolidou uma atuação que ultrapassa os limites da sala de aula.


Entre seus números acadêmicos, destacam-se:


  • mais de 10,2 mil estudantes formados na graduação;

  • 154 mestres e doutores orientados;

  • 296 artigos científicos publicados;

  • 50 livros produzidos;

  • 81 softwares desenvolvidos;

  • atuação em 62 países.


Além disso, o pesquisador já ocupou cargos como chefe do Departamento de Produção Vegetal, coordenador da pós-graduação em Fitotecnia, vice-diretor e diretor da ESALQ, entre 2019 e 2023.


Ciência, inovação e impacto social


Para Durval Dourado Neto, a missão da ciência vai além da produção de conhecimento: trata-se de transformá-lo em benefícios concretos para a sociedade.


Nesse contexto, o STAC surge como uma plataforma estratégica para ampliar a presença brasileira nos debates internacionais sobre agricultura, sustentabilidade e segurança alimentar.


Entrevista completa: CropLife Brasil


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